amor

O que é uma família?
É um conjunto de pessoas ligadas pelo ADN?
É um conjunto de pessoas que habitam a mesma casa e se encontram ao pequeno-almoço e ao jantar, normalmente cansadas e stressadas do trabalho e da escola?
São dois progenitores cujas respectivas crianças passam mais tempo criadas por outros do que por eles?
 
O que é uma família?
 
Por aqui, o conceito de família é muito peculiar…
Cresci sem pai presente, fui criada por mãe e avó, mas tive outra mãe a ajudar ao meu crescimento que não me era nada de sangue.
A que ainda hoje é minha “irmã” era uma amiga de escola, e os meus, hoje queridos, irmãos verdadeiros só os conheci já adulta.
Amo duas amigas de longuíssima data como se fossem família e há membros da família biológica de quem nos afastámos por não respeitarem espaço nem opções…
 
Amo a minha família, escolhida por mim, feita de retalhos adoptivos, feita de relações de grande verdade, sem obrigações e sem requerimentos.
 
Estamos porque queremos. Somos porque amamos.
 
O que é uma família?
Um homem e uma mulher sem tempo e paciência para criar os filhos ou aguentarem-nos sequer durante um mês e meio em casa durante uma pandemia, como temos visto nas redes sociais?
 
Ou dois homens ou duas mulheres, anatomicamente imperfeitos para criar família, que criam uma criança com amor extremo?
Ou pais adoptivos que cumprem a sua responsabilidade de amar sem medidas e sem restrições?
Ou uma casal separado que se torna feliz com a separação mas que não deixam nunca de ser pais a tempo inteiro e em conjunto?
Ou uma só mãe, como eu conheço, que faz limpezas, gerindo o seu horário, quando poderia ter qualquer outro trabalho, para poder ter mais tempo com a sua filha?
Ou um grupo de amigos verdadeiros, mesmo sem crianças envolvidas, que se apoiam no bem e no mal, na saúde e na doença?
 
O que é uma família?
 
Para mim é claro.
Uma família é respeito, verdade e amor.
Sem cedências para nenhum destes três aspectos.
Se houver crianças, então uma família tem de ser respeito, verdade, amor e tempo!
O tempo de poder Ser Família e servir de modelo ao que é Ser Família.
 
Quem encontrar isto na família de sangue, magnifico.
Quem encontrar noutros corações quaisquer, magnífico na mesma.
 
Um viva a todas as famílias que sentem o que é ser Família, sem amarras de conceitos pré-definidos, mas com verdadeiros laços de amor!
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No início da pandemia, deparei-me com as redes sociais inundadas de mães aflitas.
As escolas encerravam e as mães pediam ajuda porque “não sabiam o que fazer com os filhos todos os dias em casa”.
No “suposto fim” da pandemia, deparo-me com inúmeras publicações de mães desesperadas por despacharem os filhos para algum lado. Porque “já não os aguentam”, porque “precisam urgentemente da sua individualidade e da sua vida de volta”.

E eu vejo isto e ando angustiada…
Ando eu a pregar às pessoas que se preocupem com os seus idosos, ando eu a sensibilizar à preocupação com os animais… e afinal há mães, de famílias supostamente bem estruturadas, influencers com milhares de seguidores nas redes sociais, que não aguentam sequer estar com os próprios filhos 1 mês e meio, em casa.

Será só a mim, que esta realidade estranha, distorcida e potencialmente perigosa atinge o coração de tristeza?

Sou mãe a tempo inteiro, apesar de também trabalhar quase diariamente no meu alojamento local, apesar de fazer ensaios e concertos, dar workshops e trabalhar na agricultura e manutenção da quinta.

Mas salvo muito raras excepções, os meus filhos estão comigo, quase sempre.
E tal como as mães que se queixam nas redes, tenho dias em que já não os posso ver à frente.
Ser mãe é o trabalho mais difícil da minha vida!
Tenho dias de gritos, tenho dias de casa num caos, tenho dias de más refeições feitas à pressa, dias de birras que me parecem ridículas e extenuantes, tenho dias de cansaço extremo, e dias de ser má mãe!

Mas não tenho um único dia em que queira a minha vida de volta.
Aliás, não sei o que é querer ter a vida de volta. Esta é a minha vida! Escolhi ser mãe!

Se virmos as coisas pela matemática, o desejo de liberdade na maternidade é irónico, no mínimo.
Vivemos uma média de 80 anos.
Os nossos filhos vivem connosco cerca de 20 anos.
Mais concretamente, realmente dependentes de nós, vivem 10 anos. Mas façamos a média nos 15.
Se considerarmos que também nós não fomos independentes durante os nossos primeiros 15 anos, sobram 50 anos.
Significa que temos cerca de 50 (CINQUENTA) anos para viver “la vida loca” sem a dependência dos filhos.

Não chega????

Precisamos de hipotecar os  primeiros 10 anos deles, a empandeirá-los para as creches, para as escolas, para os ATLs, para as actividades extracurriculares, para as babysitters, para os avós, porque… precisamos desesperadamente da nossa liberdade?

1 mês e meio com os filhos em casa …

Estamos no meio de uma pandemia, em que o mundo inteiro parou de medo, e pelos vistos, nem isso é motivo suficiente para amarmos mais os nossos filhos e querermos tê-los junto a nós (aceitando que a maternidade é difícil!).

Caramba, como me aflige esta sociedade…

E não posso deixar de descobrir a enorme diferença que há entre ter filhos, e ser Mãe.

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Houve duas coisas em que a pandemia me fez parecer normal.

A primeira foi a comida, pois no inicio das compras para o estado de emergência, era aconselhado pelos nutricionistas comprar essencalmente frascos de leguminosas, cereais e vegetais. Comida vegan portanto…

A segunda foi de repente todos estarem em homeschooling como nós.

