ambientalistas

“Vamos todos ficar bem.”
Penso que não há frase que me irrite mais neste momento…

Também me irrita a de que temos todos de estar em pânico, e que é crime “romantizar” o vírus.

Talvez eu esteja algures no meio termo.

Sei, que não vamos “todos” ficar bem, nem vai “tudo” ficar bem.
Há morte, traumas, stress e dores profundas a rodear-nos por todo o lado, que estarão lá para serem sarados, muito depois de nos deixarem sair à rua.

Por outro lado sei, que este momento, é o tempo certo para ter esperança, para idealizar um futuro comum, mesmo quando só temos dúvidas sobre os nossos futuros individuais.

Estou em isolamento há mais de um mês.
Apesar da incerteza dos nossos trabalhos futuros, estamos de certa forma tranquilos nas nossas tarefas na quinta e nas brincadeiras e ensino aos nossos filhos.

Mas estar “bem” não me impede de entender que o medo, a morte e a dor rodeiam o meu mundo. E a isso não posso ficar indiferente.

1 – Não vamos todos ficar bem! Dizer o contrário é negar a realidade que nos atingiu, e permitir que após o pânico, voltemos de imediato à nossa vida superficial e indiferente à vida do outro.

2 – Por outro lado, podemos e devemos ficar melhores do que fomos até agora. Saradas as inúmeras feridas que resultarem destes tempos, podemos assumir o controlo de tudo o que tem falhado na forma como conduzimos, e conduzem, as nossas vidas. E isso é possível!

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Debruço-me então sobre ambas as premissas.

Não vamos “todos” ficar bem quando há pessoas a morrer sozinhas sem o último abraço dos seus filhos, quando há crianças internadas que não podem ver os pais, sem entender sequer o porquê, quando o isolamento de alguns é feito em pânico e solidão, gerando traumas, stress e ansiedades que não se resolvem no dia em que isto acalmar.
Não vamos ficar “todos” bem, quando há médicos e enfermeiros e polícias e bombeiros a abdicar voluntária e conscientemente das suas famílias por tempos indeterminados, em meio de mágoas e medos profundos.
Quando há pessoas sem dinheiro para as compras básicas, porque perderam o emprego, sem previsão de quando voltarão a obter novos recursos.
Quando há vítimas de violência doméstica, mulheres, homens e crianças que estão neste momento ainda mais vulneráveis.

Quando há países ainda menos preparados que nós, ainda com menos recursos onde a fome já existe e a pandemia vai ser só o acelerar e aumentar de mortes já encomendadas.
Quando se avizinha uma crise económica de proporções épicas que levarão milhões à miséria.

Se entendemos todos que é difícil estarmos fechados sem poder abraçar os nossos e com menos comida que o habitual, é impensável imaginar o que fará um isolamento forçado no meio de famílias desestruturadas ou de comunidades miseráveis.

Não, não vamos todos ficar bem.
Dizê-lo e pensá-lo é, quando isto acalmar e depois dos primeiros abraços (que alguma coisas do que é importante havemos de ter entendido), ir a correr para os centros comerciais comprar coisas supérfluas, e para os longos dias de trabalho longe dos filhos e para as 10 actividades extra-curriculares para fazer miúdos com “curriculum”… mas sem amor.

É importante pensar no amanhã. É importante pensar que batemos no fundo.
É importantíssimo entender para onde queremos ir!

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O vírus Covid 19, e isto não é romantizar (!), deu-nos a oportunidade do começar quase do zero. Podia ter sido qualquer outra tragédia, mas escolheu-se esta e nesta, tudo o que não podia acontecer, aconteceu.
Tudo o que era impensável, fez-se.
Os aeroportos fecharam, grandes fábricas fecharam, compraram-se só as coisas que realmente fazem falta, as pessoas voltaram para casa e para os seus, os pais descobriram os filhos (muitos pela primeira vez), trabalhou-se a partir de casa, estudou-se a brincar, alterou-se o sentido das profissões importantes. Inverteu-se a relevância do estatuto, porque se é importante, e é, o médico, também o é o auxiliar, ou o operador de caixa do supermercado ou o colector do lixo.

Percebeu-se que a economia, e os temíveis mercados e juros e bolsas, não podem ser superiores à vida e à sobrevivência.

Percebeu-se que os investimentos deveriam ser na Saúde e não nos bancos.
E que a banca, nunca será humana com as nossas necessidades, e só por obrigação estatal nos dão alguma folga da sua ambição faminta.

Precisamos de mudar!

