educação

O que é uma família?
É um conjunto de pessoas ligadas pelo ADN?
É um conjunto de pessoas que habitam a mesma casa e se encontram ao pequeno-almoço e ao jantar, normalmente cansadas e stressadas do trabalho e da escola?
São dois progenitores cujas respectivas crianças passam mais tempo criadas por outros do que por eles?
 
O que é uma família?
 
Por aqui, o conceito de família é muito peculiar…
Cresci sem pai presente, fui criada por mãe e avó, mas tive outra mãe a ajudar ao meu crescimento que não me era nada de sangue.
A que ainda hoje é minha “irmã” era uma amiga de escola, e os meus, hoje queridos, irmãos verdadeiros só os conheci já adulta.
Amo duas amigas de longuíssima data como se fossem família e há membros da família biológica de quem nos afastámos por não respeitarem espaço nem opções…
 
Amo a minha família, escolhida por mim, feita de retalhos adoptivos, feita de relações de grande verdade, sem obrigações e sem requerimentos.
 
Estamos porque queremos. Somos porque amamos.
 
O que é uma família?
Um homem e uma mulher sem tempo e paciência para criar os filhos ou aguentarem-nos sequer durante um mês e meio em casa durante uma pandemia, como temos visto nas redes sociais?
 
Ou dois homens ou duas mulheres, anatomicamente imperfeitos para criar família, que criam uma criança com amor extremo?
Ou pais adoptivos que cumprem a sua responsabilidade de amar sem medidas e sem restrições?
Ou uma casal separado que se torna feliz com a separação mas que não deixam nunca de ser pais a tempo inteiro e em conjunto?
Ou uma só mãe, como eu conheço, que faz limpezas, gerindo o seu horário, quando poderia ter qualquer outro trabalho, para poder ter mais tempo com a sua filha?
Ou um grupo de amigos verdadeiros, mesmo sem crianças envolvidas, que se apoiam no bem e no mal, na saúde e na doença?
 
O que é uma família?
 
Para mim é claro.
Uma família é respeito, verdade e amor.
Sem cedências para nenhum destes três aspectos.
Se houver crianças, então uma família tem de ser respeito, verdade, amor e tempo!
O tempo de poder Ser Família e servir de modelo ao que é Ser Família.
 
Quem encontrar isto na família de sangue, magnifico.
Quem encontrar noutros corações quaisquer, magnífico na mesma.
 
Um viva a todas as famílias que sentem o que é ser Família, sem amarras de conceitos pré-definidos, mas com verdadeiros laços de amor!
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No início da pandemia, deparei-me com as redes sociais inundadas de mães aflitas.
As escolas encerravam e as mães pediam ajuda porque “não sabiam o que fazer com os filhos todos os dias em casa”.
No “suposto fim” da pandemia, deparo-me com inúmeras publicações de mães desesperadas por despacharem os filhos para algum lado. Porque “já não os aguentam”, porque “precisam urgentemente da sua individualidade e da sua vida de volta”.

E eu vejo isto e ando angustiada…
Ando eu a pregar às pessoas que se preocupem com os seus idosos, ando eu a sensibilizar à preocupação com os animais… e afinal há mães, de famílias supostamente bem estruturadas, influencers com milhares de seguidores nas redes sociais, que não aguentam sequer estar com os próprios filhos 1 mês e meio, em casa.

Será só a mim, que esta realidade estranha, distorcida e potencialmente perigosa atinge o coração de tristeza?

Sou mãe a tempo inteiro, apesar de também trabalhar quase diariamente no meu alojamento local, apesar de fazer ensaios e concertos, dar workshops e trabalhar na agricultura e manutenção da quinta.

Mas salvo muito raras excepções, os meus filhos estão comigo, quase sempre.
E tal como as mães que se queixam nas redes, tenho dias em que já não os posso ver à frente.
Ser mãe é o trabalho mais difícil da minha vida!
Tenho dias de gritos, tenho dias de casa num caos, tenho dias de más refeições feitas à pressa, dias de birras que me parecem ridículas e extenuantes, tenho dias de cansaço extremo, e dias de ser má mãe!

Mas não tenho um único dia em que queira a minha vida de volta.
Aliás, não sei o que é querer ter a vida de volta. Esta é a minha vida! Escolhi ser mãe!

Se virmos as coisas pela matemática, o desejo de liberdade na maternidade é irónico, no mínimo.
Vivemos uma média de 80 anos.
Os nossos filhos vivem connosco cerca de 20 anos.
Mais concretamente, realmente dependentes de nós, vivem 10 anos. Mas façamos a média nos 15.
Se considerarmos que também nós não fomos independentes durante os nossos primeiros 15 anos, sobram 50 anos.
Significa que temos cerca de 50 (CINQUENTA) anos para viver “la vida loca” sem a dependência dos filhos.

Não chega????

Precisamos de hipotecar os  primeiros 10 anos deles, a empandeirá-los para as creches, para as escolas, para os ATLs, para as actividades extracurriculares, para as babysitters, para os avós, porque… precisamos desesperadamente da nossa liberdade?

1 mês e meio com os filhos em casa …

Estamos no meio de uma pandemia, em que o mundo inteiro parou de medo, e pelos vistos, nem isso é motivo suficiente para amarmos mais os nossos filhos e querermos tê-los junto a nós (aceitando que a maternidade é difícil!).