Prometi a alguns passar a publicar actividades para quem ao principio estava aflito com o “não saber o que fazer com os filhos”, mas depois desisti, precisamente por causa desta frase…

Mais do que impingir 500 actividades aos miúdos é descobrirem como voltar a ser uma família unida. Depois descobrir juntos as coisas que funcionam para a familia. Através de observação das crianças, através de tentativa e erro…
Quantas vezes já fiz actividades em que passo uma hora a preparar os materiais, para eles brincarem apenas 5 minutos e desligarem logo a seguir…
Quantas vezes actividades espontâneas e sem preparação prévia duram imenso tempo…
Quantas vezes o erro de hoje é o êxito de amanhã. E o sucesso de ontem, hoje provocou-lhes uma birra…

E mais ainda do que tudo isto, esta deveria ser a fase em que os miúdos teriam tempo para se descobrirem a si próprios (coisa que há muito o sistema escolar e pré-escolar limitaram profundamente).

Por isso, e porque o meu próprio tempo foi sobretudo de, ainda mais união com eles, não partilhei nenhuma actividade.

Mais de um mês depois, aqui fica o registo de algumas das coisas que temos andado a fazer.

Plantámos (e sentimo-nos muito, muito abençoados por o poder fazer)

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Pintámos (em vários sítios…)

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Aprendemos números

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Aprendemos ecosistemas e seus habitantes animais

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Aprendemos letras

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Cozinhámos e fomos padeiros

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Aprendemos forças e gravidade

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E o ciclo da água

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Construímos brinquedos, com coisas velhas que temos pela quinta.

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das pernas de uma velha mesa – uma baliza

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De uma prateleira de um móvel velho – um jogo dos elásticos

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De molduras antigas e um pedaço de acrílico – Montessori sand boxes

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Aprendemos texturas, formas, contrastes…

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Fizemos hortas do Pedrito Coelho

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Aprendemos música com jogos de ritmos

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Pintámos Van Gogh ao som de Beethoven

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Aprendemos mais sobre o corpo humano

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Vimos a Mary Poppins, o Pedrito Coelho, o Era uma vez o Corpo Humano, a Carrinha Mágica e a Masha, o Cirque du Soleil e o Moving Art e um documentário sobre o envio do rover a Marte que nos fez reflectir mesmo muito sobre o significado de aprender com os erros. Passamos muitos dias sem ver televisão (excepto o noticiário).
E por ironia, vamos em dois dias de tele escola 🙂

Lemos muito, muito, muito. E ouvimos audio books.

Dançámos e jogámos os nossos benditos jogos de emoções e partilha de conversas.

Mas SOBRETUDO chorámos, stressámos, tivémos breakdowns, zangas e… risos, muitos, muitos risos, e muita, muita ternura.

Porque, muito mais do que as aprendizagens, que às vezes resultam, às vezes não, é dos sentimentos, que é feito o amor!

Vossa
Mãe

Não costumo misturar aqui a minha vida de cantora…
Mas a verdade é que faz parte de mim. E este tema é demasiado pessoal para ficar de fora das nossas cartas

À minha avó Amélia.

Este é o meu novo single 💛

Velha Mãe tem o acre da dor e da solidão e o néctar da ternura e da serenidade.
Tem o ensinamento e a aprendizagem de reaprender o passado e envolver o futuro.
Fala-nos da velhice, mas abraça uma vida inteira de valores por mudar.
Velha Mãe é a interrogação sobre o que é essencial no trilho de cada um. Mesmo quando o caminho já se faz só, mas não menos imprescindível.
É uma apologia ao caminho efémero da vida, ao rumo que pretendemos na família, nos amigos, nos desconhecidos por quem fazemos algo humano, ou nos que fazem por nós…
Velha Mãe tem um poder árduo, mas delicado, de nos interrogar sobre nós e os que consideramos nossos, os que já partiram, os que nasceram há pouco… e leva-nos à reflexão sobre a nossa vida e as estradas que escolhemos.

Velha Mãe é um dos temas mais belos que já cantei e que me deixou as emoções em inquietude durante largos, largos meses.
Ajudou-me a aceitar e a reconhecer quem a minha avó, que me criou, foi para mim.
Ajudou-me a alicerçar que Mãe quero ser para os meus pequenos filhos.
Velha Mãe fala do meu caminho e do caminho de todos nós.

Aqui fica a minha Velha Mãe
Que seja para vós, o bálsamo e a benção que foi para mim.

– De que te queres mascarar no Carnaval?
– De princesa.
– Pode ser rei, que também usavam vestidos?
– Não, princesa.

Estes são os meus filhos, rapazes, felizes neste Carnaval.

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Confesso que a ideia não me foi fácil. Com todo o imenso despreconceito que achava ter, ainda assim a ideia de ter a sociedade a julgar e a avaliar os meus filhos falou mais alto por uns momentos.
Tentei na minha cabeça arranjar um bom argumento para os dissuadir. Mas não havia.

Eu tenho bons motivos para lhes dizer que não podem beber álcool, conduzir um carro, subir um muro alto sem protecção, andar no meio da estrada, ou mesmo desrespeitar as pessoas.
Mas o único argumento supostamente válido para lhes dizer que não podem vestir um vestido é porque há muitas pessoas que não vão gostar. Que mãe incapaz serei eu, se basear a minha educação no que as outras pessoas vão ou não gostar, em vez de pensar na felicidade deles.
Conheço tanta gente infeliz por fazer o que a sociedade quer, por agradar aos outros em vez de a si próprio.

Os meus pequeninos têm 4 anos, não sabem de géneros, nem de descriminações, nem de “preferências”.
Sabem que são meninos, por lhes ter ensinado que são anatomicamente diferentes das meninas. Sabem que são malucos por carros, gostam de jogar à bola e os vestidos da meia irmã são a coisa mais bonita de se vestir.

E eu, que hoje felizmente me pude divertir com eles num grupo seguro sem a célebre frase “mas os meninos não usam saias” , não sei o que serão os meus filhos amanhã, nem isso me ocupa o pensamento. O meu trabalho como mãe, é apoiá-los a encontrar e a valorizar momentos de felicidade. Esteja a felicidade numa profissão com pouco valor social, numa relação diferente, numa vida eremita no fim do mundo ou num vestido de princesa.
Porque é assim que vejo o amor. E eu sou Mãe. O amor é a minha profissão.

