Este é o Gabriel. Não costumo usar fotos frontais dos meus filhos nas redes sociais, mas desta vez, achei que devia fazê-lo.
Este é o Gabriel, tem 4 anos, um irmão gémeo, adora carros e animais e tem um sentido de humor extraordinário. Nasceu com doença cardíaca e já fez 5 cirurgias até agora.
Se o Gabriel apanhasse Covid 19, provavelmente seria mais um número nas notícias em que diriam “já tinha outras doenças associadas”.Mas a verdade é que o Gabriel é uma criança como qualquer outra. Antes do Covid 19, não tínhamos quaisquer restrições.
O Gabriel fazia ginástica, natação, corria e escalava árvores provavelmente mais rápido que muitas crianças da idade dele. Raramente apanhava sequer uma constipação e quando apanhava, uns chás e uns xaropes caseiros chegavam para passar.
Só quando surgiu o Covid 19, o Gabriel passou a ter a sua vida alterada. Deixou de ver as tias que adora, deixou de se encontrar com os amigos, e deixou até, com enorme tristeza, de ver a meia irmã, à conta do possivel risco de vida associado.
As pessoas que já morreram com Covid 19, mas que tinham outras doenças associadas, continuariam vivas com as suas doenças, se não fosse o Covid 19. Provavelmente, muitas tão alegres, bem dispostas e felizes como o Gabriel.
Então, quando achamos que esta doença só mata os velhos e os doentes (e quão egoísta e desumano já é isso) que tal parar para pensar quem é velho ou tem doenças à vossa volta? Que não parece, que faz uma vida normal, mas que se apanhasse Covid 19, poderia morrer por “já ter doenças associadas”.
E é por isso que escrevo este texto. Quando as pessoas se juntam nos cafés e nas esplanadas, nos centros comerciais ou mesmo em encontro de amigos nas praias, pelo que tenho visto estão aos magotes, “apesar de acharem que só estão com os da nossa mesa ou do nosso chapéu de sol”.
A maioria vejo com máscaras debaixo do queixo ou penduradas nas orelhas, ou mesmo sem qualquer máscara (porque “obviamente não têm Covid”).
Quando fazem isso,muitas vezes, são estas pessoas, como o Gabriel, normais aos vossos olhos mas fragilizadas, que estarão a prejudicar.
Claro que sempre existiram doenças e pessoas de risco que tinham de se proteger mais do que as outras. Mas poucas vezes houve uma pandemia em que todos dependêssemos exclusivamente, do comportamento uns dos outros.
Eu sou uma mãe, que se questiona muito sobre as questões da liberdade individual, sobre as questões das manipulações estatais no que diz respeito à gestão deste vírus. Sou das que estranha muito as contradições “agora toda a gente para casa”, ” agora toda a gente para as compras”…
Mas não posso deixar de ver os factos que estão à nossa frente.
E o que é certo, o que se sabe sobre este vírus, é que o seu contagio é superior ao de muitas outras doenças. É certo que faz um número muito elevado de doentes assintomáticos que mais facilmente propagam o vírus por não saber sequer que estão doentes. É certo que tem deixado as suas vítimas, mesmo depois de recuperadas, com vários órgãos gravemente afectados, ao contrário de uma gripe comum. É certo que tem feito milhares de vítimas mundo fora e que é particularmente fatal em grupos de risco, mas não o é exclusivamente.É certo que por ser tão contagioso e fazer tantos doentes, estrangula os sistemas de saúde a pontos inimagináveis, em que passa a ser necessário escolher vidas por simples falta de material, como aconteceu em tantos países.
O que é certo também é que nada mudou. Não há tratamento. Não há vacina.
E mais a mais já aprendemos pela experiência de outros países, que estarmos todos “à vontadinha”, não causa imunidade de grupo. Apenas mais mortos.
Consta que nesta altura, estamos a ser “salvos” pelo calor porque o vírus não se mantém tanto tempo nas superfícies.
Então aproveitemos esta oportunidade fantástica que a Natureza nos dá, para recuperar um pouco da nossa liberdade.Façamos passeios em família, aproveitemos o sol e as cores das flores que nos foram negadas durante o confinamento.
Mas por favor, até existir um tratamento eficaz, a única coisa que nos é pedida pelas comunidades médicas e científicas de todo o mundo, é que estejamos afastados de pessoas que não sejam da nossa família directa.
Por aqui, tivémos de alterar por completo a nossa vida. O pai teve de parar de trabalhar porque a profissão não era compatível com distanciamento social. Tivemos de nos reinventar economicamente. Continuamos, desde o dia 26 de Fevereiro sem ver ninguem da família, sem ver nenhum dos nossos amigos, nenhum colega de trabalho.Para proteger o Gabriel, somos do grupo de risco e aceitamos este isolamento!
À maioria de vós, só vos é pedido que não misturem agregados familiares (ou seja, que não se encontrem com famílias que não são a vossa), que usem máscara (colocada na cara!!) sempre que haja pessoas por perto, e desinfectem constantemente as mãos para não tocar em nada que possam infectar.
MESMO que achem que não estão doentes, porque na verdade não o sabem!
Quanto mais casos existirem, por conta dos comportamentos mais inconscientes, mais famílias como a nossa, com crianças de risco, idosos de risco, ou adultos de risco verão o seu confinamento muito mais estrito, e as suas economias familiares mais abaladas, e o seu medo perdurar durante muito mais tempo.
O confinamento (estarmos fechados em casa) acabou, mas os epidemiologistas dizem que o isolamento (termos sempre distanciamento social) deve continuar.
Isto não vai durar para sempre. Os adultos não morrem se não puderem ver o futebol com os amigos no café durante uma temporada, os adultos não morrem se não celebrarem o aniversário deste ano, junto com o seu pessoal, as crianças não morrem se não estiverem com os amiguinhos ou se não forem à escola durante vários meses.
Mas o Gabriel ou os Andrés ou as Marianas podem morrer em poucos dias, se as pessoas não pararem com os comportamentos centrados apenas nas suas necessidades.
Quando se esquecerem das motivações para cumprir o isolamento, lembrem-se do Gabriel.Acredito que nenhum de vós gostaria que ele fosse mais um número no noticiário.
Então, por favor, nesta época diferente de todas as que já vivemos, façam a vossa parte de solidariedade e humanidade para com os outros.
Sejam realmente responsáveis.
Em nome do Gabriel e de todas as pessoas de risco, obrigada.