Ao longo destas semanas ter-nos-emos com certeza, irritado com os nossos filhos, cansado com os nossos filhos, mas estou segura de que, salvo algumas excepções de pais, teremos aprendido que é maravilhoso estar mais tempo com eles, que há tanto da sua personalidade que afinal não conhecíamos e que o amor cresce com a proximidade.

Ao longo destas semanas, teremos reparado que afinal não era urgente comprar as coisas supérfluas de que não necessitamos e que a prioridade afinal são as coisas básicas que nos dão conforto real.
Teremos entendido que o consumismo desenfreado, leva ao capitalismo selvagem?
(não nos esqueçamos das pessoas, quer em Sintra, ou na América a vender máscaras e alimentos em leiloes exorbitantes a quem der mais, sem qualquer sentido de compaixão nem entreajuda). É esse o ideal do capitalismo que ajudámos a fundar. É esse o tipo de sociedade que queremos continuar a ter?

E as saudades de um passeio por entre as árvores, de molhar os pés à beira mar, de ouvir os pássaros, de ver uma flor? Será agora que vamos valorizar o papel da Natureza nas nossas vidas? Será agora que optamos por ter espaço e tempo na nossa vida para fortalecer essa ligação?

Este vírus, e isto não é romantizar (!) mostrou-nos de uma forma muito mais suave o que nos espera se continuarmos a destruir o planeta.

Falando em vírus, o degelo das calotas polares, liberta vírus de animais mortos e congelados há milhares de anos, que não sabemos sequer o que são, nem como os combater (já aconteceu na Russia).

O aquecimento global provoca secas profundas. A agricultura tornar-se-á quase impossível. Irá existir escassez de alimentos a um nível extremo.

Recordam-se o que foi ir ao supermercado e encontrar prateleiras vazias? É esse o mundo que nos espera.

Com as secas vêm mais fogos, como já todos começámos a experienciar. Como vimos na Austrália, pessoas morrem, hospitais sobrelotados, supermercados vazios.

Com as secas, quando chover, a terra não absorverá a água, e aparecerão as cheias. Lembram-se de acontecer no Brasil? Pessoas morrem, hospitais sobrelotados, agricultura acaba, pessoas à fome.

Com as cheias, esgotos ficam ao ar livre, lixo e químicos são espalhados pelas águas ao longo das cidades.
Resultado? Bactérias, vírus! Tão maus ou piores que o Covid 19.
Hospitais sobrelotados, pessoas a morrer, escassez de alimentos e água potável para a população.

Não é um filme de ficção!

Imaginem o que teriam sentido se eu vos dissesse que o mundo ia parar à conta de um, um só, vírus desconhecido? Decerto achariam uma ficção?

E no entanto, os cientistas, avisaram várias vezes para que, um dia haveria de existir um vírus que causava uma pandemia e o mundo não estava preparado. Deram dicas e planos de trabalho.
O último encontro a nível mundial da OMS para discutir este aviso, foi em Novembro de 2019.
Juntaram-se grandes empresários e representantes de líderes mundiais para preparação para uma possível pandemia.

Preparámo-nos?
Estamos todos a sentir que não!

Cientistas estão a avisar há anos para os desastres decorrentes do aquecimento global.

Preparamo-nos?

O Covid 19, com toda a dor, e paragem do mundo e das pessoas, que dele decorreu, é uma brincadeira de crianças comparado com os que os cientistas avisam que aí vem.

Imaginem fogos, tsunamis, cheias e vírus perigosos e desconhecidos, a acontecer ao mesmo tempo em vários pontos do país e do globo.
Pessoas a morrer, hospitais sobrelotados, fome e doença sem precedentes.

Preparamo-nos?

Os líderes mundiais, nunca o quiseram fazer.
A economia! A economia não pode parar.

Mas parou…

Então este vírus e isto não é romantizar (!) está a dar-nos a hipótese de termos um vislumbre do que poderá ser a nossa vida e a vida dos nossos filhos se não agirmos.

Com o Covid 19, pela primeira vez, olhámos para os nossos vizinhos e preocupámo-nos com eles.
Pela primeira vez, organizámo-nos em pequenas comunidades para ajudarmos os mais vulneráveis.

Pela primeira vez, passámos tempo com os nossos filhos sem entregar a sua vida e educação a outros, 11 meses por ano.

Pela primeira vez, percebemos que podíamos trabalhar de uma outra forma, sem perder horas de vida no transito.

Pela primeira vez, compreendemos o que era realmente importante comprar e ter.
As coisas básicas.

Quando isto acalmar, vão dizer-nos que temos de trabalhar ainda mais para recuperar a economia perdida.
Vão dizer-nos que não poderão existir medidas ecológicas, para recuperar a economia perdida.