PS: esta partilha não é para mudar os que pensam de forma diferente, é para dizer a quem pensa de forma igual que não está sozinho

O nosso calendário de Natal, não tem chocolates (embora eles surjam espaçados ao longo do mês de dezembro).
O nosso calendário é feito com o propósito de nos lembrar a magia do Natal, que inclui muitos doces tradicionais sim, mas que é muito mais do que isso.
Baseada na palavra solidariedade mas sobretudo na palavra empatia.

Aqui não recebemos prendas do Pai Natal, nem escrevemos a pedir nada. Mas gostamos do Pai Natal e vivemos a fantasia por inteiro. Aprendemos com esta história, o contrário do pedir e do receber, aprendemos a gostar de dar, só com o intuito de fazer os outros felizes.
É essa a magia que encontramos no Pai Natal.

Ao longo do mês, imitando-o, temos muitas actividades de ofertas.
A nós próprios, que também é importante, mas sobretudo aos outros.

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Aqui ficam os meus papelinhos vintage que eu adorei fazer e acho que estão lindos 🙂
Mas aqui ficam sobretudo as ideias:

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Com massa de sal e farinha fizemos os nossos enfeites que servirão depois para por nos laços das prendas, como etiquetas.

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  • Oferecer Compaixão
    Dar cenouras aos coelhinhos selvagens. Há uma sensação gratificante em dar algo a quem sabemos que não irá dar de volta. Aqui vamos nós a distribuir cenouras pelo bosque fora, sem esperar que os coelhinhos nos ofereçam carrinhos ou legos. Simplesmente com o espirito de ajuda. Dias plenos.

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  • Oferecer criatividade
    Pintámos o nosso papel de embrulho com diferentes técnicas e foram umas horas bem divertidas.

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– Oferecer Amizade
Fazer as prendas para os amigos.
Este ano oferecemos porta-chaves para os adultos e laços e pulseiras para as meninas.
Eles fizeram os desenhos, que diminuí de tamanho na impressora e decorei com rendas, laços e cola quente.
Ficámos muito satisfeitos com o resultado final, tão personalizado e cheio do nosso amor.

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  • Oferecer Empatia
    Doar brinquedos a outros meninos.
    Eles estão habituados a ver os pais deixarem roupas e louças, que estejam a mais em casa, para serem doadas pela Junta de Freguesia. O conceito de passar aos outros o que temos a mais (ou comprar de outros em 2ª mão o que nos faz falta) já não é novo para eles. Mas é sempre diferente colocá-los a escolher os seus próprios pertences, nomeadamente o que lhes dá alegria diária como os brinquedos.
    E foi maravilhoso ver a facilidade que tiveram na partilha e como queriam anda dar mais do que eu estava à espera. Fiquei muito feliz com esta prova de que o exemplo ensina.

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Tenho muito, muito cuidado com o açúcar ao longo do ano, mas as férias, as festas de anos e o Natal estão reservados para o excesso.
Aqui um suculento chocolate quente e umas bolachas de gengibre e canela com muito sabor a Natal. Tudo vegan e saboroso.

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  • Oferecer Reconhecimento
    Fazer uma prenda para os bombeiros e levar.
    Por norma, estendemos o reconhecimento também à comunidade com prendinhas simbólicas feitas em casa, bolachinhas, broinhas, bombons… Levamos ao padeiro, ao senhor da oficina, ao senhor que corta o mato, aos vizinhos… pessoas que de uma forma ou outra tornam a nossa vida mais segura, mais fácil (ou mais saborosa).
    E como a gratidão gera sempre retorno, os bombeiros foram mostrar os carros e até ligar a sirene para deleite dos miúdos.

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  • Oferecer deslumbre
    Ir passear a Lisboa para ver as luzes de Natal.

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– Oferecer Memórias

Fazer as broinhas da avó Amélia

A avó Amélia é na verdade a bisavó deles, que eles já não conheceram, mas que continua a ser uma memória muito importante na nossa família.
Agora recordamo-la através dos sabores que nos deixou e agora sou eu e a minha mãe a ajudá-los a prepará-las.
Ao longo do mês juntamos também os bolinhos de limão da bisavó Adelina, que fazem com o pai.
As tradições de familia, em forma de receita veganizada, a tornarem-nos mais conscientes de que pertencemos a um clã, a uma pequena comunidade de entreajuda e de pertença através do amor e das recordações.

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– Oferecer Retorno
A Natureza dá-nos tanto, tanto, sem pedir nada em troca.
Desta vez homenageámos essa dádiva tão generosa.
Fomos plantar uma árvore autóctone, um carvalho, no meio da serra, sem dele esperar colher frutos ou sombra. Apenas dar, como consequência do muito que recebemos.

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  • Oferecer tradição
    Fazermos o nosso bolo rei é tradição lá em casa e fez com que o pai, que não gostava dos bolos das pastelarias o passasse a devorar.
    É sempre mágico partilhar momentos de farinha, enfeitar com frutos de cores vibrantes e esperar o resultado final que sai do forno.

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– Oferecer Diversão
No natal tentamos ir sempre a um carroussel. Sempre foi um objecto mágico para mim e agora ainda mais com eles fazendo parte daquele rodar e rodar e subir e descer, como a vida em ciclos permanentes de altos e baixos.

– Oferecer Partilha
Durante as nossas viagens de carro para a piscina ou supermercado, construímos todos juntos uma bela história de natal.
Foi um processo criativo e de entretenimento fantástico que resultou numa história muito baseada nas aventuras da nossa família, com um toque de pó de fadas. Que bela prenda para contar na noite de natal.

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Este ano, para além da história, houve um “concerto” e um “bailado” oferecido por eles. Tornou tudo tão mais lindo…

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  • Oferecer Magia
    No dia de Natal, neva sempre lá em casa. Uma máquina de neve por 80 euros foi a prenda de anos que ofereci a mim própria há uns anos atrás e de então para cá, construímos uma memória inigualável de acordar todos os dias 25 de Dezembro para uma manhã de neve.
    Este ano alguns amigos juntaram-se a nós, uma delas tao doida (ou mágica) como eu, que se mascara sempre de duende nesta data, e foi ainda mais divertido.