Caramba, como me aflige esta sociedade…

E não posso deixar de descobrir a enorme diferença que há entre ter filhos, e ser Mãe.

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Houve duas coisas em que a pandemia me fez parecer normal.

A primeira foi a comida, pois no inicio das compras para o estado de emergência, era aconselhado pelos nutricionistas comprar essencalmente frascos de leguminosas, cereais e vegetais. Comida vegan portanto…

A segunda foi de repente todos estarem em homeschooling como nós.

Prometi a alguns passar a publicar actividades para quem ao principio estava aflito com o “não saber o que fazer com os filhos”, mas depois desisti, precisamente por causa desta frase…

Mais do que impingir 500 actividades aos miúdos é descobrirem como voltar a ser uma família unida. Depois descobrir juntos as coisas que funcionam para a familia. Através de observação das crianças, através de tentativa e erro…
Quantas vezes já fiz actividades em que passo uma hora a preparar os materiais, para eles brincarem apenas 5 minutos e desligarem logo a seguir…
Quantas vezes actividades espontâneas e sem preparação prévia duram imenso tempo…
Quantas vezes o erro de hoje é o êxito de amanhã. E o sucesso de ontem, hoje provocou-lhes uma birra…

E mais ainda do que tudo isto, esta deveria ser a fase em que os miúdos teriam tempo para se descobrirem a si próprios (coisa que há muito o sistema escolar e pré-escolar limitaram profundamente).

Por isso, e porque o meu próprio tempo foi sobretudo de, ainda mais união com eles, não partilhei nenhuma actividade.

Mais de um mês depois, aqui fica o registo de algumas das coisas que temos andado a fazer.

Plantámos (e sentimo-nos muito, muito abençoados por o poder fazer)

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Pintámos (em vários sítios…)

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Aprendemos números

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Aprendemos ecosistemas e seus habitantes animais

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Aprendemos letras

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Cozinhámos e fomos padeiros

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Aprendemos forças e gravidade

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E o ciclo da água

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Construímos brinquedos, com coisas velhas que temos pela quinta.

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das pernas de uma velha mesa – uma baliza

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De uma prateleira de um móvel velho – um jogo dos elásticos

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De molduras antigas e um pedaço de acrílico – Montessori sand boxes

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Aprendemos texturas, formas, contrastes…

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Fizemos hortas do Pedrito Coelho

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Aprendemos música com jogos de ritmos

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Pintámos Van Gogh ao som de Beethoven

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Aprendemos mais sobre o corpo humano

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Vimos a Mary Poppins, o Pedrito Coelho, o Era uma vez o Corpo Humano, a Carrinha Mágica e a Masha, o Cirque du Soleil e o Moving Art e um documentário sobre o envio do rover a Marte que nos fez reflectir mesmo muito sobre o significado de aprender com os erros. Passamos muitos dias sem ver televisão (excepto o noticiário).
E por ironia, vamos em dois dias de tele escola 🙂

Lemos muito, muito, muito. E ouvimos audio books.

Dançámos e jogámos os nossos benditos jogos de emoções e partilha de conversas.

Mas SOBRETUDO chorámos, stressámos, tivémos breakdowns, zangas e… risos, muitos, muitos risos, e muita, muita ternura.

Porque, muito mais do que as aprendizagens, que às vezes resultam, às vezes não, é dos sentimentos, que é feito o amor!

Vossa
Mãe

Não costumo misturar aqui a minha vida de cantora…
Mas a verdade é que faz parte de mim. E este tema é demasiado pessoal para ficar de fora das nossas cartas

À minha avó Amélia.

Este é o meu novo single 💛

Velha Mãe tem o acre da dor e da solidão e o néctar da ternura e da serenidade.
Tem o ensinamento e a aprendizagem de reaprender o passado e envolver o futuro.
Fala-nos da velhice, mas abraça uma vida inteira de valores por mudar.
Velha Mãe é a interrogação sobre o que é essencial no trilho de cada um. Mesmo quando o caminho já se faz só, mas não menos imprescindível.
É uma apologia ao caminho efémero da vida, ao rumo que pretendemos na família, nos amigos, nos desconhecidos por quem fazemos algo humano, ou nos que fazem por nós…
Velha Mãe tem um poder árduo, mas delicado, de nos interrogar sobre nós e os que consideramos nossos, os que já partiram, os que nasceram há pouco… e leva-nos à reflexão sobre a nossa vida e as estradas que escolhemos.

Velha Mãe é um dos temas mais belos que já cantei e que me deixou as emoções em inquietude durante largos, largos meses.
Ajudou-me a aceitar e a reconhecer quem a minha avó, que me criou, foi para mim.
Ajudou-me a alicerçar que Mãe quero ser para os meus pequenos filhos.
Velha Mãe fala do meu caminho e do caminho de todos nós.

Aqui fica a minha Velha Mãe
Que seja para vós, o bálsamo e a benção que foi para mim.

Conquanto eu já conheço meio mundo, em família ainda se fizeram poucas viagens para fora.

