Brincar (sem televisão e sem telemóvel)

(Quando aqui falar em televisão, quero dizer todos os ecrãs com entretenimento – televisão, computador, telemóveis e tablets.)

Então, em primeiro, calma. Nós temos telemóveis, computador e televisão. Raramente está ligada, mas temos.
Eu já fui viciada em cinema e continuo a adorar filmes e séries. E mais recentemente sou vidrada em documentários.
Mas os mais novos cá em casa… vivem muito bem sem televisão.

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Credits: Patrícia ResendeEnter a caption

Então vejamos como:
– até ao ano de idade, os meus filhos viram 0 televisão.
Sim, o número está correto. Zero.
Quantas vezes me fez falta? Muitas.
É seguramente mais difícil entreter uma criança, no caso duas, sem televisão.

Mas, e não é por ser obtusa, super protectora ou querer ser diferente, mas fi-lo porque li diversos estudos de pediatria que nos garantem que os bebés não estão preparados para ver televisão.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão faz (e telemóveis e tablets também):

1- os estudos referem que os estímulos visuais são demasiados e muito acelerados para a capacidade dos cérebros dos pequeninos.

2- o uso de ecrãs antes dos 18 meses, pode provocar atraso na linguagem, na leitura e na capacidade de curta-memória.

3- relacionam a tão falada hiperactividade com o demasiado tempo atrás de um ecrã, visto que nos desenhos animados os estímulos são constantes, coloridos e vibrantes e a criança fica “viciada” nessa forma de ser/estar.

4- causa crianças mais passivas a nível de criatividade, imaginação e entusiasmo próprio e com mais falta de cooperação, interesse e atenção nos estudos.

5- Em grandes estudos na América e Reino Unido relacionam inclusivamente a obesidade infantil, a agressividade e alguns problemas sociais e emocionais à exposição elevada e demasiado cedo aos ecrãs.

6- Vicia.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão (telemóvel e tablet) não deixa fazer:

Mais ainda, do que o que a televisão pode fazer é o que a televisão não deixa fazer, ou seja:

1-  naturalmente os ecrãs impedem o contacto humano. Justamente aquilo que é mais necessário a uma criança, para aprender a relacionar-se consigo, com os outros e com o mundo.

2- a televisão impede o tédio, e por isso a consequente busca de entretenimento, através da criatividade e da resolução dos seus próprios problemas e frustrações.

3- minoriza a vontade de estimular fisicamente o corpo e a descoberta da Natureza e seus elementos

4- a televisão, na maioria dos conteúdos apresentados, impede a empatia e a sensibilidade ao outro, uma vez que as imagens de violência nos desenhos são uma constante a que fica habituada.

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Credits: Patrícia Resende

E as razoes continuam…
Mas estas, foram mais que suficientes para mim, para até ao 1º ano cumprir à risca, a regra de “no TV”.

A partir daí confesso que me vali algumas vezes.  Mas ainda hoje, têm quase 3 anos e a televisão está confinada a 1h ou 2h aos sábados ou domingos de manhã ou a uma ocasião esporádica de gigantes birras (e zero paciência maternal).

Verdade seja dita, por não terem sido expostos a esta realidade, os meus filhos, gostando muito de ver televisão, passado 1h já estão levantados a procurar outra coisa para brincar. Também o telemóvel é uma realidade muito restrita, em que jogam 1 jogo, adequado e didactico, ainda menos que uma vez por semana.
Tablets não sabem o que é.

Sim, têm quase 3 anos e não, não vão ser infoexcluidos.  Vários estudos demonstram que a exposição mais tardia não invalida a falta de capacidades para mexeram em ecrãs nem a sua eficiência e rapidez em relação aos mesmos.

Nesta fase de vida, as crianças precisam de tocar, cheirar, sentir. Tudo é uma novidade e tudo, absolutamente tudo é um estímulo.
Precisam dos pais. Sobretudo e acima de qualquer referência, precisam dos pais.

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Credits: Patrícia Resende

A minha introdução aos ecrãs foi portanto, gradual. Inicialmente ligava o computador à televisão e punha-lhes videos nossos. Deles próprios, do nosso casamento, das festas de anos…  O ritmo era obviamente lento e real, as situações e as personagens conhecidas e isso fazia com que eles adorassem e não se sentissem perdidos entre a realidade e a ficção.  Também colocava ballet para crianças, do género do Quebra Nozes, ou concertos de música classica infantis, por ser algo muito mais focado na música e na dança, cheio de cor mas sem um ritmo alucinante.

Por último, quando introduzi os bonecos, foi ou com escolhas minhas no YouTube, ou, se com muita pressa minha, o Baby TV.
Por ser lento, e as histórias, mesmo que às vezes muito parvas, não conterem violência nem maus exemplos.

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Credits: Patrícia Resende

A verdade é que, por estarem tão expostos e atentos às nossas conversas, leituras e brincadeiras, eles têm um vocabulário muito extenso e uma conversa já muito bem fundamentada, para além, de que mesmo prematuros e com os percalços de saúde que tiveram, nada os impede de subir muros 🙂

Houve alturas em que lá tivemos de ouvir os habituais comentários dos “coitadinhos”.
Mas já nos habituámos aos coitadinhos que não têm gomas, carne, fritos, antibióticos, televisão, creche, brinquedos demais…
Claro, que depois quando os vêm felizes e saudáveis e com um desenvolvimento acima da média, sem nada destas coisas… acabam-se os comentários.

Hoje em dia, já são eles a procurar por eles próprios a sua diversão, basta-me dar-lhes algumas “ferramentas” e eles ajeitam-se, mas deixo aqui algumas imagens de como entretia os meus miúdos antes mesmo de eles andarem.

É incrível a surpresa de umas simples panelas ou tampas entreterem tanto…
Agora, mais crescidos, privilegiamos sempre os passeios e a brincadeira ao ar livre na Natureza.

Estas fotos podem ser abertas uma a uma e têm a descrição dos materiais.
Mas também nos podem procurar no seguinte link do Pinterest:
Actividades para bebés – PlantarAmor.com

Nós gostamos muito de televisão.
Mas sem a tornar, e aos telemóveis e tablets, em perigosos babysitters.
Preparados? Toca a pôr os miúdos a puxar pela mente e corpo.

Que continuemos a plantar amor.

Liana

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