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A Oferta de Amor, foi dos momentos mais maravilhosos do natal, em que mesmo eles pequeninos, conseguiram identificar aquilo que mais apreciavam em nós e estar gratos por isso.
Foi um momento de tal forma puro e emotivo que nos levou às lágrimas.

Estas ofertas de uma calendário diferente, tornaram sem dúvida o nosso Natal mais feliz e compreensivo da sua verdadeira mensagem.

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Que continuemos a Plantar Amor.

Falemos de acordos.
O que aprendi é que nunca é demasiado cedo para começar a ensiná-los e a praticá-los.

Sabem aquelas birras gigantes para sair do parque infantil, para pararem uma barulheira quando precisamos de acabar um trabalho, para devolverem um brinquedo ao irmão, para virem para a mesa…?

Então é assim, vou directa ao assunto, não adianta nada chamar 500 vezes, tentar que tenham empatia pelo nosso desespero, ralhar, gritar…
Nada.
Muito provavelmente o resultado vai ser que nos ignorem ainda mais, ou que comecem eles próprios a sentir e a replicar o nosso stress. Com a consequente bola de neve que isso faz.
É verdade que eles são pequeninos (os meus têm 3 anos), mas acreditem que já sabem muito bem o que querem e muitas, muitas vezes, o que eles querem naquele momento, não é nada coincidente com aquilo que nós queremos. E… verdade seja dita, porque é que eles têm de parar de brincar no horário que eu imponho para comer?

Por outro lado, não me dá jeito nenhum, ter a vida ao sabor da maré das suas vontades.

Então por aqui, desenvolvemos as seguintes estratégias:

  • Respeitá-los (acima de tudo, esta é a palavra chave)
  • Avisá-los do que os espera, com alguma antecedência
  • Comunicar quando não estamos de acordo
  • Fazer um acordo

 

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Photo: Cátia Sousa

A primeira vez que a eficácia dos acordos me atingiu, foi na hora de dormir.
Tenho 2 filhos. Gémeos. A hora de dormir nunca foi a situação mais calma cá de casa. Um cantava, o outro chateava-se porque queria dormir, um batia com a mão na parede, o outro começava a levantar-se… e por aí fora.
As minhas estratégias foram muitas:
– a pacífica: “amor, está na hora de dormir, agora não podemos fazer essas coisas, tens de fechar os olhos para o soninho vir…”
– a empática: “o teu irmão quer dormir, eu também quero ir para a cama, vamos respeitar…”
– a nada empática…: “escuta, queremos dormir, se não páras e não tens sono, tens de sair do quarto” (sendo que o resto da casa estará escuro)
Conseguem compreender para onde isto se dirige, certo?…
Resultados? Uma vez ou outra, qualquer uma das três, ou outras, terá funcionado. Mas recorrentemente? Não. De todo.

O resultado era essencialmente uma mãe frustrada, a achar que não consigo que os meus filhos me respeitem (muito diferente de “que me obedeçam”, que não é uma aspiração minha).

A determinada altura, devo ter tentado a frase mágica:
– Quantas vezes mais precisas de fazer isso? Uma, duas?
Algum terá inocentemente dito duas e assim foi. Terá cantado, saltado na cama ou gritado alto, duas vezes contadas em voz alta, por mim.
“Pronto filho, obrigada por teres parado” (mesmo que ainda não o tenha feito).

Qual é o efeito disto?
O meu filho sentiu-se ouvido na sua necessidade (por absurda e stressante que seja para nós) e teve independência para ser ele a controlá-la.
Esta dádiva de lhes dar o comando da situação é muito importante para eles.

Se repararem bem, as suas curtas vidas são uma longuíssima enciclopédia de nãos.
E convenhamos que, mesmo para nós, uma vasta série de nãos é uma vasta fonte de stress.

O acordo vem equilibrar a balança.
Há coisas de que não abro mão e sou eu que decido (enquanto eles anda estão em aprendizagem): a segurança, a educação para com os outros, o respeito pela vida…
Há coisas em que lhes posso dar uma pequena vantagem, que os faz serem mais confiantes e sentirem-se mais em pé de igualdade comigo. E sim, para mim isto é importante.  É importante que eles se sintam com o mesmo valor e direitos que eu.
Acredito que se me virem a respeitá-los desde crianças, façam o mesmo comigo quando forem mais velhos.

Mas o acordo faz também com que aprendam que nem tudo gira à volta dos seus desejos e tempos, e às vezes é preciso fazermos concessões em prol do bem estar ou desejos das outras pessoas. E isto, para mim, também é uma aprendizagem muito importante.
Já conheci alguns adultos que ainda não aprenderam isto…

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Photo: Cátia Sousa

Assim sendo, deixa alguns exemplos de algumas situações específicas que acredito que todos passem:

Parque Infantil (ou casa de amigos, ou loja de brinquedos)

– 5 minutos antes de eu me querer efectivamente ir embora, vou avisá-los:
“Amores, daqui a pouco tempo temos de ir embora, porque ….(temos de ir comer, o pai está a chegar, blablabla). Podem andar mais um bocadinho e depois vamos”
– 2 ou 3 minutos antes (sendo que os meus ainda não têm grande noção de tempo), vou dizer-lhes:
“Pronto, está na hora, quantas voltinhas queres fazer mais antes de irmos embora?”
Por norma dizem 2 ou 3, eu conto alto, para eles saberem a quantas estão, e no final do combinado, os meus miúdos saem pacificamente de qualquer lado.