Estas foram umas férias muito desejadas. Mas não foram umas “simples” férias na neve.
Cumprindo um desígnio de os levar a ver as maravilhas da natureza que podem vir a desaparecer quando os meus filhos forem adultos, esta foi a nossa primeira aventura.
Houve uma preparacao cuidadosa para irmos ver um glaciar.
Com as alterações climáticas, os glaciares dos Alpes estão a derreter de tal forma rápida que os vários países desta cordilheira estão a aplicar medidas científicas para que o desaparecimento dos glaciares seja adiado o mais tempo possível.
Os glaciares são importantíssimos para os ecossistemas sociais e económicos das zonas em que estão inseridos e para os ecossistemas naturais de todo o planeta.
Infelizmente, somos nós humanos e a nossa sede de consumismo, que estamos a acelerar o seu desaparecimento.

A caminho então:

 

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Quando cheguei ao cimo da montanha e pude ver este glaciar, foi um momento extremamente emotivo para mim. Confesso que as lágrimas caiam dos meus olhos.
Saberei explicar?
Sentir que talvez os meus filhos em adultos já não possam ver este fenómeno natural…
Sentir que o equilíbrio das nossas existências estava ali representado à minha frente, na forma de um rio de gelo em fim do seu tempo.

É certo que vivo num vale, que talvez já tenha sido um glaciar. É certo que o planeta tem estes ciclos e mudanças naturais.

Mas também é certo que estejamos a alterá-los de forma tão rápida, que nós, humanos, deixemos de ter lugar para existir.
Porque a Natureza, de uma forma ou outra saberá adaptar-se. Nós, tão frágeis na nossa ridícula omnipotência, não o conseguiremos.

Há um silêncio incrível no cimo de uma montanha de neve. Uma paz forte e poderosa. Mas em mim, existe um grito de alerta. É preciso salvar a Terra. É preciso salvar-mo-nos.

O nosso calendário de Natal, não tem chocolates (embora eles surjam espaçados ao longo do mês de dezembro).
O nosso calendário é feito com o propósito de nos lembrar a magia do Natal, que inclui muitos doces tradicionais sim, mas que é muito mais do que isso.
Baseada na palavra solidariedade mas sobretudo na palavra empatia.

Aqui não recebemos prendas do Pai Natal, nem escrevemos a pedir nada. Mas gostamos do Pai Natal e vivemos a fantasia por inteiro. Aprendemos com esta história, o contrário do pedir e do receber, aprendemos a gostar de dar, só com o intuito de fazer os outros felizes.
É essa a magia que encontramos no Pai Natal.

Ao longo do mês, imitando-o, temos muitas actividades de ofertas.
A nós próprios, que também é importante, mas sobretudo aos outros.

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Aqui ficam os meus papelinhos vintage que eu adorei fazer e acho que estão lindos 🙂
Mas aqui ficam sobretudo as ideias:

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Com massa de sal e farinha fizemos os nossos enfeites que servirão depois para por nos laços das prendas, como etiquetas.

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  • Oferecer Compaixão
    Dar cenouras aos coelhinhos selvagens. Há uma sensação gratificante em dar algo a quem sabemos que não irá dar de volta. Aqui vamos nós a distribuir cenouras pelo bosque fora, sem esperar que os coelhinhos nos ofereçam carrinhos ou legos. Simplesmente com o espirito de ajuda. Dias plenos.

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  • Oferecer criatividade
    Pintámos o nosso papel de embrulho com diferentes técnicas e foram umas horas bem divertidas.

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– Oferecer Amizade
Fazer as prendas para os amigos.
Este ano oferecemos porta-chaves para os adultos e laços e pulseiras para as meninas.
Eles fizeram os desenhos, que diminuí de tamanho na impressora e decorei com rendas, laços e cola quente.
Ficámos muito satisfeitos com o resultado final, tão personalizado e cheio do nosso amor.

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  • Oferecer Empatia
    Doar brinquedos a outros meninos.
    Eles estão habituados a ver os pais deixarem roupas e louças, que estejam a mais em casa, para serem doadas pela Junta de Freguesia. O conceito de passar aos outros o que temos a mais (ou comprar de outros em 2ª mão o que nos faz falta) já não é novo para eles. Mas é sempre diferente colocá-los a escolher os seus próprios pertences, nomeadamente o que lhes dá alegria diária como os brinquedos.
    E foi maravilhoso ver a facilidade que tiveram na partilha e como queriam anda dar mais do que eu estava à espera. Fiquei muito feliz com esta prova de que o exemplo ensina.

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Tenho muito, muito cuidado com o açúcar ao longo do ano, mas as férias, as festas de anos e o Natal estão reservados para o excesso.
Aqui um suculento chocolate quente e umas bolachas de gengibre e canela com muito sabor a Natal. Tudo vegan e saboroso.

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  • Oferecer Reconhecimento
    Fazer uma prenda para os bombeiros e levar.
    Por norma, estendemos o reconhecimento também à comunidade com prendinhas simbólicas feitas em casa, bolachinhas, broinhas, bombons… Levamos ao padeiro, ao senhor da oficina, ao senhor que corta o mato, aos vizinhos… pessoas que de uma forma ou outra tornam a nossa vida mais segura, mais fácil (ou mais saborosa).
    E como a gratidão gera sempre retorno, os bombeiros foram mostrar os carros e até ligar a sirene para deleite dos miúdos.

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  • Oferecer deslumbre
    Ir passear a Lisboa para ver as luzes de Natal.