O que é uma família?
É um conjunto de pessoas ligadas pelo ADN?
É um conjunto de pessoas que habitam a mesma casa e se encontram ao pequeno-almoço e ao jantar, normalmente cansadas e stressadas do trabalho e da escola?
São dois progenitores cujas respectivas crianças passam mais tempo criadas por outros do que por eles?
 
O que é uma família?
 
Por aqui, o conceito de família é muito peculiar…
Cresci sem pai presente, fui criada por mãe e avó, mas tive outra mãe a ajudar ao meu crescimento que não me era nada de sangue.
A que ainda hoje é minha “irmã” era uma amiga de escola, e os meus, hoje queridos, irmãos verdadeiros só os conheci já adulta.
Amo duas amigas de longuíssima data como se fossem família e há membros da família biológica de quem nos afastámos por não respeitarem espaço nem opções…
 
Amo a minha família, escolhida por mim, feita de retalhos adoptivos, feita de relações de grande verdade, sem obrigações e sem requerimentos.
 
Estamos porque queremos. Somos porque amamos.
 
O que é uma família?
Um homem e uma mulher sem tempo e paciência para criar os filhos ou aguentarem-nos sequer durante um mês e meio em casa durante uma pandemia, como temos visto nas redes sociais?
 
Ou dois homens ou duas mulheres, anatomicamente imperfeitos para criar família, que criam uma criança com amor extremo?
Ou pais adoptivos que cumprem a sua responsabilidade de amar sem medidas e sem restrições?
Ou uma casal separado que se torna feliz com a separação mas que não deixam nunca de ser pais a tempo inteiro e em conjunto?
Ou uma só mãe, como eu conheço, que faz limpezas, gerindo o seu horário, quando poderia ter qualquer outro trabalho, para poder ter mais tempo com a sua filha?
Ou um grupo de amigos verdadeiros, mesmo sem crianças envolvidas, que se apoiam no bem e no mal, na saúde e na doença?
 
O que é uma família?
 
Para mim é claro.
Uma família é respeito, verdade e amor.
Sem cedências para nenhum destes três aspectos.
Se houver crianças, então uma família tem de ser respeito, verdade, amor e tempo!
O tempo de poder Ser Família e servir de modelo ao que é Ser Família.
 
Quem encontrar isto na família de sangue, magnifico.
Quem encontrar noutros corações quaisquer, magnífico na mesma.
 
Um viva a todas as famílias que sentem o que é ser Família, sem amarras de conceitos pré-definidos, mas com verdadeiros laços de amor!
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No início da pandemia, deparei-me com as redes sociais inundadas de mães aflitas.
As escolas encerravam e as mães pediam ajuda porque “não sabiam o que fazer com os filhos todos os dias em casa”.
No “suposto fim” da pandemia, deparo-me com inúmeras publicações de mães desesperadas por despacharem os filhos para algum lado. Porque “já não os aguentam”, porque “precisam urgentemente da sua individualidade e da sua vida de volta”.