Ir para a mesa

–  10 minutos antes vou dizer-lhes:
“Amores, o jantar está quase pronto, mais um bocadinho para brincar e depois vão lavar as mãos”
– 5 minutos antes:
“estou mesmo a acabar o jantar, quantas voltinhas ainda vais dar com esse tractor?”
– 2 minutos antes:
“já acabaste as voltinhas? o jantar vai para a mesa”

Não é tão pacífico quanto o sair de uma zona pública. Estão em casa, no seu canto de segurança, por isso, por vezes lá há um que fica a brincar e não quer vir jantar.
Mas por aqui, como já disse antes, respeitá-los, não significa não impôr regras.
A hora da refeição é para estarmos todos. Eu estive a cozinhar para a nossa equipa família, por isso é preciso valorizar o meu trabalho e o momento em família. Quem não vem para a mesa, quando a comida vai para a mesa, já não come.
E é um facto, houve um dia em que ficaram ambos sem almoçar.
Se foi fácil para mim? Não.
Mas expliquei-lhes com toda a calma, que a hora da refeição já tinha acabado. Eu tinha chamado e eles tinham escolhido brincar e não comer, portanto agora tinham de lidar com a consequência.
Uma birra de 1 hora e um lanche super reforçado depois, a verdade é que resultou.
Agora, o acordo que vos disse em cima, não contabilizando um atraso ou outro, que aqui não somos a tropa, funciona muito bem.

Ir às compras

Ir ás compras com crianças pode ser muito stressante. Nós temos os nossos objectivos e eles não estão nem para aí virados.
No supermercado (e nós gastamos um bocado de tempo porque compramos muita coisa a granel) o truque é usar muito bem os carrinhos de compras. Podem andar sentados, podem andar em pé, lá dentro, podem conduzi-los (sim, com supervisão e longos corredores). Mas sobretudo envolvê-los nas compras em si. São eles que vão buscar produtos, que põem os legumes nos sacos (de pano!), que dizem o número para pôr na balança (e às vezes que o marcam).

Mas quando as compras são roupas ou outros produtos do género, a coisa é mais complicada. Nós normalmente só vamos às lojas de roupa nos saldos, mas como decidimos ter pouca roupa e de qualidade para durar mais (para bem do Planeta e dos trabalhadores escravizados pela indústria da moda), a busca é um bocadinho mais demorada.
Nessa altura, chegam os acordos.
Escolhemos um sitio que tenha as lojas que nós precisamos, mas que também tenha 2 ou 3 opções de brincadeiras para eles. E o acordo é:
– Agora vamos a 3 lojas de roupa comprar o que a familia precisa e a seguir vamos à zona dos escorregas. Depois vamos a mais duas lojas e vamos às bolas. E assim sucessivamente.
Às vezes há lojas que já têm entretenimento para os pequenitos, como a Kiabi. Ou há lojas que mesmo não indo lá comprar nada regularmente, fazem as delicias dos pequenitos, como a dos Legos ou uma livraria com uma boa secção de criança.
Por aqui temos a sorte de eles não pedirem para comprar nada. Nunca os habituámos a isso, por isso não entrou no registo deles. Sabem que o dinheiro é importante para pagar a comida, a casa e o carro para nos deslocarmos. E que se houver dinheiro a mais, às vezes compramos uns miminhos para a familia, incluindo brinquedos. Mas não é uma prioridade nem habitual, por isso não é referência para eles.
De qualquer forma, o importante é cumprir o que se diz. Ir contando as lojas e lembrando que a seguir é o tempo de fazer o que eles desejam. E nesse tempo, não vale entrar e sair. Direitos são direitos e é importante que eles sintam que o tempo para fazer o que eles gostam também é válido e importante.

Continua a ser um processo cansativo (sacos e putos e tempo a passar… vá… não é uma boa combinação). Mas é um processo de respeito e aprendizagem. Funciona muito, muito bem.

Dar o brinquedo ao irmão

Esta foi a que mais custou, mas a que deu mais resultados, porque ultrapassou a esfera da relação pais/filhos para abranger também a relação fraternal.

Portanto, façam-me o favor de ler mentalmente, acompanhado de muitos gritos e muito choro:
– “Oh mãe, o mano roubou o binquedo”
– “O mano já tava a bincar há muito tempo”

Explicadas todas as técnicas de “primeiro pedes, roubar não, perdes a razão, também não gostavas que o mano te roubasse a ti, etc, etc, etc…”, a melhor técnica, foi a do acordo:

–  “Oh mãe, o mano já tá a bincar há muito tempo com o carro”
–  “Pergunta ao mano quanto tempo é que ele precisa de brincar mais, para depois partilhar contigo”
– “Tantas vezes” – responde com despeito, o detentor do objecto desejado
–  “Mas eu não queo, eu queo bincar agora” – grita o que não tem o brinquedo
–  “Amor, o mano gostava de brincar também com esse brinquedo, achas que gostavas de trocar com o que o mano tem, e depois podiam combinar quantas vezes brincam e  se quiserem trocam outra vez”
– “Mano, qués trocar o binquedo comigo?” – pergunta o desesperado, em soluços reprimidos (roubar é muito mais fácil…)
– “Só vou bincar mais 2 vezes e depois já tá, sim?” – acaba por responder sem custo o que não queria trocar.
E fica resolvido. A partir dessa frase, o outro já está contente, porque a vida já não é uma incerteza, já sabe o que o espera.

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Photo: Cátia Sousa

Às vezes nem há troca. Muitas vezes, ao fim de um longo ano de mediação, eu já nem me intrometo.
“Fala com o mano, cheguem a um acordo”.
E eles já fazem um acordo entre si. Por norma, o seu tempo de duração é uma mão cheia.
“Eu so vou bincar isto (mão cheia) e depois dou a ti, sim?”

Já vi um deles tentar entrar em acordo com uma menina sobre quantas voltas no triciclo ela daria, antes de lhe emprestar a ele.
A menina não sabia destes acordos e ia-lhe passando por cima 🙂
Ainda assim, mesmo que o acordo ainda não seja uma moeda de troca muito fluente entre os pares deles, eu acho importante que eles saibam praticar esta atitude tão importante nas relações humanas.
Saber reivindicar os seus direitos enquanto se tenta respeitar os direitos dos outros. Aprender a fazer cedências. Entrar em acordo.

Quanta diplomacia deste género está em falta em muitos governos no nosso globo…?