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– Oferecer Memórias

Fazer as broinhas da avó Amélia

A avó Amélia é na verdade a bisavó deles, que eles já não conheceram, mas que continua a ser uma memória muito importante na nossa família.
Agora recordamo-la através dos sabores que nos deixou e agora sou eu e a minha mãe a ajudá-los a prepará-las.
Ao longo do mês juntamos também os bolinhos de limão da bisavó Adelina, que fazem com o pai.
As tradições de familia, em forma de receita veganizada, a tornarem-nos mais conscientes de que pertencemos a um clã, a uma pequena comunidade de entreajuda e de pertença através do amor e das recordações.

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– Oferecer Retorno
A Natureza dá-nos tanto, tanto, sem pedir nada em troca.
Desta vez homenageámos essa dádiva tão generosa.
Fomos plantar uma árvore autóctone, um carvalho, no meio da serra, sem dele esperar colher frutos ou sombra. Apenas dar, como consequência do muito que recebemos.

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  • Oferecer tradição
    Fazermos o nosso bolo rei é tradição lá em casa e fez com que o pai, que não gostava dos bolos das pastelarias o passasse a devorar.
    É sempre mágico partilhar momentos de farinha, enfeitar com frutos de cores vibrantes e esperar o resultado final que sai do forno.

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– Oferecer Diversão
No natal tentamos ir sempre a um carroussel. Sempre foi um objecto mágico para mim e agora ainda mais com eles fazendo parte daquele rodar e rodar e subir e descer, como a vida em ciclos permanentes de altos e baixos.

– Oferecer Partilha
Durante as nossas viagens de carro para a piscina ou supermercado, construímos todos juntos uma bela história de natal.
Foi um processo criativo e de entretenimento fantástico que resultou numa história muito baseada nas aventuras da nossa família, com um toque de pó de fadas. Que bela prenda para contar na noite de natal.

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Este ano, para além da história, houve um “concerto” e um “bailado” oferecido por eles. Tornou tudo tão mais lindo…

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  • Oferecer Magia
    No dia de Natal, neva sempre lá em casa. Uma máquina de neve por 80 euros foi a prenda de anos que ofereci a mim própria há uns anos atrás e de então para cá, construímos uma memória inigualável de acordar todos os dias 25 de Dezembro para uma manhã de neve.
    Este ano alguns amigos juntaram-se a nós, uma delas tao doida (ou mágica) como eu, que se mascara sempre de duende nesta data, e foi ainda mais divertido.

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A Oferta de Amor, foi dos momentos mais maravilhosos do natal, em que mesmo eles pequeninos, conseguiram identificar aquilo que mais apreciavam em nós e estar gratos por isso.
Foi um momento de tal forma puro e emotivo que nos levou às lágrimas.

Estas ofertas de uma calendário diferente, tornaram sem dúvida o nosso Natal mais feliz e compreensivo da sua verdadeira mensagem.

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Que continuemos a Plantar Amor.