Queremos mesmo perder os vizinhos que agora conhecemos? Querermos mesmo voltar a perder os filhos que agora conhecemos? Queremos mesmo perder o nosso tempo de vida em filas de trânsito e trabalho a mais? Para quê? Para recuperar a economia e podermos compensar as nossas frustrações comprando coisas que já compreendemos que não nos fazem falta?

Este é o tempo de mudar! Nunca tivemos uma maior oportunidade.
É o tempo de, mesmo na incerteza dos nossos futuros individuais, delinearmos um futuro comum.

É tempo de cuidarmos da nossa saúde, recusando os alimentos nefastos cheios de açúcar e gordura e pesticidas, e exigir que parem os subsídios estatais a estes alimentos, tornando pelo contrário os alimentos saudáveis os mais acessíveis.

As grandes pandemias do último século foram causadas pela passagem de vírus de animais para pessoas. À custa de um desejo de carne, animais enjaulados, criados em condições críticas sanitárias e de espaço, um pouco por todo o mundo, causaram pandemias como a Sars (porcos), a Covid 19 (morcegos ou pangolins), a gripe suína na America, a gripe aviária (aves), doença das vacas loucas em Inglaterra, ou mesmo o HIV que teve origem em carne de chimpazé comida por humanos em África.

Pergunto, para além dos antibióticos injectados na carne, que ingerimos diariamente, e que debilitam o nosso sistema imunitário, há ainda este risco real de pandemias, valerá a pena?

O Covid 19, mata sobretudo (mas não só, não nos iludamos) as pessoas mais vulneráveis, com outras doenças como diabetes, insuficiência cardíaca, doenças respiratórias como asmas ou renites, hipertensão.
A maioria destas doenças tem origem na alimentação.

É tempo de exigirmos tratar a origem, não isolar o problema.

É tempo de cuidarmos da nossa educação, não deixando que as redes sociais e o voyeurismo da comunicação social nos mine com desinformação e manobras de diversão que nos afastam dos verdadeiros problemas.

É tempo de cuidar do planeta.
Simples assim. Porque se não cuidarmos, o cenário será muito pior do que agora.

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Eu não sinto o isolamento da mesma forma que muitos. Os meus filhos sempre estiveram em casa, não andavam na creche, pelo que nada é novo na nossa relação. Temos uma horta e muita Natureza à nossa volta. Resultado de uma longa procura e de muito, mesmo muito trabalho de recuperação ao longo dos anos. A minha pequena quintinha custou substancialmente menos do que um apartamento em Lisboa. Mas por estes dias é um enorme tesouro. Para mim, sempre o foi.

Mas se repararam, durante este texto, não disse uma única vez, quando esta crise acabar. Disse acalmar. É que não vai acabar.
Tal como nasceram novas medidas de vida após o 11 de Setembro, novas formas de controlo do ser humano irão nascer após esta pandemia.

Por ora são necessárias e acato-as, respeito-as e digo a todos pra as cumprir, sem segundos pensamentos.
Mas queremos mesmo que o distanciamento social, a falta de liberdade e escolhas façam parte do nosso futuro?

Temos dois caminhos quando esta crise acalmar.

Continuarmos a seguir o que nos dizem ser certo, com destino ao domínio, à separação e ao isolamento (sendo que há varias formas de isolamento).

Ou aproveitarmos esta possibilidade única de renascer, para assumirmos poder nas nossas vidas, com base na união, no renascimento de comunidades, no restauro de ligações perdidas, com a nossa família, com os nossos amigos, com a Terra.

Temos a possibilidade de voltar a viver como já há muito não fazíamos.

Qual será a nossa escolha?

Finalmente consigo responder às perguntas que me têm enviado-
Que alimentos devemos tomar para nos fortalecermos?

Aqui ficam as soluções da nossa família.
Cá por casa, a saúde respeita-se.

1- Em primeiro lugar, não comemos carne, nem peixe, nem lacticínios o que já nos deixa de fora de uma boa dose de químicos e antibióticos.

2 – Depois tentamos comprar coisas biológicas, sempre que possível, e o que não é possível, lavamos muito bem.
Uma solução de sal e água (1 para 9) parece ser extremamente eficaz na redução de químicos nos vegetais e fruta.
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3 – Depois apostamos na prevenção.
Mexer na terra e apanhar as bactérias boas (esquecidas no nosso mundo sobrehigienizado) e andar ao ar livre. Muito, muito, muito. (Chuvinha miudinha e saltos nas poças incluídos)

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4 – Usar alguns alimentos que ajudam a fortalecer e imunizar o nosso sistema.
Assim, quando chega o Outono, por aqui, para evitar as vacinas anti-gripe, começo logo a colocar curcuma e gengibre na comida.
No entanto, este ano, tenho um aliado novo.
Há um produto biológico, de ingredientes naturais, que engloba uma série de anti-inflamatórios naturais.
Chama-se Golden Milk e tem curcuma, canela, pimenta e gengibre e é só pôr uma colherzinha no leite e “já está”, como dizem os meus filhos. Temos bebido todas as manhãs. O meu, numa caneca muito especial, pintada pela minha avó…
E neste dia o leite era de avelãs. Caseiro.