A educação é sem dúvida uma experiência laboratorial… eu, definitivamente, não sei o que está certo ou errado. Só faço o meu melhor. E espero que estas dicas vos ajudem, em alguma altura mais conturbada.

Que plantemos amor!

Hoje é dia da raiva.
Que estranheza existirem estes dias de celebração de coisas que não interessam.
E no entanto, isso leva-me a pensar no seu oposto.
A calma.
Eu que já acalentei propositadamente mágoas que descambaram num cultivo impróprio de raivas no meu peito, hoje, busco acima de tudo… calma.
Hoje, como esposa, como profissional e sobretudo, como mãe, vejo a calma como um superpoder.
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Os meus filhos não vão à creche. Sou mãe a tempo inteiro, revezando-me o melhor possível com o pai e quase sem família por perto para ajudar.
Com uma quinta por cuidar e pelo menos duas profissões para realizar… não é fácil.
Tenho dois miúdos de 3 anitos acabados de fazer, que trepam tudo o que seja vertical (ou mesmo diagonal e periclitante), cujas brincadeiras predilectas são água (não importa de que fonte e para que fim) e espalhar brinquedos (os poucos que têm) pelas várias divisões da casa.
E enfim, são dois irmãos da mesma idade, e tão depressa estão a planear conjuntamente a próxima traquinice, e a rir desalmadamente um com o outro, como qualquer pequeno pretexto serve para implicância e consequente choro, (diria… berreiro), e até agressões.
Tenho dois miúdos que são ávidos de descoberta e que, face à ainda normal dificuldade em aceitar nãos, revelam os seus mais agudos e temíveis gritos, e os desoladores beicinhos de discordância.
Tenho dois miúdos que se zangam e que se enervam.
E o que sei é que a experiência me tem mostrado que a calma é um superpoder.
Eu tenho um semblante relativamente calmo, uma voz baixinha e muitas ferramentas para saber lidar com todas as dificuldades de ser mãe.
Mas… nao sou de ferro.
E não são tão raras as vezes quantas gostaria, em que um grita e eu elevo também a voz. Em que descambo para a chantagem em ralhete: “se não páras, acontece isto ou perdes aquilo…”
Mas sou consciente. Quando faço coisas de que me não orgulho, recrimino-me, se achar que é válido peço desculpa e sobretudo tento de imediato voltar ao caminho que tracei para a educação deles (e minha reeducação).
Mas ainda assim, estes momentos ocasionais, são um bom exemplo de como a raiva, os nervos, o stress e o fraco discernimento são uma espiral.
Se eu ralhar com a voz mais alterada, os meus filhos respondem-me aos gritos, a roçar a má-educação.
Se eu respirar antes de me alterar (inspirar e expirar ajuda a acalmar), se me ajoelhar perto deles, se falar baixo e docemente, se aplicar a entreajuda… bolas, como o resultado é magnífico.
“Estás zangado? Eu percebo. Precisas de te acalmar, para conseguires pensar como deve ser e resolver esse problema. Precisas da minha ajuda?”
E é ver as suas carinhas até aí mascaradas com o biquinho de mau e os olhos zangados, a desabarem por completo.
Quantas vezes, em momentos de fúria, também nós só precisamos de alguém que nos diga: “Eu compreendo-te. Precisas de ajuda?”
Quantas vezes um abraço de alguém é suficiente para conseguirmos restabelecer o juízo e agir com nexo?
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No caso deles, crianças ainda puras dos moldes da sociedade, é ainda mais notório. E não quer dizer que resulte em 100% das birras que fazem, mas resulta seguramente em 90% de forma mais ou menos rápida.
O facto de me manter calma, apesar de a situação me pôr a fervilhar por dentro, resolve o assunto tão mais eficientemente do que se eu me puser a gritar mais do que eles.
É certo que tenho de parar o que estou a fazer, é certo que me leva ali 5 ou 10 minutos de colinho e abraços e conversa, exactamente no momento em que tinha de enviar o e-mail urgente ou pôr o jantar ao lume… mas mal esse tempo acaba, os meus filhos são outros. Dispõem-se a fazer exactamente aquilo que não queriam e que originou a birra, sentem-se tranquilos e, mais importante do que tudo, sinto que a sua confiança em si próprios e em mim cresce notoriamente.
Um dos ensinamentos que mais me orgulho de lhes passar e aprender com eles, é que somos nós quem controla as nossas birras, os nossos nervos, as nossas frustrações…
“Estou muito zangada” – digo-lhes às vezes, depois do primeiro grito, à visão de uma qualquer colcha pintada a caneta de feltro – “preciso de respirar para me acalmar”.
Eu sou o exemplo. Eu assumo as minhas fraquezas e corrijo-me em frente a eles.
Não preciso que me achem perfeita. Preciso que saibam que faço o melhor para ser boa mãe e que isso as vezes significa perceber que estou errada ou que ainda não sei tudo.
Por norma, sentam-se comigo a respirar também. Por vezes abraçam-me ou fazem-me festinhas. “Já tás feliz, mãe?”
“Já acalmei, sim. Podemos falar?”
E a verdade é que falado, em vez de ralhado, se tem revelado muito mais eficiente para que não volte a acontecer.
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Imaginem o que seria as pessoas conseguirem escutar-se umas às outras em vez de entrar em espirais de discussões.
Imaginem o que seria crescermos todos assim e isto dar realmente resultado. Imaginem o que seria as nações respirarem e conversarem antes de decidirem entrar em mais uma absurda e dramática guerra…
Hoje, no dia da raiva, penso, constato e sei que a calma é um superpoder.

(Quando aqui falar em televisão, quero dizer todos os ecrãs com entretenimento – televisão, computador, telemóveis e tablets.)

Então, em primeiro, calma. Nós temos telemóveis, computador e televisão. Raramente está ligada, mas temos.
Eu já fui viciada em cinema e continuo a adorar filmes e séries. E mais recentemente sou vidrada em documentários.
Mas os mais novos cá em casa… vivem muito bem sem televisão.