Hoje é dia da raiva.
Que estranheza existirem estes dias de celebração de coisas que não interessam.
E no entanto, isso leva-me a pensar no seu oposto.
A calma.
Eu que já acalentei propositadamente mágoas que descambaram num cultivo impróprio de raivas no meu peito, hoje, busco acima de tudo… calma.
Hoje, como esposa, como profissional e sobretudo, como mãe, vejo a calma como um superpoder.
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Os meus filhos não vão à creche. Sou mãe a tempo inteiro, revezando-me o melhor possível com o pai e quase sem família por perto para ajudar.
Com uma quinta por cuidar e pelo menos duas profissões para realizar… não é fácil.
Tenho dois miúdos de 3 anitos acabados de fazer, que trepam tudo o que seja vertical (ou mesmo diagonal e periclitante), cujas brincadeiras predilectas são água (não importa de que fonte e para que fim) e espalhar brinquedos (os poucos que têm) pelas várias divisões da casa.
E enfim, são dois irmãos da mesma idade, e tão depressa estão a planear conjuntamente a próxima traquinice, e a rir desalmadamente um com o outro, como qualquer pequeno pretexto serve para implicância e consequente choro, (diria… berreiro), e até agressões.
Tenho dois miúdos que são ávidos de descoberta e que, face à ainda normal dificuldade em aceitar nãos, revelam os seus mais agudos e temíveis gritos, e os desoladores beicinhos de discordância.
Tenho dois miúdos que se zangam e que se enervam.
E o que sei é que a experiência me tem mostrado que a calma é um superpoder.
Eu tenho um semblante relativamente calmo, uma voz baixinha e muitas ferramentas para saber lidar com todas as dificuldades de ser mãe.
Mas… nao sou de ferro.
E não são tão raras as vezes quantas gostaria, em que um grita e eu elevo também a voz. Em que descambo para a chantagem em ralhete: “se não páras, acontece isto ou perdes aquilo…”
Mas sou consciente. Quando faço coisas de que me não orgulho, recrimino-me, se achar que é válido peço desculpa e sobretudo tento de imediato voltar ao caminho que tracei para a educação deles (e minha reeducação).
Mas ainda assim, estes momentos ocasionais, são um bom exemplo de como a raiva, os nervos, o stress e o fraco discernimento são uma espiral.
Se eu ralhar com a voz mais alterada, os meus filhos respondem-me aos gritos, a roçar a má-educação.
Se eu respirar antes de me alterar (inspirar e expirar ajuda a acalmar), se me ajoelhar perto deles, se falar baixo e docemente, se aplicar a entreajuda… bolas, como o resultado é magnífico.
“Estás zangado? Eu percebo. Precisas de te acalmar, para conseguires pensar como deve ser e resolver esse problema. Precisas da minha ajuda?”
E é ver as suas carinhas até aí mascaradas com o biquinho de mau e os olhos zangados, a desabarem por completo.
Quantas vezes, em momentos de fúria, também nós só precisamos de alguém que nos diga: “Eu compreendo-te. Precisas de ajuda?”
Quantas vezes um abraço de alguém é suficiente para conseguirmos restabelecer o juízo e agir com nexo?
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No caso deles, crianças ainda puras dos moldes da sociedade, é ainda mais notório. E não quer dizer que resulte em 100% das birras que fazem, mas resulta seguramente em 90% de forma mais ou menos rápida.
O facto de me manter calma, apesar de a situação me pôr a fervilhar por dentro, resolve o assunto tão mais eficientemente do que se eu me puser a gritar mais do que eles.
É certo que tenho de parar o que estou a fazer, é certo que me leva ali 5 ou 10 minutos de colinho e abraços e conversa, exactamente no momento em que tinha de enviar o e-mail urgente ou pôr o jantar ao lume… mas mal esse tempo acaba, os meus filhos são outros. Dispõem-se a fazer exactamente aquilo que não queriam e que originou a birra, sentem-se tranquilos e, mais importante do que tudo, sinto que a sua confiança em si próprios e em mim cresce notoriamente.
Um dos ensinamentos que mais me orgulho de lhes passar e aprender com eles, é que somos nós quem controla as nossas birras, os nossos nervos, as nossas frustrações…
“Estou muito zangada” – digo-lhes às vezes, depois do primeiro grito, à visão de uma qualquer colcha pintada a caneta de feltro – “preciso de respirar para me acalmar”.
Eu sou o exemplo. Eu assumo as minhas fraquezas e corrijo-me em frente a eles.
Não preciso que me achem perfeita. Preciso que saibam que faço o melhor para ser boa mãe e que isso as vezes significa perceber que estou errada ou que ainda não sei tudo.
Por norma, sentam-se comigo a respirar também. Por vezes abraçam-me ou fazem-me festinhas. “Já tás feliz, mãe?”
“Já acalmei, sim. Podemos falar?”
E a verdade é que falado, em vez de ralhado, se tem revelado muito mais eficiente para que não volte a acontecer.
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Imaginem o que seria as pessoas conseguirem escutar-se umas às outras em vez de entrar em espirais de discussões.
Imaginem o que seria crescermos todos assim e isto dar realmente resultado. Imaginem o que seria as nações respirarem e conversarem antes de decidirem entrar em mais uma absurda e dramática guerra…
Hoje, no dia da raiva, penso, constato e sei que a calma é um superpoder.

Hoje é dia do Ambiente e pela manhã deparei-me com esta notícia nos jornais:

“Uma dieta vegan, é provavelmente o melhor caminho para reduzir o nosso impacto no planeta”  Joseph Poore, University of Oxford, UK

” Dada a crise global da obesidade, mudar a dieta, tem o potencial de nos tornar a nós, e ao planeta, mais saudáveis ”. Prof Tim Benton, at the University of Leeds, UK

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O novo estudo, publicado na revista Science, é uma das análises mais abrangentes até à data e revela que retirar a carne e os lacticínios da dieta podia reduzir a pegada de carbono de um indivíduo até 73%. Reduziria também a área mundial cultivada em 75% e ainda assim alimentaria o mundo inteiro.

“Realmente são os produtos animais que são os maiores responsáveis (pela extinção das espécies e poluição do planeta). Evitar o consumo de produtos de origem animal traz benefícios ambientais muito melhores do que tentar comprar carnes e laticínios sustentáveis, e é muito maior do que evitar as viagens ou comprar um carro elétrico”

A pesquisa da equipa de Joseph Poore é o resultado de um projeto de cinco anos de duração, que inicialmente começou como uma investigação sobre a produção sustentável de carne e laticínios.

O cientista parou de comer produtos de origem animal após o primeiro ano de estudo…

Por aqui não comemos carne, nem peixe, nem lacticínios, nem ovos. Nada de origem animal. Eu sou vegetariana há 18 anos e vegan há 2, o marido há 6 anos e os meninos desde a gestação.

E estamos saudáveis e de consciência tranquila. Pelos animais e pela nossa casa – o planeta Terra.

Nas próximas publicações, irei compor algumas tabelas que vos ajudarão a compôr as vossas refeições vegetarianas de forma saudável.
Para bom apetite e boa consciência.

Espero que vos inspirem na vossa jornada pela defesa do ambiente!

Aconselho ainda que vejam o documentário Cowspiracy, para mais informações, e que se deliciem a encontrar receitas e muita, muita informação nutricional no blog Universo dos Alimentos.

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Que continuemos a Plantar Amor

Liana

(Quando aqui falar em televisão, quero dizer todos os ecrãs com entretenimento – televisão, computador, telemóveis e tablets.)