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Também apostamos no alho, cacau (sem açúcar), tomilho, aipo…
São muitos os alimentos com propriedades anti-inflamatórias.

5 – No entanto, de vez em quando, lá acontece, o nariz começa a pingar, às vezes a garganta a doer. Nessa altura passamos ao chá em doses industriais.
Limão, gengibre, cravinho e canela.
Mais uns vapores e lavagens do nariz e com os miúdos resulta quase sempre e a mim ajuda-me imenso.

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6 – Se mesmo, assim, os sintomas não passarem, é tempo de agir. Com anti-inflamatórios?
Não, ainda não.
Aqui passamos às bolinhas da homeopatia com o Dr. Nuno Oliveira.
Ou à acupunctura com a Dra. Joana Teixeira.

Só depois passaríamos aos químicos…
Mas a verdade, é que os meus miúdos, pés sempre descalços, pouco agasalhados, sempre destapados a dormir, há quase 2 anos que não tomam um anti-inflamatório. E muito menos um antibiótico.

Por aqui resulta e eu sinto-me realmente feliz e orgulhosa.
Como nada disto tem efeitos adversos como os dos medicamentos, que tal tentarem também?

Contem-nos as vossas mezinhas!
E plantemos amor.

Cá estamos

Hoje resolvi fazer as tabelas que me fizeram muita falta em todo o meu processo de mudança de alimentação, e que espero que ajudem a descomplicar o vosso processo dos primeiros tempos.
Estas tabelas e dicas, são todas baseadas nos Manuais da Direcção Geral de Saúde, nas dicas das nossas nutricionistas e na nossa própria experiência familiar.
No entanto (!) não invalidam a vossa própria visita a um nutricionista informado, sobretudo  se estivermos a alterar a alimentação de crianças (!).

A maioria da população ocidental tem uma alimentação inadequada (associado a um estilo de vida de stress), o que tem resultado na proliferação de tantas doenças cardiovasculares, diabetes, cancro, obesidade, esgotamentos, depressões…

A alimentação vegetariana bem planeada é muito mais saudável para o nosso corpo, para a nossa consciência e sustentável para o Planeta.

Por vezes parece difícil acertar com as combinações. Este é o meu descomplicómetro 🙂
sempre atento a novas informações da comunidade cientifica e portanto em possibilidade de mudança.
Todos os documentos estão disponíveis em PDF para impressão e acesso a links, no fim da publicação.

Para começar o dia:

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Para os almoços e jantares:

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Muito importante – os complementos necessários para obtermos todos os nutrientes:

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Lista dos Alimentos de Origem Vegetal que nos providenciam as vitaminas, minerais e oligoelementos necessários à nossa saúde.
Às vezes dá jeito saber:

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Algumas dicas extra, que fazem falta:

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E por fim, endereços úteis para receitas e muito mais informação nutricional:

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Para ver com melhor qualidade, aceder a links e imprimir para a porta do frigorifico :), cliquem aqui:

Pequenos Almoços, Lanche e Snacks

Almoços e Jantares

Complementos Necessários a Alimentação Vegetariana Saudável F

TABELA DE VITAMINAS

Endereços Úteis

Espero ter ajudado.
Que continuemos a plantar amor.

 

Hoje é dia do Ambiente e pela manhã deparei-me com esta notícia nos jornais:

“Uma dieta vegan, é provavelmente o melhor caminho para reduzir o nosso impacto no planeta”  Joseph Poore, University of Oxford, UK

” Dada a crise global da obesidade, mudar a dieta, tem o potencial de nos tornar a nós, e ao planeta, mais saudáveis ”. Prof Tim Benton, at the University of Leeds, UK

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O novo estudo, publicado na revista Science, é uma das análises mais abrangentes até à data e revela que retirar a carne e os lacticínios da dieta podia reduzir a pegada de carbono de um indivíduo até 73%. Reduziria também a área mundial cultivada em 75% e ainda assim alimentaria o mundo inteiro.