E eu vejo isto e ando angustiada…
Ando eu a pregar às pessoas que se preocupem com os seus idosos, ando eu a sensibilizar à preocupação com os animais… e afinal há mães, de famílias supostamente bem estruturadas, influencers com milhares de seguidores nas redes sociais, que não aguentam sequer estar com os próprios filhos 1 mês e meio, em casa.

Será só a mim, que esta realidade estranha, distorcida e potencialmente perigosa atinge o coração de tristeza?

Sou mãe a tempo inteiro, apesar de também trabalhar quase diariamente no meu alojamento local, apesar de fazer ensaios e concertos, dar workshops e trabalhar na agricultura e manutenção da quinta.

Mas salvo muito raras excepções, os meus filhos estão comigo, quase sempre.
E tal como as mães que se queixam nas redes, tenho dias em que já não os posso ver à frente.
Ser mãe é o trabalho mais difícil da minha vida!
Tenho dias de gritos, tenho dias de casa num caos, tenho dias de más refeições feitas à pressa, dias de birras que me parecem ridículas e extenuantes, tenho dias de cansaço extremo, e dias de ser má mãe!

Mas não tenho um único dia em que queira a minha vida de volta.
Aliás, não sei o que é querer ter a vida de volta. Esta é a minha vida! Escolhi ser mãe!

Se virmos as coisas pela matemática, o desejo de liberdade na maternidade é irónico, no mínimo.
Vivemos uma média de 80 anos.
Os nossos filhos vivem connosco cerca de 20 anos.
Mais concretamente, realmente dependentes de nós, vivem 10 anos. Mas façamos a média nos 15.
Se considerarmos que também nós não fomos independentes durante os nossos primeiros 15 anos, sobram 50 anos.
Significa que temos cerca de 50 (CINQUENTA) anos para viver “la vida loca” sem a dependência dos filhos.

Não chega????

Precisamos de hipotecar os  primeiros 10 anos deles, a empandeirá-los para as creches, para as escolas, para os ATLs, para as actividades extracurriculares, para as babysitters, para os avós, porque… precisamos desesperadamente da nossa liberdade?

1 mês e meio com os filhos em casa …

Estamos no meio de uma pandemia, em que o mundo inteiro parou de medo, e pelos vistos, nem isso é motivo suficiente para amarmos mais os nossos filhos e querermos tê-los junto a nós (aceitando que a maternidade é difícil!).

Caramba, como me aflige esta sociedade…

E não posso deixar de descobrir a enorme diferença que há entre ter filhos, e ser Mãe.

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Tenho saudades. De ver o mar e o pôr do sol nas ondas.
De sair quando quero, e de abraçar os amigos.
Tenho saudades de ter mais certezas sobre o meu futuro próximo. De saber que ia ter trabalho e rendimentos suficientes.
Mas nada disso me põe em ansias de ir para a rua neste momento ou tão rapidamente quanto possível.

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Acho graça quando falam de que estamos a ganhar. A quem, ao quê? Porque é que tudo é uma competição?..
“ganhou ao cancro”, “estamos a ganhar ao vírus”, “venceu a morte…”
Como se alguém vencesse a morte…
O meu filho, sobreviveu a uma cirurgia de 6 horas ao coração, com 10 dias de idade (e às outras que se seguiram).
Lembro-me de na altura ter pensado que ele tinha pedido à morte, que nos diziam quase certa, para esperar. E ainda hoje eu peço que ela possa esperar até ele ser muito, muito velhinho…
E com este pedido, vivemos. Vivemos ainda mais.
Mas com a humildade de que não somos superiores nem vencedores. Apenas parte de um ciclo que não controlamos.

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É que ninguém vence a morte que já nos rodeia.
Ninguém ganha às dores que nos acompanharão depois do isolamento.
Aprenderemos a ultrapassá-las. A viver com elas. A viver ainda mais presentes e mais gratos depois delas.
Tudo isso é possível e desejável.

Mas porquê falar em ganhar? Porquê continuar o ciclo da conversa da guerra, quando podemos falar do poder do amor?

Eu também acredito que não nos podemos fechar para sempre. Que seria de nós?
Também acredito que teremos de aprender a viver com (mais) um vírus à solta.

Mas ainda não é o tempo de sairmos à rua como se nada se tivesse passado e como se tudo não continuasse por aqui.

Sei bem, que no fim disto, seremos ainda mais falidos que infectados.
Mas isso não pode ser desculpa para enviar os soldados para a frente da batalha, contando ganhar uma guerra que na verdade não existe, porque não a controlamos.

Não é tempo de falar em ganhar, quando até agora perdemos tantos.

É tempo de pensar globalmente como ajudar quem não tem recursos para fazer face a mais um tempo resguardados.

