futuro

No início da pandemia, deparei-me com as redes sociais inundadas de mães aflitas.
As escolas encerravam e as mães pediam ajuda porque “não sabiam o que fazer com os filhos todos os dias em casa”.
No “suposto fim” da pandemia, deparo-me com inúmeras publicações de mães desesperadas por despacharem os filhos para algum lado. Porque “já não os aguentam”, porque “precisam urgentemente da sua individualidade e da sua vida de volta”.

E eu vejo isto e ando angustiada…
Ando eu a pregar às pessoas que se preocupem com os seus idosos, ando eu a sensibilizar à preocupação com os animais… e afinal há mães, de famílias supostamente bem estruturadas, influencers com milhares de seguidores nas redes sociais, que não aguentam sequer estar com os próprios filhos 1 mês e meio, em casa.

Será só a mim, que esta realidade estranha, distorcida e potencialmente perigosa atinge o coração de tristeza?

Sou mãe a tempo inteiro, apesar de também trabalhar quase diariamente no meu alojamento local, apesar de fazer ensaios e concertos, dar workshops e trabalhar na agricultura e manutenção da quinta.

Mas salvo muito raras excepções, os meus filhos estão comigo, quase sempre.
E tal como as mães que se queixam nas redes, tenho dias em que já não os posso ver à frente.
Ser mãe é o trabalho mais difícil da minha vida!
Tenho dias de gritos, tenho dias de casa num caos, tenho dias de más refeições feitas à pressa, dias de birras que me parecem ridículas e extenuantes, tenho dias de cansaço extremo, e dias de ser má mãe!

Mas não tenho um único dia em que queira a minha vida de volta.
Aliás, não sei o que é querer ter a vida de volta. Esta é a minha vida! Escolhi ser mãe!

Se virmos as coisas pela matemática, o desejo de liberdade na maternidade é irónico, no mínimo.
Vivemos uma média de 80 anos.
Os nossos filhos vivem connosco cerca de 20 anos.
Mais concretamente, realmente dependentes de nós, vivem 10 anos. Mas façamos a média nos 15.
Se considerarmos que também nós não fomos independentes durante os nossos primeiros 15 anos, sobram 50 anos.
Significa que temos cerca de 50 (CINQUENTA) anos para viver “la vida loca” sem a dependência dos filhos.

Não chega????

Precisamos de hipotecar os  primeiros 10 anos deles, a empandeirá-los para as creches, para as escolas, para os ATLs, para as actividades extracurriculares, para as babysitters, para os avós, porque… precisamos desesperadamente da nossa liberdade?

1 mês e meio com os filhos em casa …

Estamos no meio de uma pandemia, em que o mundo inteiro parou de medo, e pelos vistos, nem isso é motivo suficiente para amarmos mais os nossos filhos e querermos tê-los junto a nós (aceitando que a maternidade é difícil!).

Caramba, como me aflige esta sociedade…

E não posso deixar de descobrir a enorme diferença que há entre ter filhos, e ser Mãe.

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Tenho saudades. De ver o mar e o pôr do sol nas ondas.
De sair quando quero, e de abraçar os amigos.
Tenho saudades de ter mais certezas sobre o meu futuro próximo. De saber que ia ter trabalho e rendimentos suficientes.
Mas nada disso me põe em ansias de ir para a rua neste momento ou tão rapidamente quanto possível.

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Acho graça quando falam de que estamos a ganhar. A quem, ao quê? Porque é que tudo é uma competição?..
“ganhou ao cancro”, “estamos a ganhar ao vírus”, “venceu a morte…”
Como se alguém vencesse a morte…
O meu filho, sobreviveu a uma cirurgia de 6 horas ao coração, com 10 dias de idade (e às outras que se seguiram).
Lembro-me de na altura ter pensado que ele tinha pedido à morte, que nos diziam quase certa, para esperar. E ainda hoje eu peço que ela possa esperar até ele ser muito, muito velhinho…
E com este pedido, vivemos. Vivemos ainda mais.
Mas com a humildade de que não somos superiores nem vencedores. Apenas parte de um ciclo que não controlamos.

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É que ninguém vence a morte que já nos rodeia.
Ninguém ganha às dores que nos acompanharão depois do isolamento.
Aprenderemos a ultrapassá-las. A viver com elas. A viver ainda mais presentes e mais gratos depois delas.
Tudo isso é possível e desejável.