“Realmente são os produtos animais que são os maiores responsáveis (pela extinção das espécies e poluição do planeta). Evitar o consumo de produtos de origem animal traz benefícios ambientais muito melhores do que tentar comprar carnes e laticínios sustentáveis, e é muito maior do que evitar as viagens ou comprar um carro elétrico”

A pesquisa da equipa de Joseph Poore é o resultado de um projeto de cinco anos de duração, que inicialmente começou como uma investigação sobre a produção sustentável de carne e laticínios.

O cientista parou de comer produtos de origem animal após o primeiro ano de estudo…

Por aqui não comemos carne, nem peixe, nem lacticínios, nem ovos. Nada de origem animal. Eu sou vegetariana há 18 anos e vegan há 2, o marido há 6 anos e os meninos desde a gestação.

E estamos saudáveis e de consciência tranquila. Pelos animais e pela nossa casa – o planeta Terra.

Nas próximas publicações, irei compor algumas tabelas que vos ajudarão a compôr as vossas refeições vegetarianas de forma saudável.
Para bom apetite e boa consciência.

Espero que vos inspirem na vossa jornada pela defesa do ambiente!

Aconselho ainda que vejam o documentário Cowspiracy, para mais informações, e que se deliciem a encontrar receitas e muita, muita informação nutricional no blog Universo dos Alimentos.

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Que continuemos a Plantar Amor

Liana

O plástico tem sido um grande amigo. É fiável, práctico, simples e está em todo o lado.
E… aí reside um grave problema. O plástico esta e estará em todo o lado…
Durante os próximos milhares de anos.

A nossa dependência do plástico e a sua extrema longevidade tornaram um grande amigo no nosso pior inimigo.

Disseram-nos que devíamos reciclar. E agora sabe-se que não há capacidade de reciclar o tanto plástico que geramos, e que apenas 7% do plástico (sim, 7%) é verdadeiramente reutilizado.

O resto do plástico é muito bem empacotado e enviado para os países a que nós chamamos de 3º mundo. E aqui, gera-se mais um problema de gravidade extrema. Um abuso de direitos humanos com povos a viver literalmente em cima do lixo que nós fazemos.

A restante parte vai parar aos oceanos, aniquilando o ecossistema de que dependemos.

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A partir do momento em que percebemos que o plástico é um composto químico, extremamente prejudicial para o organismo humano e que devido ao excesso de poluição nos oceanos, está a começar a entrar na nossa cadeia alimentar através do sal, do peixe e da água engarrafada… humm, há uma luz de perigo, que se acende em nós, não há?

Um certo medo agiganta-se e a pergunta é óbvia.

“Então é melhor viver sem plástico?”

Foi isso a que nos propusémos na nossa família.
Para logo nos apercebemos que era bem mais difícil do que pensáramos.
Carro, televisão, telemóvel, máquina de lavar…
É tudo plástico.

Mas resolvemos começar por algum lado.
Pelo menos segundo a premissa:
Viver com muito menos plástico.
E passar a mensagem. Para que a pressão cresça e se apoie na sociedade para salvar os mares e… a nós próprios.

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Por onde podemos então começar?

Aqui por casa foi assim:

– Abolir palhinhas!
Sejamos francos, servem para quê, se não precisarmos delas por saúde?

– Abolir cotonetes e mudar para escovas de dentes de bambu! 

– Abolir sacos plásticos!
(Usar sacos de pano e frascos)

1- Para isto é preciso programar a mente para ter sempre sacos de pano ou de plástico reciclados para ir às compras, no carro, na mal, onde der jeito.
2- Depois programar a mente para não nos importamos quando as pessoas olham para os nossos sacos de pano ou rede (e termos orgulho nisso).
3- Depois lembrar-mo-nos de escolher as embalagens de vidro ou papel em deterimento das de plástico.
Começa por ser difícil mas depois entranha-se e perguntamo-nos porque, sendo tão simples, não é esse o hábito geral.

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– Abolir garrafas de água de plástico!
(Usar garrafa reutilizável para andar na mala)

Um milhão de garrafas são vendidas por minuto. Em um ano apenas, são 500 bilhões  de garrafas. Apenas 7% são reutilizadas, o resto vai poluir terra e mar. Mais precisamente 8 milhões de toneladas métricas de plástico vão parar ao oceano todos os anos.
Por esta razao, estima-se que em 2050 o oceano tenha mais plástico que peixes.

Quão assustador é isto? Por uma coisa da qual usufruimos durante 5 minutos?
Não contabilizando sequer os malefícios para a saude publica, ao estar a ingerir em microquantidades, mas durante toda a vida, microplasticos de componentes cancerígenas e outros químicos associados.