É tempo de pensarmos, mas pensar mesmo, que se o dinheiro não cresce nas árvores, nem é um recurso finito não renovável, que se o dinheiro é uma invenção feita pelo homem… que o homem, que tanto preza o dinheiro, pode sempre fazer mais a qualquer momento (tal como faz para injectar na banca falida), e distribui-lo, realmente distribui-lo, por todos. Para colmatar necessidades básicas e fossos de injustiça gigantes que existem há muito e não vêm só do Covid 19.

Aí já não teríamos de falar em guerras, nem competição, nem vencedores…

Eu, que não sei fazer dinheiro, penso em permacultura (agricultura orgânica e comunitária) como forma de ajudar à autosubsistência da minha futura comunidade. Penso em vegetarianismo para fazermos parte de ecossistemas saudáveis e duradouros. Penso na arte como símbolo de partilha e inspiração.

Mas não penso em sair para já.
Porque prezo a minha parte de empatia e humanidade para com a saúde de todos.

Em que soluções pensam vocês?

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📷Patrícia Resende

Houve duas coisas em que a pandemia me fez parecer normal.

A primeira foi a comida, pois no inicio das compras para o estado de emergência, era aconselhado pelos nutricionistas comprar essencalmente frascos de leguminosas, cereais e vegetais. Comida vegan portanto…

A segunda foi de repente todos estarem em homeschooling como nós.

Prometi a alguns passar a publicar actividades para quem ao principio estava aflito com o “não saber o que fazer com os filhos”, mas depois desisti, precisamente por causa desta frase…

Mais do que impingir 500 actividades aos miúdos é descobrirem como voltar a ser uma família unida. Depois descobrir juntos as coisas que funcionam para a familia. Através de observação das crianças, através de tentativa e erro…
Quantas vezes já fiz actividades em que passo uma hora a preparar os materiais, para eles brincarem apenas 5 minutos e desligarem logo a seguir…
Quantas vezes actividades espontâneas e sem preparação prévia duram imenso tempo…
Quantas vezes o erro de hoje é o êxito de amanhã. E o sucesso de ontem, hoje provocou-lhes uma birra…

E mais ainda do que tudo isto, esta deveria ser a fase em que os miúdos teriam tempo para se descobrirem a si próprios (coisa que há muito o sistema escolar e pré-escolar limitaram profundamente).

Por isso, e porque o meu próprio tempo foi sobretudo de, ainda mais união com eles, não partilhei nenhuma actividade.

Mais de um mês depois, aqui fica o registo de algumas das coisas que temos andado a fazer.

Plantámos (e sentimo-nos muito, muito abençoados por o poder fazer)

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Pintámos (em vários sítios…)

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Aprendemos números

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Aprendemos ecosistemas e seus habitantes animais

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Aprendemos letras

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Cozinhámos e fomos padeiros

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Aprendemos forças e gravidade

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E o ciclo da água

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Construímos brinquedos, com coisas velhas que temos pela quinta.

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das pernas de uma velha mesa – uma baliza

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De uma prateleira de um móvel velho – um jogo dos elásticos

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De molduras antigas e um pedaço de acrílico – Montessori sand boxes

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Aprendemos texturas, formas, contrastes…

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Fizemos hortas do Pedrito Coelho

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Aprendemos música com jogos de ritmos

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Pintámos Van Gogh ao som de Beethoven

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Aprendemos mais sobre o corpo humano

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Vimos a Mary Poppins, o Pedrito Coelho, o Era uma vez o Corpo Humano, a Carrinha Mágica e a Masha, o Cirque du Soleil e o Moving Art e um documentário sobre o envio do rover a Marte que nos fez reflectir mesmo muito sobre o significado de aprender com os erros. Passamos muitos dias sem ver televisão (excepto o noticiário).
E por ironia, vamos em dois dias de tele escola 🙂

Lemos muito, muito, muito. E ouvimos audio books.

Dançámos e jogámos os nossos benditos jogos de emoções e partilha de conversas.

Mas SOBRETUDO chorámos, stressámos, tivémos breakdowns, zangas e… risos, muitos, muitos risos, e muita, muita ternura.

Porque, muito mais do que as aprendizagens, que às vezes resultam, às vezes não, é dos sentimentos, que é feito o amor!

Vossa
Mãe

Nós não somos religiosos, pelo que a Páscoa tem um significado vago para nós.
Mas respeitamos muito a fé dos crentes e sabemos que este é um tempo de renascimento, e como para nós, com a chegada da primavera, também o é, juntamo-nos às celebrações mais infantis.

Costumamos fazer uma festa de recomeço, em família, mas este ano, apesar de sermos só 5 (com a minha mãe, que se juntou a nós em isolamento), não deixou de ter magia.
Aqui ficam as fotos de um dia que alimentou sonhos e barrigas (doces não é habitual 🙂 ).