Mas porquê falar em ganhar? Porquê continuar o ciclo da conversa da guerra, quando podemos falar do poder do amor?

Eu também acredito que não nos podemos fechar para sempre. Que seria de nós?
Também acredito que teremos de aprender a viver com (mais) um vírus à solta.

Mas ainda não é o tempo de sairmos à rua como se nada se tivesse passado e como se tudo não continuasse por aqui.

Sei bem, que no fim disto, seremos ainda mais falidos que infectados.
Mas isso não pode ser desculpa para enviar os soldados para a frente da batalha, contando ganhar uma guerra que na verdade não existe, porque não a controlamos.

Não é tempo de falar em ganhar, quando até agora perdemos tantos.

É tempo de pensar globalmente como ajudar quem não tem recursos para fazer face a mais um tempo resguardados.

É tempo de pensarmos, mas pensar mesmo, que se o dinheiro não cresce nas árvores, nem é um recurso finito não renovável, que se o dinheiro é uma invenção feita pelo homem… que o homem, que tanto preza o dinheiro, pode sempre fazer mais a qualquer momento (tal como faz para injectar na banca falida), e distribui-lo, realmente distribui-lo, por todos. Para colmatar necessidades básicas e fossos de injustiça gigantes que existem há muito e não vêm só do Covid 19.

Aí já não teríamos de falar em guerras, nem competição, nem vencedores…

Eu, que não sei fazer dinheiro, penso em permacultura (agricultura orgânica e comunitária) como forma de ajudar à autosubsistência da minha futura comunidade. Penso em vegetarianismo para fazermos parte de ecossistemas saudáveis e duradouros. Penso na arte como símbolo de partilha e inspiração.

Mas não penso em sair para já.
Porque prezo a minha parte de empatia e humanidade para com a saúde de todos.

Em que soluções pensam vocês?

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📷Patrícia Resende

“Vamos todos ficar bem.”
Penso que não há frase que me irrite mais neste momento…

Também me irrita a de que temos todos de estar em pânico, e que é crime “romantizar” o vírus.

Talvez eu esteja algures no meio termo.

Sei, que não vamos “todos” ficar bem, nem vai “tudo” ficar bem.
Há morte, traumas, stress e dores profundas a rodear-nos por todo o lado, que estarão lá para serem sarados, muito depois de nos deixarem sair à rua.

Por outro lado sei, que este momento, é o tempo certo para ter esperança, para idealizar um futuro comum, mesmo quando só temos dúvidas sobre os nossos futuros individuais.

Estou em isolamento há mais de um mês.
Apesar da incerteza dos nossos trabalhos futuros, estamos de certa forma tranquilos nas nossas tarefas na quinta e nas brincadeiras e ensino aos nossos filhos.

Mas estar “bem” não me impede de entender que o medo, a morte e a dor rodeiam o meu mundo. E a isso não posso ficar indiferente.

1 – Não vamos todos ficar bem! Dizer o contrário é negar a realidade que nos atingiu, e permitir que após o pânico, voltemos de imediato à nossa vida superficial e indiferente à vida do outro.

2 – Por outro lado, podemos e devemos ficar melhores do que fomos até agora. Saradas as inúmeras feridas que resultarem destes tempos, podemos assumir o controlo de tudo o que tem falhado na forma como conduzimos, e conduzem, as nossas vidas. E isso é possível!

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Debruço-me então sobre ambas as premissas.

Não vamos “todos” ficar bem quando há pessoas a morrer sozinhas sem o último abraço dos seus filhos, quando há crianças internadas que não podem ver os pais, sem entender sequer o porquê, quando o isolamento de alguns é feito em pânico e solidão, gerando traumas, stress e ansiedades que não se resolvem no dia em que isto acalmar.
Não vamos ficar “todos” bem, quando há médicos e enfermeiros e polícias e bombeiros a abdicar voluntária e conscientemente das suas famílias por tempos indeterminados, em meio de mágoas e medos profundos.
Quando há pessoas sem dinheiro para as compras básicas, porque perderam o emprego, sem previsão de quando voltarão a obter novos recursos.
Quando há vítimas de violência doméstica, mulheres, homens e crianças que estão neste momento ainda mais vulneráveis.