Então, em primeiro, calma. Nós temos telemóveis, computador e televisão. Raramente está ligada, mas temos.
Eu já fui viciada em cinema e continuo a adorar filmes e séries. E mais recentemente sou vidrada em documentários.
Mas os mais novos cá em casa… vivem muito bem sem televisão.

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Então vejamos como:
– até ao ano de idade, os meus filhos viram 0 televisão.
Sim, o número está correto. Zero.
Quantas vezes me fez falta? Muitas.
É seguramente mais difícil entreter uma criança, no caso duas, sem televisão.

Mas, e não é por ser obtusa, super protectora ou querer ser diferente, mas fi-lo porque li diversos estudos de pediatria que nos garantem que os bebés não estão preparados para ver televisão.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão faz (e telemóveis e tablets também):

1- os estudos referem que os estímulos visuais são demasiados e muito acelerados para a capacidade dos cérebros dos pequeninos.

2- o uso de ecrãs antes dos 18 meses, pode provocar atraso na linguagem, na leitura e na capacidade de curta-memória.

3- relacionam a tão falada hiperactividade com o demasiado tempo atrás de um ecrã, visto que nos desenhos animados os estímulos são constantes, coloridos e vibrantes e a criança fica “viciada” nessa forma de ser/estar.

4- causa crianças mais passivas a nível de criatividade, imaginação e entusiasmo próprio e com mais falta de cooperação, interesse e atenção nos estudos.

5- Em grandes estudos na América e Reino Unido relacionam inclusivamente a obesidade infantil, a agressividade e alguns problemas sociais e emocionais à exposição elevada e demasiado cedo aos ecrãs.

6- Vicia.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão (telemóvel e tablet) não deixa fazer:

Mais ainda, do que o que a televisão pode fazer é o que a televisão não deixa fazer, ou seja:

1-  naturalmente os ecrãs impedem o contacto humano. Justamente aquilo que é mais necessário a uma criança, para aprender a relacionar-se consigo, com os outros e com o mundo.

2- a televisão impede o tédio, e por isso a consequente busca de entretenimento, através da criatividade e da resolução dos seus próprios problemas e frustrações.

3- minoriza a vontade de estimular fisicamente o corpo e a descoberta da Natureza e seus elementos

4- a televisão, na maioria dos conteúdos apresentados, impede a empatia e a sensibilidade ao outro, uma vez que as imagens de violência nos desenhos são uma constante a que fica habituada.

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Credits: Patrícia Resende

E as razoes continuam…
Mas estas, foram mais que suficientes para mim, para até ao 1º ano cumprir à risca, a regra de “no TV”.

A partir daí confesso que me vali algumas vezes.  Mas ainda hoje, têm quase 3 anos e a televisão está confinada a 1h ou 2h aos sábados ou domingos de manhã ou a uma ocasião esporádica de gigantes birras (e zero paciência maternal).

Verdade seja dita, por não terem sido expostos a esta realidade, os meus filhos, gostando muito de ver televisão, passado 1h já estão levantados a procurar outra coisa para brincar. Também o telemóvel é uma realidade muito restrita, em que jogam 1 jogo, adequado e didactico, ainda menos que uma vez por semana.
Tablets não sabem o que é.

Sim, têm quase 3 anos e não, não vão ser infoexcluidos.  Vários estudos demonstram que a exposição mais tardia não invalida a falta de capacidades para mexeram em ecrãs nem a sua eficiência e rapidez em relação aos mesmos.

Nesta fase de vida, as crianças precisam de tocar, cheirar, sentir. Tudo é uma novidade e tudo, absolutamente tudo é um estímulo.
Precisam dos pais. Sobretudo e acima de qualquer referência, precisam dos pais.

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Credits: Patrícia Resende

A minha introdução aos ecrãs foi portanto, gradual. Inicialmente ligava o computador à televisão e punha-lhes videos nossos. Deles próprios, do nosso casamento, das festas de anos…  O ritmo era obviamente lento e real, as situações e as personagens conhecidas e isso fazia com que eles adorassem e não se sentissem perdidos entre a realidade e a ficção.  Também colocava ballet para crianças, do género do Quebra Nozes, ou concertos de música classica infantis, por ser algo muito mais focado na música e na dança, cheio de cor mas sem um ritmo alucinante.

Por último, quando introduzi os bonecos, foi ou com escolhas minhas no YouTube, ou, se com muita pressa minha, o Baby TV.
Por ser lento, e as histórias, mesmo que às vezes muito parvas, não conterem violência nem maus exemplos.

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Credits: Patrícia Resende

A verdade é que, por estarem tão expostos e atentos às nossas conversas, leituras e brincadeiras, eles têm um vocabulário muito extenso e uma conversa já muito bem fundamentada, para além, de que mesmo prematuros e com os percalços de saúde que tiveram, nada os impede de subir muros 🙂

Houve alturas em que lá tivemos de ouvir os habituais comentários dos “coitadinhos”.
Mas já nos habituámos aos coitadinhos que não têm gomas, carne, fritos, antibióticos, televisão, creche, brinquedos demais…
Claro, que depois quando os vêm felizes e saudáveis e com um desenvolvimento acima da média, sem nada destas coisas… acabam-se os comentários.