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Os nossos ovos levam poucos doces, algumas tâmaras ou ameixas, frutos secos…
Mas levam umas surpresas muito especiais.

Este ano, podem trocar os seus papelinhos, por:
– Meia hora só com o pai
– Meia hora só com a mãe
– Filme e pipocas
– Pintar a cara
– Uma tarde de microscópio
– Uma noite de telescópio
– Banho de espuma
– Fazer um bolo
🙂

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A mesinha foi posta só para 5 pessoas.
Uma tarde de abóbora e laranja, pão e patês, fruta, chocolate e amêndoas.
Mas não deixou de ter fantasia. E respeito pelos animais. Tudo vegano claro.

E este ano, com uns pós mágicos das histórias da Beatrix Potter, porque mais de 100 anos depois de ter sido escrito, houve aqui mais dois pequenos leitores (ouvintes) que se apaixonaram pela história do Pedrito Coelho.

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Para o ano voltamos aos nossos ovos de chocolate caseiros.
Por este ano, já foi muito bom!

“Vamos todos ficar bem.”
Penso que não há frase que me irrite mais neste momento…

Também me irrita a de que temos todos de estar em pânico, e que é crime “romantizar” o vírus.

Talvez eu esteja algures no meio termo.

Sei, que não vamos “todos” ficar bem, nem vai “tudo” ficar bem.
Há morte, traumas, stress e dores profundas a rodear-nos por todo o lado, que estarão lá para serem sarados, muito depois de nos deixarem sair à rua.

Por outro lado sei, que este momento, é o tempo certo para ter esperança, para idealizar um futuro comum, mesmo quando só temos dúvidas sobre os nossos futuros individuais.

Estou em isolamento há mais de um mês.
Apesar da incerteza dos nossos trabalhos futuros, estamos de certa forma tranquilos nas nossas tarefas na quinta e nas brincadeiras e ensino aos nossos filhos.

Mas estar “bem” não me impede de entender que o medo, a morte e a dor rodeiam o meu mundo. E a isso não posso ficar indiferente.

1 – Não vamos todos ficar bem! Dizer o contrário é negar a realidade que nos atingiu, e permitir que após o pânico, voltemos de imediato à nossa vida superficial e indiferente à vida do outro.

2 – Por outro lado, podemos e devemos ficar melhores do que fomos até agora. Saradas as inúmeras feridas que resultarem destes tempos, podemos assumir o controlo de tudo o que tem falhado na forma como conduzimos, e conduzem, as nossas vidas. E isso é possível!

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Debruço-me então sobre ambas as premissas.

Não vamos “todos” ficar bem quando há pessoas a morrer sozinhas sem o último abraço dos seus filhos, quando há crianças internadas que não podem ver os pais, sem entender sequer o porquê, quando o isolamento de alguns é feito em pânico e solidão, gerando traumas, stress e ansiedades que não se resolvem no dia em que isto acalmar.
Não vamos ficar “todos” bem, quando há médicos e enfermeiros e polícias e bombeiros a abdicar voluntária e conscientemente das suas famílias por tempos indeterminados, em meio de mágoas e medos profundos.
Quando há pessoas sem dinheiro para as compras básicas, porque perderam o emprego, sem previsão de quando voltarão a obter novos recursos.
Quando há vítimas de violência doméstica, mulheres, homens e crianças que estão neste momento ainda mais vulneráveis.

Quando há países ainda menos preparados que nós, ainda com menos recursos onde a fome já existe e a pandemia vai ser só o acelerar e aumentar de mortes já encomendadas.
Quando se avizinha uma crise económica de proporções épicas que levarão milhões à miséria.

Se entendemos todos que é difícil estarmos fechados sem poder abraçar os nossos e com menos comida que o habitual, é impensável imaginar o que fará um isolamento forçado no meio de famílias desestruturadas ou de comunidades miseráveis.

Não, não vamos todos ficar bem.
Dizê-lo e pensá-lo é, quando isto acalmar e depois dos primeiros abraços (que alguma coisas do que é importante havemos de ter entendido), ir a correr para os centros comerciais comprar coisas supérfluas, e para os longos dias de trabalho longe dos filhos e para as 10 actividades extra-curriculares para fazer miúdos com “curriculum”… mas sem amor.

É importante pensar no amanhã. É importante pensar que batemos no fundo.
É importantíssimo entender para onde queremos ir!