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Então vejamos como:
– até ao ano de idade, os meus filhos viram 0 televisão.
Sim, o número está correto. Zero.
Quantas vezes me fez falta? Muitas.
É seguramente mais difícil entreter uma criança, no caso duas, sem televisão.

Mas, e não é por ser obtusa, super protectora ou querer ser diferente, mas fi-lo porque li diversos estudos de pediatria que nos garantem que os bebés não estão preparados para ver televisão.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão faz (e telemóveis e tablets também):

1- os estudos referem que os estímulos visuais são demasiados e muito acelerados para a capacidade dos cérebros dos pequeninos.

2- o uso de ecrãs antes dos 18 meses, pode provocar atraso na linguagem, na leitura e na capacidade de curta-memória.

3- relacionam a tão falada hiperactividade com o demasiado tempo atrás de um ecrã, visto que nos desenhos animados os estímulos são constantes, coloridos e vibrantes e a criança fica “viciada” nessa forma de ser/estar.

4- causa crianças mais passivas a nível de criatividade, imaginação e entusiasmo próprio e com mais falta de cooperação, interesse e atenção nos estudos.

5- Em grandes estudos na América e Reino Unido relacionam inclusivamente a obesidade infantil, a agressividade e alguns problemas sociais e emocionais à exposição elevada e demasiado cedo aos ecrãs.

6- Vicia.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão (telemóvel e tablet) não deixa fazer:

Mais ainda, do que o que a televisão pode fazer é o que a televisão não deixa fazer, ou seja:

1-  naturalmente os ecrãs impedem o contacto humano. Justamente aquilo que é mais necessário a uma criança, para aprender a relacionar-se consigo, com os outros e com o mundo.

2- a televisão impede o tédio, e por isso a consequente busca de entretenimento, através da criatividade e da resolução dos seus próprios problemas e frustrações.

3- minoriza a vontade de estimular fisicamente o corpo e a descoberta da Natureza e seus elementos

4- a televisão, na maioria dos conteúdos apresentados, impede a empatia e a sensibilidade ao outro, uma vez que as imagens de violência nos desenhos são uma constante a que fica habituada.

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Credits: Patrícia Resende

E as razoes continuam…
Mas estas, foram mais que suficientes para mim, para até ao 1º ano cumprir à risca, a regra de “no TV”.

A partir daí confesso que me vali algumas vezes.  Mas ainda hoje, têm quase 3 anos e a televisão está confinada a 1h ou 2h aos sábados ou domingos de manhã ou a uma ocasião esporádica de gigantes birras (e zero paciência maternal).

Verdade seja dita, por não terem sido expostos a esta realidade, os meus filhos, gostando muito de ver televisão, passado 1h já estão levantados a procurar outra coisa para brincar. Também o telemóvel é uma realidade muito restrita, em que jogam 1 jogo, adequado e didactico, ainda menos que uma vez por semana.
Tablets não sabem o que é.

Sim, têm quase 3 anos e não, não vão ser infoexcluidos.  Vários estudos demonstram que a exposição mais tardia não invalida a falta de capacidades para mexeram em ecrãs nem a sua eficiência e rapidez em relação aos mesmos.

Nesta fase de vida, as crianças precisam de tocar, cheirar, sentir. Tudo é uma novidade e tudo, absolutamente tudo é um estímulo.
Precisam dos pais. Sobretudo e acima de qualquer referência, precisam dos pais.

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Credits: Patrícia Resende

A minha introdução aos ecrãs foi portanto, gradual. Inicialmente ligava o computador à televisão e punha-lhes videos nossos. Deles próprios, do nosso casamento, das festas de anos…  O ritmo era obviamente lento e real, as situações e as personagens conhecidas e isso fazia com que eles adorassem e não se sentissem perdidos entre a realidade e a ficção.  Também colocava ballet para crianças, do género do Quebra Nozes, ou concertos de música classica infantis, por ser algo muito mais focado na música e na dança, cheio de cor mas sem um ritmo alucinante.

Por último, quando introduzi os bonecos, foi ou com escolhas minhas no YouTube, ou, se com muita pressa minha, o Baby TV.
Por ser lento, e as histórias, mesmo que às vezes muito parvas, não conterem violência nem maus exemplos.

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Credits: Patrícia Resende

A verdade é que, por estarem tão expostos e atentos às nossas conversas, leituras e brincadeiras, eles têm um vocabulário muito extenso e uma conversa já muito bem fundamentada, para além, de que mesmo prematuros e com os percalços de saúde que tiveram, nada os impede de subir muros 🙂

Houve alturas em que lá tivemos de ouvir os habituais comentários dos “coitadinhos”.
Mas já nos habituámos aos coitadinhos que não têm gomas, carne, fritos, antibióticos, televisão, creche, brinquedos demais…
Claro, que depois quando os vêm felizes e saudáveis e com um desenvolvimento acima da média, sem nada destas coisas… acabam-se os comentários.

Hoje em dia, já são eles a procurar por eles próprios a sua diversão, basta-me dar-lhes algumas “ferramentas” e eles ajeitam-se, mas deixo aqui algumas imagens de como entretia os meus miúdos antes mesmo de eles andarem.

É incrível a surpresa de umas simples panelas ou tampas entreterem tanto…
Agora, mais crescidos, privilegiamos sempre os passeios e a brincadeira ao ar livre na Natureza.

Estas fotos podem ser abertas uma a uma e têm a descrição dos materiais.
Mas também nos podem procurar no seguinte link do Pinterest:
Actividades para bebés – PlantarAmor.com

Nós gostamos muito de televisão.
Mas sem a tornar, e aos telemóveis e tablets, em perigosos babysitters.
Preparados? Toca a pôr os miúdos a puxar pela mente e corpo.

Que continuemos a plantar amor.

Liana

O plástico tem sido um grande amigo. É fiável, práctico, simples e está em todo o lado.
E… aí reside um grave problema. O plástico esta e estará em todo o lado…
Durante os próximos milhares de anos.

A nossa dependência do plástico e a sua extrema longevidade tornaram um grande amigo no nosso pior inimigo.