Hoje em dia, já são eles a procurar por eles próprios a sua diversão, basta-me dar-lhes algumas “ferramentas” e eles ajeitam-se, mas deixo aqui algumas imagens de como entretia os meus miúdos antes mesmo de eles andarem.

É incrível a surpresa de umas simples panelas ou tampas entreterem tanto…
Agora, mais crescidos, privilegiamos sempre os passeios e a brincadeira ao ar livre na Natureza.

Estas fotos podem ser abertas uma a uma e têm a descrição dos materiais.
Mas também nos podem procurar no seguinte link do Pinterest:
Actividades para bebés – PlantarAmor.com

Nós gostamos muito de televisão.
Mas sem a tornar, e aos telemóveis e tablets, em perigosos babysitters.
Preparados? Toca a pôr os miúdos a puxar pela mente e corpo.

Que continuemos a plantar amor.

Liana

Carta aos meus filhos sobre o tipo de educação escolhida.

Ser Mãe, é estar consciente da educação que vos dou.
Ser Mãe, é estar consciente de quem eu sou.
Porque eu sou o primeiro modelo que vocês irão seguir.

Céus, como é difícil e fascinante.

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Questionar todos os dogmas adquiridos, renunciar a muitas das receitas tradicionais de comportamento, abrir mão de chapas 5 milagrosas… porque a ideia é muito mais profunda que simples resultados imediatos…

Ser mãe consciente. Implica o quê?

Não é fácil enumerar as pedras basilares da parentalidade consciente, mas talvez comece por uma palavra chave:

Respeito – neste momento vocês ainda não têm 3 anos. E no entanto são sempre ouvidos nas decisões que vos dizem respeito, são sempre escutados mesmo nas birras que não fazem qualquer sentido para nós. Desde o dia do vosso nascimento, que sao seres de plenos direitos. Que têm necessidades, medos, e ate desejos exagerados.

Aqui em casa, não existem as frases: porque eu mando, porque eu disse que sim, porque eu é que sei.

O respeito que vos damos é proporcional ao respeito que esperamos de vós. Somos uma família. Uma família em que, desde que em respeito mútuo, todos temos o direito de tentarmos satisfazer as nossas necessidades, básicas ou supérfluas. E em que a única coisa que distingue pais e filhos, para além do tamanho, é a maior experiência de vida dos mais velhos, que permite ter mais conhecimentos.

Um não, não é um não, só porque eu posso, porque sou maior que tu, porque sou tua mãe. Um não existe, quando eu constatei, depois de avaliar conscientemente, que o sim será perigoso ou inconveniente para ti ou para os outros. E isso tem de ser explicado.
E às vezes é cansativo. Sobretudo quando é à trigésima vez…

Mas é assim que te mostro o meu respeito por ti.

É assim que te mostro que te ouvi, ponderei se te podia dizer um sim, gostaria de te dizer um sim para te agradar, mas o limite imposto pela minha experiência de vida, diz-me que o não é o melhor para ti, mesmo que não te pareça por agora.

É assim que também espero que me respeites de igual modo. Que não me fales mal, só porque sim, que não me desprezes só porque te apetece. No futuro, claro, quando a tua dependência de mim já não for necessária…

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Quando falo sobre a educação que vos dou, há muitas dúvidas sobre a questão da imposição dos limites, das regras.

Cá por casa, abunda a coerência. Um não, se bem fundamentado, é um não até daqui a 100 anos. E podem fazer as birras que quiserem, que não vai mudar.

Simplesmente o não, é dito talvez contigo ao colo, seguramente falado ao teu nível, para que eu não esteja num plano superior. É dito com carinho e compreensão pelo que tu estarás a sentir. Estarás triste e eu quero que saibas que estou aqui para ti.

Não podes fazer o que querias, mas estou aqui para ti. Tens aqui um abraço amigo para acalmares a tua dor.

Eu sei que para ti, neste momento, o brinquedo que o mano te tirou, é tão importante como o meu emprego. Que o não poderes ir ao parque infantil é tão importante como a minha viagem de férias cancelada.
O valor é diferente. A importância é igual. E é por isso que eu acho importante respeitar o que tu sentes, não menosprezar a tua frustração, deixar-te aprender a lidar com ela, e deixar claro, que mesmo que tenha sido eu a dizer-te que não, sou tua amiga.

“Precisas de um abraço?”

Podes falar comigo. Dou-te o direito de, desde que me trates com respeito, poderes dizer que estás zangado comigo, triste comigo. É a oportunidade que tenho para te explicar as minhas razões, escutar as tuas. Às vezes também eu estarei triste (até convosco) ou cansada (o que turva tanto as boas razões…). Dir-to-ei.

Não te posso nem quero bater (que exemplo te daria eu?), mas posso estar zangada contigo. Falaremos. E quando não queres, aguardo que te acalmes sozinho. Dou-te o teu espaço , que às vezes até é de orgulho ferido, e não te pressiono, mas deixo claro que é importante falarmos a seguir.

Aprendermos um com o outro. Aceitarmos que nem sempre estaremos de acordo, e que não há problema algum nisso.

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Para mim é importante deixar-te fazer birras. Deixar-te chorar e gritar, no sítio onde tu podes ser tu mesmo. Connosco. É agora que estás rodeado de segurança que podes aprender a ultrapassar as frustrações. Talvez assim, no teu futuro, as frustrações não passem de pequenos percalços ultrapassáveis.
Mas também é importante mostrar-te a questão do espaço do outro.

