Activismo Ambiental

Carta aos meus filhos sobre a nossa vida como activistas ambientais

Meus amores

Hoje falo-vos da nossa casa. Não a de paredes de pedra que habitamos, mas da outra, a grande casa que nos acolhe a todos, a Terra.

Já houve um tempo em que a mãe não sabia muito sobre a poluição e suas consequências. Fui sempre seguindo as grandes modas que apareciam na televisão, como mudar as lâmpadas ou evitar os sprays… Mas, como pouco mais se falava, pouco mais a mãe fazia.
Mas a informação, nesta era da pesquisa virtual, que para nós ainda é nova, foi aparecendo, espaçada. Um video aqui, uma foto ali, uma notícia no jornal… A consciência  ambiental a crescer… E por esta altura, quando surgiu o 2º aviso dos Cientistas à Humanidade, eu já era vossa Mãe.

E como vossa Mãe, com a responsabilidade que o papel me exige, eu não podia mais ignorar esta realidade.
Dizia a carta dos 15.000 cientistas que estamos a caminho do fim da Terra.
Ainda depende de nós. Mas por muito pouco tempo.
Aqui podem ler a carta em Inglês (com possível download da versão em Português)

Ora, como posso eu amar-vos se não fizer tudo o que está ao meu alcance para vos deixar uma casa? A única que temos, o nosso planeta!

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Foto: Liana

Dizem os cientistas, e os inúmeros documentários que a mãe viu depois disso, que coisas muito más podem acontecer já no vosso futuro:

– Não existir água potável para beber
– Morrerem oceanos e florestas (e com eles a vida)
– Mudanças climáticas drásticas, com consequências de cheias, tempestades, maremotos, fogos, vagas de frio ou calor insuportável…

Lembrei as desgraças que vemos na televisão durante as catástrofes naturais, e de repente, a mãe estava tristemente a aprender que isso pode passar a ser o normal do dia a dia…
Não quero esse futuro para vós! Quando, em muita consciência, quis que viessem ao mundo, foi para vos mostrar o que de maravilhoso ele tem.
Mas os cientistas, os artigos, os documentários, dizem à mãe que isto se pode passar tudo até 2050…

Sei que sou pequenina, numa tarefa muito hercúlea. Sei que os meus recursos são bem minúsculos naquilo que represento na terra. Mas sabem que mais? Isso não me demove!
Se eu puder fazer alguma coisa para evitar que fiquemos sem flores, sem neve, sem comida, sem planeta, então é apenas isso que eu tenho de fazer!

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foto: Liana

Conto-vos um pouco do aviso dos cientistas, que alarmou e inspirou a mãe:

” (…) desencadeamos um evento de extinção em massa, (…) no âmbito do qual muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas (…).
Dado que a maioria dos líderes políticos é sensível à pressão, os cientistas, os formadores de opinião nas mídias e os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas (…). Com uma vaga de esforços organizados, é possível obrigar os líderes políticos a fazer o que é certo.
Também é hora de reexaminar e mudar nossos comportamentos individuais, incluindo a limitação de nossa própria reprodução e diminuir drasticamente nosso consumo per capita de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.”

Percebi que há coisas que já fazíamos bem sem saber. Mas que havia tantas que estávamos (e ainda estamos) a fazer mal…

Há várias coisas que podem começar por nós, enquanto indivíduos e que, se formos muitos, pode fazer uma diferença abismal.

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Foto: Liana

Ainda da carta à Humanidade, retirei estes avisos para nos lembrar de por onde podemos começar.

“- os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas.
– diminuir drasticamente nosso consumo de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.
– reduzir o desperdício de alimentos
– mudar para uma alimentação à base de plantas;
– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade;
– aumentar a educação natural e ao ar livre para crianças;
– reorientar investimentos e compras no sentido de incentivar mudanças ambientais positivas;
– adoção massiva de fontes de energia renováveis”

Ora, como vêm, na nossa família, já éramos ambientalistas, em muitas coisas, sem saber :):

– Temos um carro a gás (e no futuro procuraremos alternativas ainda mais viáveis)
– Não comemos carne
– Vocês passam a vida a brincar no meio do campo e algumas das nossas maiores aventuras são a observar e interagir com a Natureza.
– Estamos a tentar comprar cada vez menos coisas novas e supérfluas
– Fazemos compostagem do nosso lixo orgânico.

Por último a mãe descobriu um Movimento ao qual faz todo o sentido juntarmo-nos:
O Zero Waste, ou Desperdício Zero, que nos ajuda a viver com menos plástico.

O plástico está a ser uma fonte assustadora de problemas. Está a matar oceanos e a vida marinha. E sabem, amores? Sem oceanos, Não Há Vida no planeta.
Por último o plástico está a entrar nos corpos das pessoas através dos peixes que as pessoas comem. O plástico está cheio de químicos muito perigosos.
Este não é o nosso caso, porque não comemos peixe, mas é o de muitas pessoas nossas amigas. Conseguem imaginar a nossa preocupação com elas?

Ainda estamos muito no começo, mas já fazemos algumas coisas:
– Levamos sacos de pano para comprar as frutas e legumes no supermercado
– Lavamos e reutilizamos os que já temos de plástico.
– Temos sempre um recipiente para a água que enchemos quando é preciso. Nada de mini garrafas.
– Recusamos tudo o que é descartável quando comemos fora.
– Não usamos palhinhas nem cotonetes
– Mudamos para escovas de dentes de bambu
– Compramos os produtos a granel  sempre que conseguimos

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Foto: Liana

As vezes a mãe sente-se parvinha, quando recusa os sacos plásticos que as pessoas insistentemente querem oferecer. Parvinha quando aparece nas caixas com sacos de pano.
Parvinha quando recusa as palhinhas e as tampas nas raras vezes de fast-food.  Quando pede água num copo de vidro numa pastelaria…
As pessoas olham para a mãe como se fosse um alien.
Não é fácil estar no começo das mudanças.
Há 17 anos atrás quando comecei a ser vegetariana ainda era pior, porque respeitar os animais ainda era mais estranho. E hoje já há muito mais interesse e menos gozo.
Por isso, tenho esperança. E quando me sinto parvinha, por estar a ser diferente, no segundo seguinte, lembro-me das minhas razões e sinto-me orgulhosa!

“Devemos reconhecer, nas nossa vida quotidiana e nas nossas instituições de governo, que a Terra, com toda a sua vida, é o nosso único lar.” – dizem os  cientistas.

Eu sou vossa Mãe. Que melhor prenda poderia eu dar-vos, que um maravilhoso planeta para viverem?

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Foto: Patrícia Resende

Que continuemos juntos a plantar amor.
Vossa
Mãe