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Courtesy of Akasha. Credits to: @mohammedali6561

– Comprar a Granel
(com os sacos de pano e os frascos)

Encontrar lojas de venda a granel (cereais, leguminosas, frutos secos, detergentes, etc…), levar os saquinhos de pano e os frascos de vidro e levar para casa.
Este foi o hábito mais difícil de implementar, mas é só encontrar a loja certa e fazer disso uma agradável rotina.
E a loja certa para cada um, podem encontrá-la neste site informador: Agranel.pt

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– Usar fraldas reutilizáveis!

Cada bebé gasta em média 5000 fraldas até ao desfralde, e cada fralda demora 500 anos a desintegrar-se na Natureza. Sendo que nascem aproximadamente 360 mil bebés por dia, imaginem de quantas fraldas e anos falamos.

30 fraldas reutilizáveis fazem o serviço de cerca de 4000 fraldas descartáveis… e garanto que as novas fraldas de pano, são giras, funcionais, muito mais económicas no médio prazo e muito mais ecológicas.
Nós temos gémeos e conseguimos usar a maior parte do tempo!

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– Recusar loiça descartável

Como, em família, procuramos comer saudavelmente, não somos os melhores clientes dos restaurantes fast food. Mas às vezes não há tempo para mais, ou às vezes simplesmente apetece uma coisa não saudável!

É a altura de comer o que nos apetecer mas recusar palhinhas, copos, tampas de copos e outros recipientes de plástico sempre, sempre que puderem.

Se andarmos sempre com os nossos talheres reutilizáveis (de bambu por ex), melhor ainda.
Ao princípio parece estranho, mas é só ter em mente a nossa missão maior e tudo se torna normal e redentor.

– Compostagem: 

Nós temos a sorte de morar no campo, ter uma hortinha, e a compostagem fazer imenso jeito diariamente. Mas há quem, mesmo morando na cidade, consiga guardar as suas cascas, e restos de vegetais num recipiente fechado e ao fim de semana ir dar a uma quinta. Esta medida depende da vontade e tempo de cada um, mas que faz sentir bem, devolver o que consumimos à terra e com isso construir terra nova, sabe.

Na nossa família ainda nos falta saber lidar com algumas coisas:

– Acabar com as embalagens de shampoos e detergentes que já tínhamos e comprar nozes de saponaria para higiene ou vinagre e bicarbonato de sódio para limpezas. Mas esse ainda é um mundo novo para mim e nessa altura conto mais.

Mas ainda relacionado com o plástico, pensando directamente no planeta, cá em casa também não se come carne (a indústria mais poluidora do ambiente) e usamos veículos mais sustentáveis e aprendemos a respeitar e amar a Natureza como a nossa casa.

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Parece difícil?
E é! Os primeiros 2 meses. E depois tudo se torna natural.

Mas é garantido, que sentirmos que fazemos parte de uma missão maior é de tal forma gratificante, que supera tudo.

E vocês, que outras formas de ajudar o planeta, usam na vossa vida?
Por aqui gostamos de aprender e crescer.

Que plantemos amor!

Carta aos meus filhos sobre a nossa vida como activistas ambientais

Meus amores

Hoje falo-vos da nossa casa. Não a de paredes de pedra que habitamos, mas da outra, a grande casa que nos acolhe a todos, a Terra.

Já houve um tempo em que a mãe não sabia muito sobre a poluição e suas consequências. Fui sempre seguindo as grandes modas que apareciam na televisão, como mudar as lâmpadas ou evitar os sprays… Mas, como pouco mais se falava, pouco mais a mãe fazia.
Mas a informação, nesta era da pesquisa virtual, que para nós ainda é nova, foi aparecendo, espaçada. Um video aqui, uma foto ali, uma notícia no jornal… A consciência  ambiental a crescer… E por esta altura, quando surgiu o 2º aviso dos Cientistas à Humanidade, eu já era vossa Mãe.

E como vossa Mãe, com a responsabilidade que o papel me exige, eu não podia mais ignorar esta realidade.
Dizia a carta dos 15.000 cientistas que estamos a caminho do fim da Terra.
Ainda depende de nós. Mas por muito pouco tempo.
Aqui podem ler a carta em Inglês (com possível download da versão em Português)

Ora, como posso eu amar-vos se não fizer tudo o que está ao meu alcance para vos deixar uma casa? A única que temos, o nosso planeta!