Disseram-nos que devíamos reciclar. E agora sabe-se que não há capacidade de reciclar o tanto plástico que geramos, e que apenas 7% do plástico (sim, 7%) é verdadeiramente reutilizado.

O resto do plástico é muito bem empacotado e enviado para os países a que nós chamamos de 3º mundo. E aqui, gera-se mais um problema de gravidade extrema. Um abuso de direitos humanos com povos a viver literalmente em cima do lixo que nós fazemos.

A restante parte vai parar aos oceanos, aniquilando o ecossistema de que dependemos.

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A partir do momento em que percebemos que o plástico é um composto químico, extremamente prejudicial para o organismo humano e que devido ao excesso de poluição nos oceanos, está a começar a entrar na nossa cadeia alimentar através do sal, do peixe e da água engarrafada… humm, há uma luz de perigo, que se acende em nós, não há?

Um certo medo agiganta-se e a pergunta é óbvia.

“Então é melhor viver sem plástico?”

Foi isso a que nos propusémos na nossa família.
Para logo nos apercebemos que era bem mais difícil do que pensáramos.
Carro, televisão, telemóvel, máquina de lavar…
É tudo plástico.

Mas resolvemos começar por algum lado.
Pelo menos segundo a premissa:
Viver com muito menos plástico.
E passar a mensagem. Para que a pressão cresça e se apoie na sociedade para salvar os mares e… a nós próprios.

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Por onde podemos então começar?

Aqui por casa foi assim:

– Abolir palhinhas!
Sejamos francos, servem para quê, se não precisarmos delas por saúde?

– Abolir cotonetes e mudar para escovas de dentes de bambu! 

– Abolir sacos plásticos!
(Usar sacos de pano e frascos)

1- Para isto é preciso programar a mente para ter sempre sacos de pano ou de plástico reciclados para ir às compras, no carro, na mal, onde der jeito.
2- Depois programar a mente para não nos importamos quando as pessoas olham para os nossos sacos de pano ou rede (e termos orgulho nisso).
3- Depois lembrar-mo-nos de escolher as embalagens de vidro ou papel em deterimento das de plástico.
Começa por ser difícil mas depois entranha-se e perguntamo-nos porque, sendo tão simples, não é esse o hábito geral.

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– Abolir garrafas de água de plástico!
(Usar garrafa reutilizável para andar na mala)

Um milhão de garrafas são vendidas por minuto. Em um ano apenas, são 500 bilhões  de garrafas. Apenas 7% são reutilizadas, o resto vai poluir terra e mar. Mais precisamente 8 milhões de toneladas métricas de plástico vão parar ao oceano todos os anos.
Por esta razao, estima-se que em 2050 o oceano tenha mais plástico que peixes.

Quão assustador é isto? Por uma coisa da qual usufruimos durante 5 minutos?
Não contabilizando sequer os malefícios para a saude publica, ao estar a ingerir em microquantidades, mas durante toda a vida, microplasticos de componentes cancerígenas e outros químicos associados.

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Courtesy of Akasha. Credits to: @mohammedali6561

– Comprar a Granel
(com os sacos de pano e os frascos)

Encontrar lojas de venda a granel (cereais, leguminosas, frutos secos, detergentes, etc…), levar os saquinhos de pano e os frascos de vidro e levar para casa.
Este foi o hábito mais difícil de implementar, mas é só encontrar a loja certa e fazer disso uma agradável rotina.
E a loja certa para cada um, podem encontrá-la neste site informador: Agranel.pt

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– Usar fraldas reutilizáveis!

Cada bebé gasta em média 5000 fraldas até ao desfralde, e cada fralda demora 500 anos a desintegrar-se na Natureza. Sendo que nascem aproximadamente 360 mil bebés por dia, imaginem de quantas fraldas e anos falamos.

30 fraldas reutilizáveis fazem o serviço de cerca de 4000 fraldas descartáveis… e garanto que as novas fraldas de pano, são giras, funcionais, muito mais económicas no médio prazo e muito mais ecológicas.
Nós temos gémeos e conseguimos usar a maior parte do tempo!

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– Recusar loiça descartável

Como, em família, procuramos comer saudavelmente, não somos os melhores clientes dos restaurantes fast food. Mas às vezes não há tempo para mais, ou às vezes simplesmente apetece uma coisa não saudável!

É a altura de comer o que nos apetecer mas recusar palhinhas, copos, tampas de copos e outros recipientes de plástico sempre, sempre que puderem.

Se andarmos sempre com os nossos talheres reutilizáveis (de bambu por ex), melhor ainda.
Ao princípio parece estranho, mas é só ter em mente a nossa missão maior e tudo se torna normal e redentor.

– Compostagem: 

Nós temos a sorte de morar no campo, ter uma hortinha, e a compostagem fazer imenso jeito diariamente. Mas há quem, mesmo morando na cidade, consiga guardar as suas cascas, e restos de vegetais num recipiente fechado e ao fim de semana ir dar a uma quinta. Esta medida depende da vontade e tempo de cada um, mas que faz sentir bem, devolver o que consumimos à terra e com isso construir terra nova, sabe.

Na nossa família ainda nos falta saber lidar com algumas coisas:

– Acabar com as embalagens de shampoos e detergentes que já tínhamos e comprar nozes de saponaria para higiene ou vinagre e bicarbonato de sódio para limpezas. Mas esse ainda é um mundo novo para mim e nessa altura conto mais.

Mas ainda relacionado com o plástico, pensando directamente no planeta, cá em casa também não se come carne (a indústria mais poluidora do ambiente) e usamos veículos mais sustentáveis e aprendemos a respeitar e amar a Natureza como a nossa casa.

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Parece difícil?
E é! Os primeiros 2 meses. E depois tudo se torna natural.

Mas é garantido, que sentirmos que fazemos parte de uma missão maior é de tal forma gratificante, que supera tudo.

E vocês, que outras formas de ajudar o planeta, usam na vossa vida?
Por aqui gostamos de aprender e crescer.

Que plantemos amor!