Se uma birra está a interromper o sono do mano, o meu trabalho, ou se é audível por toda a casa e fura a cabeça, pergunto-te se precisas da minha ajuda  para te acalmar. Se dizes que não, convido-te a sair.

Tens o direito de gritar à tua vontade, não tens o direito de incomodar os outros. “Precisas de ir gritar para a rua?”
Na porta da rua, podes dar largas à tua raiva e gritar o que te apetecer, sendo que moramos no meio do campo… Passado meio minuto estás de volta.
“Já acalmei, podemos falar”- dizes tu.

E eu fico tão orgulhosa…

Quero que confiem em mim. Não vos minto nunca. Desejo do fundo do coração nunca vos mentir. E espero com isso ser um exemplo para que nunca tenham a necessidade de me mentir a mim, nem a ninguém.

Cumpro sempre o que digo. Se nao der, explicar-vos-ei porquê e tento fazê-lo noutra  altura ou compensar com outra coisa parecida. Sendo que as compensações cá por casa, nunca são um brinquedo novo, mas antes um passeio ao rio, 15 minutos a brincar  aos carrinhos, 2 corridas para lá e para cá…

E sabes, mesmo que já não se lembrem do que vos prometi, eu vou cumprir.
É mesmo importante para mim ser essa pessoa em quem se pode confiar. E é importante sentir-me um exemplo do que gostava que vocês fossem. Alguém, tão raro hoje, em quem se pode confiar.

Tudo isto rasga e molda a minha forma de ser. Tentar ser melhor, tentar ser um bom exemplo para vocês é finalmente ter a coragem de me reconstruir à imagem do que sempre desejei ser. 

Sabes que eu nem sempre estarei certa? Treinamos para que mo possam alertar.
Quero aprender convosco.

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Sabem que já aprendo tanto convosco?

Quando vos ensino estas técnicas de auto-conhecimento das emoções, de auto-controlo em relação ao espaço e vontade dos outros, estou a fazer os possíveis por saber fazer o mesmo nas outras facetas da minha vida.

Quando tenho de recusar a mim própria a vontade de facilitar a coisa, mandar dois gritos e por-vos em ordem, e em vez disso faço de calma moderadora pela milésima vez, estou eu própria a aprender a controlar-me.

Quando questiono as formas tradicionais de educação que aprendi e tento fazer as coisas de forma mais pensada, mais consciente, mais correcta, sinto-me a contribuir para um sociedade em que os conflitos podem ser resolvidos com compreensão.

Muitas vezes, há a ideia utópica de que filhos criados desta maneira, devem ser crianças muito calmas, muito educadas, muito certinhas… Não sei dos outros criados desta maneira, nem entro em comparações em nada da vossa vida.

Mas sei que vocês fazem muitas birras, esperneiam ocasionalmente, levantam a voz quando estão mesmo chateados, e já duas vezes tentaram levantar a mão num acesso de expressão física de total desagrado.

Lá está, para mim, não bater, é um limite muito claro, absolutamente inquestionável. Seria mais fácil reagir com uma palmada de volta. Muito mais efectivo a curto prazo. Ou mesmo a longo prazo: “Não faço, porque senão também levo”…

E que raio de coerência estaria a passar-vos?
“Tu não podes bater.” Mas eu teria batido… Qual a mensagem?
Só os mais fortes podem bater?
Só os pais, porque estão no comando (a célebre palmada educativa…)?

E deixar ao acaso do destino…

Quando forem adultos, logo se vê quem comandam vocês (uma empresa, um país…), e como o farão…
Quando eu envelhecer e vocês forem mais fortes do que eu, logo se vê como reagirão às minhas birras de velha, parecidas às vossas de criança…

Um jogo de espiral inesperado e perigoso.
Não! Rejeito e não acredito nisto!
É importante que sintas, que bater numa pessoa mais velha é inadmissível.
Dir-to-ei do meu jeito mais firme e assertivo:
“Eu não deixo que tu me batas”, mas fa-lo-ei lembrando-me que essa parvoíce te deu por alguma razão.

Terei estado ausente nos últimos dias?
Terei falhado contigo de alguma maneira?
Vou tentar compreender essa razão. Vou tentar ajudar-te a ultrapassá-la.
Na próxima vez que te sintas assim, talvez me procures para te ajudar, antes de te dar para a parvoíce…

Mas assim é, para já são crianças como as outras que vejo.
Nada perfeitas, cheias de maravilhas e defeitos.
A deixar-me encantada, esgotada, honrada…amada…

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Eu não estou a tentar criar-vos crianças perfeitas, de resultados impecáveis e previsíveis. Estou a tentar criar raízes. Profundas raízes de respeito e amor entre nós, e que espero depois se multipliquem ao longo do vosso caminho na vida.

Na esperança de que a sociedade seja como a Natureza.
Sabendo que é apenas uma semente que gera as raízes. E que as raizes serão sempre a base das mais frondosas árvores.

Sou-vos tão eternamente grata por me ensinarem a transformar-me.
Estou no caminho. Apaixonada por todos os bons e maus momentos. Na esperança de vos ajudar a seguirem, sem medos, o vosso eu ideal.

Plantemos sempre amor.
Vossa Mãe