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O vírus Covid 19, e isto não é romantizar (!), deu-nos a oportunidade do começar quase do zero. Podia ter sido qualquer outra tragédia, mas escolheu-se esta e nesta, tudo o que não podia acontecer, aconteceu.
Tudo o que era impensável, fez-se.
Os aeroportos fecharam, grandes fábricas fecharam, compraram-se só as coisas que realmente fazem falta, as pessoas voltaram para casa e para os seus, os pais descobriram os filhos (muitos pela primeira vez), trabalhou-se a partir de casa, estudou-se a brincar, alterou-se o sentido das profissões importantes. Inverteu-se a relevância do estatuto, porque se é importante, e é, o médico, também o é o auxiliar, ou o operador de caixa do supermercado ou o colector do lixo.

Percebeu-se que a economia, e os temíveis mercados e juros e bolsas, não podem ser superiores à vida e à sobrevivência.

Percebeu-se que os investimentos deveriam ser na Saúde e não nos bancos.
E que a banca, nunca será humana com as nossas necessidades, e só por obrigação estatal nos dão alguma folga da sua ambição faminta.

Precisamos de mudar!

Ao longo destas semanas ter-nos-emos com certeza, irritado com os nossos filhos, cansado com os nossos filhos, mas estou segura de que, salvo algumas excepções de pais, teremos aprendido que é maravilhoso estar mais tempo com eles, que há tanto da sua personalidade que afinal não conhecíamos e que o amor cresce com a proximidade.

Ao longo destas semanas, teremos reparado que afinal não era urgente comprar as coisas supérfluas de que não necessitamos e que a prioridade afinal são as coisas básicas que nos dão conforto real.
Teremos entendido que o consumismo desenfreado, leva ao capitalismo selvagem?
(não nos esqueçamos das pessoas, quer em Sintra, ou na América a vender máscaras e alimentos em leiloes exorbitantes a quem der mais, sem qualquer sentido de compaixão nem entreajuda). É esse o ideal do capitalismo que ajudámos a fundar. É esse o tipo de sociedade que queremos continuar a ter?

E as saudades de um passeio por entre as árvores, de molhar os pés à beira mar, de ouvir os pássaros, de ver uma flor? Será agora que vamos valorizar o papel da Natureza nas nossas vidas? Será agora que optamos por ter espaço e tempo na nossa vida para fortalecer essa ligação?

Este vírus, e isto não é romantizar (!) mostrou-nos de uma forma muito mais suave o que nos espera se continuarmos a destruir o planeta.

Falando em vírus, o degelo das calotas polares, liberta vírus de animais mortos e congelados há milhares de anos, que não sabemos sequer o que são, nem como os combater (já aconteceu na Russia).

O aquecimento global provoca secas profundas. A agricultura tornar-se-á quase impossível. Irá existir escassez de alimentos a um nível extremo.

Recordam-se o que foi ir ao supermercado e encontrar prateleiras vazias? É esse o mundo que nos espera.

Com as secas vêm mais fogos, como já todos começámos a experienciar. Como vimos na Austrália, pessoas morrem, hospitais sobrelotados, supermercados vazios.

Com as secas, quando chover, a terra não absorverá a água, e aparecerão as cheias. Lembram-se de acontecer no Brasil? Pessoas morrem, hospitais sobrelotados, agricultura acaba, pessoas à fome.

Com as cheias, esgotos ficam ao ar livre, lixo e químicos são espalhados pelas águas ao longo das cidades.
Resultado? Bactérias, vírus! Tão maus ou piores que o Covid 19.
Hospitais sobrelotados, pessoas a morrer, escassez de alimentos e água potável para a população.

Não é um filme de ficção!

Imaginem o que teriam sentido se eu vos dissesse que o mundo ia parar à conta de um, um só, vírus desconhecido? Decerto achariam uma ficção?

E no entanto, os cientistas, avisaram várias vezes para que, um dia haveria de existir um vírus que causava uma pandemia e o mundo não estava preparado. Deram dicas e planos de trabalho.
O último encontro a nível mundial da OMS para discutir este aviso, foi em Novembro de 2019.
Juntaram-se grandes empresários e representantes de líderes mundiais para preparação para uma possível pandemia.

Preparámo-nos?
Estamos todos a sentir que não!

Cientistas estão a avisar há anos para os desastres decorrentes do aquecimento global.

Preparamo-nos?

O Covid 19, com toda a dor, e paragem do mundo e das pessoas, que dele decorreu, é uma brincadeira de crianças comparado com os que os cientistas avisam que aí vem.

Imaginem fogos, tsunamis, cheias e vírus perigosos e desconhecidos, a acontecer ao mesmo tempo em vários pontos do país e do globo.
Pessoas a morrer, hospitais sobrelotados, fome e doença sem precedentes.

Preparamo-nos?

Os líderes mundiais, nunca o quiseram fazer.
A economia! A economia não pode parar.