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Foto: Liana

Dizem os cientistas, e os inúmeros documentários que a mãe viu depois disso, que coisas muito más podem acontecer já no vosso futuro:

– Não existir água potável para beber
– Morrerem oceanos e florestas (e com eles a vida)
– Mudanças climáticas drásticas, com consequências de cheias, tempestades, maremotos, fogos, vagas de frio ou calor insuportável…

Lembrei as desgraças que vemos na televisão durante as catástrofes naturais, e de repente, a mãe estava tristemente a aprender que isso pode passar a ser o normal do dia a dia…
Não quero esse futuro para vós! Quando, em muita consciência, quis que viessem ao mundo, foi para vos mostrar o que de maravilhoso ele tem.
Mas os cientistas, os artigos, os documentários, dizem à mãe que isto se pode passar tudo até 2050…

Sei que sou pequenina, numa tarefa muito hercúlea. Sei que os meus recursos são bem minúsculos naquilo que represento na terra. Mas sabem que mais? Isso não me demove!
Se eu puder fazer alguma coisa para evitar que fiquemos sem flores, sem neve, sem comida, sem planeta, então é apenas isso que eu tenho de fazer!

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Conto-vos um pouco do aviso dos cientistas, que alarmou e inspirou a mãe:

” (…) desencadeamos um evento de extinção em massa, (…) no âmbito do qual muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas (…).
Dado que a maioria dos líderes políticos é sensível à pressão, os cientistas, os formadores de opinião nas mídias e os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas (…). Com uma vaga de esforços organizados, é possível obrigar os líderes políticos a fazer o que é certo.
Também é hora de reexaminar e mudar nossos comportamentos individuais, incluindo a limitação de nossa própria reprodução e diminuir drasticamente nosso consumo per capita de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.”

Percebi que há coisas que já fazíamos bem sem saber. Mas que havia tantas que estávamos (e ainda estamos) a fazer mal…

Há várias coisas que podem começar por nós, enquanto indivíduos e que, se formos muitos, pode fazer uma diferença abismal.

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Foto: Liana

Ainda da carta à Humanidade, retirei estes avisos para nos lembrar de por onde podemos começar.

“- os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas.
– diminuir drasticamente nosso consumo de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.
– reduzir o desperdício de alimentos
– mudar para uma alimentação à base de plantas;
– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade;
– aumentar a educação natural e ao ar livre para crianças;
– reorientar investimentos e compras no sentido de incentivar mudanças ambientais positivas;
– adoção massiva de fontes de energia renováveis”

Ora, como vêm, na nossa família, já éramos ambientalistas, em muitas coisas, sem saber :):

– Temos um carro a gás (e no futuro procuraremos alternativas ainda mais viáveis)
– Não comemos carne
– Vocês passam a vida a brincar no meio do campo e algumas das nossas maiores aventuras são a observar e interagir com a Natureza.
– Estamos a tentar comprar cada vez menos coisas novas e supérfluas
– Fazemos compostagem do nosso lixo orgânico.

Por último a mãe descobriu um Movimento ao qual faz todo o sentido juntarmo-nos:
O Zero Waste, ou Desperdício Zero, que nos ajuda a viver com menos plástico.

O plástico está a ser uma fonte assustadora de problemas. Está a matar oceanos e a vida marinha. E sabem, amores? Sem oceanos, Não Há Vida no planeta.
Por último o plástico está a entrar nos corpos das pessoas através dos peixes que as pessoas comem. O plástico está cheio de químicos muito perigosos.
Este não é o nosso caso, porque não comemos peixe, mas é o de muitas pessoas nossas amigas. Conseguem imaginar a nossa preocupação com elas?

Ainda estamos muito no começo, mas já fazemos algumas coisas:
– Levamos sacos de pano para comprar as frutas e legumes no supermercado
– Lavamos e reutilizamos os que já temos de plástico.
– Temos sempre um recipiente para a água que enchemos quando é preciso. Nada de mini garrafas.
– Recusamos tudo o que é descartável quando comemos fora.
– Não usamos palhinhas nem cotonetes
– Mudamos para escovas de dentes de bambu
– Compramos os produtos a granel  sempre que conseguimos

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Foto: Liana

As vezes a mãe sente-se parvinha, quando recusa os sacos plásticos que as pessoas insistentemente querem oferecer. Parvinha quando aparece nas caixas com sacos de pano.
Parvinha quando recusa as palhinhas e as tampas nas raras vezes de fast-food.  Quando pede água num copo de vidro numa pastelaria…
As pessoas olham para a mãe como se fosse um alien.
Não é fácil estar no começo das mudanças.
Há 17 anos atrás quando comecei a ser vegetariana ainda era pior, porque respeitar os animais ainda era mais estranho. E hoje já há muito mais interesse e menos gozo.
Por isso, tenho esperança. E quando me sinto parvinha, por estar a ser diferente, no segundo seguinte, lembro-me das minhas razões e sinto-me orgulhosa!