Mas parou…

Então este vírus e isto não é romantizar (!) está a dar-nos a hipótese de termos um vislumbre do que poderá ser a nossa vida e a vida dos nossos filhos se não agirmos.

Com o Covid 19, pela primeira vez, olhámos para os nossos vizinhos e preocupámo-nos com eles.
Pela primeira vez, organizámo-nos em pequenas comunidades para ajudarmos os mais vulneráveis.

Pela primeira vez, passámos tempo com os nossos filhos sem entregar a sua vida e educação a outros, 11 meses por ano.

Pela primeira vez, percebemos que podíamos trabalhar de uma outra forma, sem perder horas de vida no transito.

Pela primeira vez, compreendemos o que era realmente importante comprar e ter.
As coisas básicas.

Quando isto acalmar, vão dizer-nos que temos de trabalhar ainda mais para recuperar a economia perdida.
Vão dizer-nos que não poderão existir medidas ecológicas, para recuperar a economia perdida.

Queremos mesmo perder os vizinhos que agora conhecemos? Querermos mesmo voltar a perder os filhos que agora conhecemos? Queremos mesmo perder o nosso tempo de vida em filas de trânsito e trabalho a mais? Para quê? Para recuperar a economia e podermos compensar as nossas frustrações comprando coisas que já compreendemos que não nos fazem falta?

Este é o tempo de mudar! Nunca tivemos uma maior oportunidade.
É o tempo de, mesmo na incerteza dos nossos futuros individuais, delinearmos um futuro comum.

É tempo de cuidarmos da nossa saúde, recusando os alimentos nefastos cheios de açúcar e gordura e pesticidas, e exigir que parem os subsídios estatais a estes alimentos, tornando pelo contrário os alimentos saudáveis os mais acessíveis.

As grandes pandemias do último século foram causadas pela passagem de vírus de animais para pessoas. À custa de um desejo de carne, animais enjaulados, criados em condições críticas sanitárias e de espaço, um pouco por todo o mundo, causaram pandemias como a Sars (porcos), a Covid 19 (morcegos ou pangolins), a gripe suína na America, a gripe aviária (aves), doença das vacas loucas em Inglaterra, ou mesmo o HIV que teve origem em carne de chimpazé comida por humanos em África.

Pergunto, para além dos antibióticos injectados na carne, que ingerimos diariamente, e que debilitam o nosso sistema imunitário, há ainda este risco real de pandemias, valerá a pena?

O Covid 19, mata sobretudo (mas não só, não nos iludamos) as pessoas mais vulneráveis, com outras doenças como diabetes, insuficiência cardíaca, doenças respiratórias como asmas ou renites, hipertensão.
A maioria destas doenças tem origem na alimentação.

É tempo de exigirmos tratar a origem, não isolar o problema.

É tempo de cuidarmos da nossa educação, não deixando que as redes sociais e o voyeurismo da comunicação social nos mine com desinformação e manobras de diversão que nos afastam dos verdadeiros problemas.

É tempo de cuidar do planeta.
Simples assim. Porque se não cuidarmos, o cenário será muito pior do que agora.

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Eu não sinto o isolamento da mesma forma que muitos. Os meus filhos sempre estiveram em casa, não andavam na creche, pelo que nada é novo na nossa relação. Temos uma horta e muita Natureza à nossa volta. Resultado de uma longa procura e de muito, mesmo muito trabalho de recuperação ao longo dos anos. A minha pequena quintinha custou substancialmente menos do que um apartamento em Lisboa. Mas por estes dias é um enorme tesouro. Para mim, sempre o foi.

Mas se repararam, durante este texto, não disse uma única vez, quando esta crise acabar. Disse acalmar. É que não vai acabar.
Tal como nasceram novas medidas de vida após o 11 de Setembro, novas formas de controlo do ser humano irão nascer após esta pandemia.

Por ora são necessárias e acato-as, respeito-as e digo a todos pra as cumprir, sem segundos pensamentos.
Mas queremos mesmo que o distanciamento social, a falta de liberdade e escolhas façam parte do nosso futuro?

Temos dois caminhos quando esta crise acalmar.

Continuarmos a seguir o que nos dizem ser certo, com destino ao domínio, à separação e ao isolamento (sendo que há varias formas de isolamento).

Ou aproveitarmos esta possibilidade única de renascer, para assumirmos poder nas nossas vidas, com base na união, no renascimento de comunidades, no restauro de ligações perdidas, com a nossa família, com os nossos amigos, com a Terra.

Temos a possibilidade de voltar a viver como já há muito não fazíamos.

Qual será a nossa escolha?

Hoje é dia 11 de Março e estamos em meio de uma pandemia.