“Devemos reconhecer, nas nossa vida quotidiana e nas nossas instituições de governo, que a Terra, com toda a sua vida, é o nosso único lar.”

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Foto: Patrícia Resende

Eu sou vossa Mãe. Que melhor prenda poderia eu dar-vos, que um maravilhoso planeta para viverem?

Que continuemos juntos a plantar amor.

Vossa
Mãe

Bem-vindos todos os que vieram espreitar.

Esta será a minha caixa de correio.
Aqui encontrarão cartas, ou pedaços delas. Cartas a um presente e a um futuro, forjadas pela paixão da escrita e da partilha.

Já fui (e muitas ainda sou) pintora, agricultora, trolha, artesã, vendedora de pipocas num cinema, decoradora, gestora, empresária, tutora…
Conhecem-me sobretudo como cantora.

Mas aqui, aqui vou ser Mãe (o meu maior dom e responsabilidade).
Uma mãe sem palco, sem encenações, sem ensaios e às vezes sem luzes.
Uma mae, mulher e cidadã muito atenta ao mundo real. Porque é esse mundo, bom e mau, que vou deixar aos meus filhos. E são os meus filhos, bons ou maus, o que vou deixar ao mundo.

Quando fui mãe apercebi-me que não bastava amar e estabelecer regras e limites.  Talvez me tenha apercebido que amar não tem regras nem limites. É infinito, assustador, maravilhoso e preocupante.
Apercebi-me que tinha nas mãos os dois maiores desafios de todos:
– duas crianças a quem encaminhar no desejo de que se tornem adultos com empatia e respeito pelos outros. 
– um mundo inteiro para preservar, cuidar e melhorar para deixar a estas crianças.

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Photo: António Dias

Por aqui vou partilhar essas cartas que faço para eles, para mim mesma e para quem tem paciência em me ler, e que me regem na imprevisibilidade que é a própria vida.

Não contem com vidas glamorosas, roupas e cremes de marca ou brinquedos da moda.

Aqui tenta-se aprender a viver com maior simplicidade de objectos, para dar maior valor aos sentimentos.

Aqui tenta-se aprender a cuidar da Terra. Da que nos acolhe, da que nós trabalhamos na horta, da que fazemos parte enquanto humanidade, tentando protegê-la da poluição e das histórias de conflitos.

Aqui tentamos aprender a cuidar da saúde, comendo saudavel e éticamente, e quando necessário, usando métodos naturais de cura.

Aqui tentamos aprender a cuidar da mente, praticando uma educação assente no respeito mútuo entre pais e filhos, na descoberta e aceitação de todos os sentimentos que nos atravessam e procurando lidar com eles de maneira consciente.

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Foto: Liana

Seguimos, por os achar correctos, alguns movimentos como:

Vegetarianismo (Vegan) – tipo de alimentação, cientificamente provado como saudável, e estilo de vida que exclui qualquer uso de animais.

Desperdício Zero (Zero Waste) – estilo de vida com preocupação pelo ambiente, assente nos princípios de reduzir, reutilizar e reciclar

Medicinas Alternativas – a cura e a prevenção pela alimentação, homeopatia e acupunctura, deixando os químicos apenas para quando eles são mesmo necessários.

Parentalidade Consciente (Mindful Parenting) – estilo de parentalidade que se baseia no amor como base para a criança e pais alcançarem juntos uma auto-estima saudável, respeito e empatia, autenticidade, integridade e responsabilidade pessoal.

Desescolarização (Unschooling) – estilo de aprendizagem, em que a criança não  frequenta o modelo de escola industrial e que se baseia na motivação e interesses individuais e únicos da criança para adquirir as competências necessárias à vida adulta

Minimalismo – estilo de vida que rejeita o consumismo desenfreado e que tenta reduzir as necessidades de objectos, concentrando-se naquilo que torna a vida mais feliz.

Fazemos todos estes movimentos à nossa maneira, da forma que se adapta a cada membro da nossa família.  E crescemos todos, com a sensação de que uma consciência mais tranquila é, por oposição, o sentimento menos simplista que temos. Pois a consciencia tranquila é um sentimento que nos deixa gigantes.

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Foto: António Dias

Maior que esse, só mesmo o amor constante e sereno que tentamos semear, plantar e fazer crescer entre nós e em nosso redor.  Por aqui, partilharei essas sementes, com o desejo de que, se vos fizer sentido, consigam fazer crescer algumas, entre vós.

Obrigada por receberem as minhas cartas.
Plantemos amor.