Custa-me a perceber que só a palavra pandemia decretada hoje pela OMS, funcione como alerta, que só agora as pessoas comecem a pensar ir para casa e que o sentido cívico pouco tenha funcionado até agora.
Como Mãe e Cidadã, mesmo sem qualquer virus ou suspeita, resolvi ficar em isolamento voluntário desde há 2 semanas para proteger os meus filhos e todas as outras pessoas, que conheço e que não conheço.
Para não sobrecarregar os sistemas de saúde, para que estes possam continuar a funcionar em pleno na salvação dos acidentes ou dos Avcs de todos os dias.

A isto não chamo entrar em pânico, a isto não chamo histeria. Chamo-lhe responsabilidade social e humanidade para com aqueles que efectivamente precisam de cuidados de saúde.

A isto chamo, ultrapassarmos “isto” o mais rápido possível, se todos contribuirmos desde cedo.

Assim irei continuar enquanto puder, porque serei sempre por uma Sociedade mais empática, compassiva e de maior entreajuda.

Peço-vos que façam a vossa parte.
E que desta crise de saúde, retiremos lições para um mundo melhor.

Aqui fica a minha mensagem em vídeo, esperando ajudar.

Não costumo misturar aqui a minha vida de cantora…
Mas a verdade é que faz parte de mim. E este tema é demasiado pessoal para ficar de fora das nossas cartas

À minha avó Amélia.

Este é o meu novo single 💛

Velha Mãe tem o acre da dor e da solidão e o néctar da ternura e da serenidade.
Tem o ensinamento e a aprendizagem de reaprender o passado e envolver o futuro.
Fala-nos da velhice, mas abraça uma vida inteira de valores por mudar.
Velha Mãe é a interrogação sobre o que é essencial no trilho de cada um. Mesmo quando o caminho já se faz só, mas não menos imprescindível.
É uma apologia ao caminho efémero da vida, ao rumo que pretendemos na família, nos amigos, nos desconhecidos por quem fazemos algo humano, ou nos que fazem por nós…
Velha Mãe tem um poder árduo, mas delicado, de nos interrogar sobre nós e os que consideramos nossos, os que já partiram, os que nasceram há pouco… e leva-nos à reflexão sobre a nossa vida e as estradas que escolhemos.

Velha Mãe é um dos temas mais belos que já cantei e que me deixou as emoções em inquietude durante largos, largos meses.
Ajudou-me a aceitar e a reconhecer quem a minha avó, que me criou, foi para mim.
Ajudou-me a alicerçar que Mãe quero ser para os meus pequenos filhos.
Velha Mãe fala do meu caminho e do caminho de todos nós.

Aqui fica a minha Velha Mãe
Que seja para vós, o bálsamo e a benção que foi para mim.

– De que te queres mascarar no Carnaval?
– De princesa.
– Pode ser rei, que também usavam vestidos?
– Não, princesa.

Estes são os meus filhos, rapazes, felizes neste Carnaval.

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Confesso que a ideia não me foi fácil. Com todo o imenso despreconceito que achava ter, ainda assim a ideia de ter a sociedade a julgar e a avaliar os meus filhos falou mais alto por uns momentos.
Tentei na minha cabeça arranjar um bom argumento para os dissuadir. Mas não havia.

Eu tenho bons motivos para lhes dizer que não podem beber álcool, conduzir um carro, subir um muro alto sem protecção, andar no meio da estrada, ou mesmo desrespeitar as pessoas.
Mas o único argumento supostamente válido para lhes dizer que não podem vestir um vestido é porque há muitas pessoas que não vão gostar. Que mãe incapaz serei eu, se basear a minha educação no que as outras pessoas vão ou não gostar, em vez de pensar na felicidade deles.
Conheço tanta gente infeliz por fazer o que a sociedade quer, por agradar aos outros em vez de a si próprio.

Os meus pequeninos têm 4 anos, não sabem de géneros, nem de descriminações, nem de “preferências”.
Sabem que são meninos, por lhes ter ensinado que são anatomicamente diferentes das meninas. Sabem que são malucos por carros, gostam de jogar à bola e os vestidos da meia irmã são a coisa mais bonita de se vestir.

E eu, que hoje felizmente me pude divertir com eles num grupo seguro sem a célebre frase “mas os meninos não usam saias” , não sei o que serão os meus filhos amanhã, nem isso me ocupa o pensamento. O meu trabalho como mãe, é apoiá-los a encontrar e a valorizar momentos de felicidade. Esteja a felicidade numa profissão com pouco valor social, numa relação diferente, numa vida eremita no fim do mundo ou num vestido de princesa.
Porque é assim que vejo o amor. E eu sou Mãe. O amor é a minha profissão.

PS: esta partilha não é para mudar os que pensam de forma diferente, é para dizer a quem pensa de forma igual que não está sozinho