Quando há países ainda menos preparados que nós, ainda com menos recursos onde a fome já existe e a pandemia vai ser só o acelerar e aumentar de mortes já encomendadas.
Quando se avizinha uma crise económica de proporções épicas que levarão milhões à miséria.

Se entendemos todos que é difícil estarmos fechados sem poder abraçar os nossos e com menos comida que o habitual, é impensável imaginar o que fará um isolamento forçado no meio de famílias desestruturadas ou de comunidades miseráveis.

Não, não vamos todos ficar bem.
Dizê-lo e pensá-lo é, quando isto acalmar e depois dos primeiros abraços (que alguma coisas do que é importante havemos de ter entendido), ir a correr para os centros comerciais comprar coisas supérfluas, e para os longos dias de trabalho longe dos filhos e para as 10 actividades extra-curriculares para fazer miúdos com “curriculum”… mas sem amor.

É importante pensar no amanhã. É importante pensar que batemos no fundo.
É importantíssimo entender para onde queremos ir!

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O vírus Covid 19, e isto não é romantizar (!), deu-nos a oportunidade do começar quase do zero. Podia ter sido qualquer outra tragédia, mas escolheu-se esta e nesta, tudo o que não podia acontecer, aconteceu.
Tudo o que era impensável, fez-se.
Os aeroportos fecharam, grandes fábricas fecharam, compraram-se só as coisas que realmente fazem falta, as pessoas voltaram para casa e para os seus, os pais descobriram os filhos (muitos pela primeira vez), trabalhou-se a partir de casa, estudou-se a brincar, alterou-se o sentido das profissões importantes. Inverteu-se a relevância do estatuto, porque se é importante, e é, o médico, também o é o auxiliar, ou o operador de caixa do supermercado ou o colector do lixo.

Percebeu-se que a economia, e os temíveis mercados e juros e bolsas, não podem ser superiores à vida e à sobrevivência.

Percebeu-se que os investimentos deveriam ser na Saúde e não nos bancos.
E que a banca, nunca será humana com as nossas necessidades, e só por obrigação estatal nos dão alguma folga da sua ambição faminta.

Precisamos de mudar!

Ao longo destas semanas ter-nos-emos com certeza, irritado com os nossos filhos, cansado com os nossos filhos, mas estou segura de que, salvo algumas excepções de pais, teremos aprendido que é maravilhoso estar mais tempo com eles, que há tanto da sua personalidade que afinal não conhecíamos e que o amor cresce com a proximidade.

Ao longo destas semanas, teremos reparado que afinal não era urgente comprar as coisas supérfluas de que não necessitamos e que a prioridade afinal são as coisas básicas que nos dão conforto real.
Teremos entendido que o consumismo desenfreado, leva ao capitalismo selvagem?
(não nos esqueçamos das pessoas, quer em Sintra, ou na América a vender máscaras e alimentos em leiloes exorbitantes a quem der mais, sem qualquer sentido de compaixão nem entreajuda). É esse o ideal do capitalismo que ajudámos a fundar. É esse o tipo de sociedade que queremos continuar a ter?

E as saudades de um passeio por entre as árvores, de molhar os pés à beira mar, de ouvir os pássaros, de ver uma flor? Será agora que vamos valorizar o papel da Natureza nas nossas vidas? Será agora que optamos por ter espaço e tempo na nossa vida para fortalecer essa ligação?

Este vírus, e isto não é romantizar (!) mostrou-nos de uma forma muito mais suave o que nos espera se continuarmos a destruir o planeta.

Falando em vírus, o degelo das calotas polares, liberta vírus de animais mortos e congelados há milhares de anos, que não sabemos sequer o que são, nem como os combater (já aconteceu na Russia).

O aquecimento global provoca secas profundas. A agricultura tornar-se-á quase impossível. Irá existir escassez de alimentos a um nível extremo.

Recordam-se o que foi ir ao supermercado e encontrar prateleiras vazias? É esse o mundo que nos espera.

Com as secas vêm mais fogos, como já todos começámos a experienciar. Como vimos na Austrália, pessoas morrem, hospitais sobrelotados, supermercados vazios.

Com as secas, quando chover, a terra não absorverá a água, e aparecerão as cheias. Lembram-se de acontecer no Brasil? Pessoas morrem, hospitais sobrelotados, agricultura acaba, pessoas à fome.

Com as cheias, esgotos ficam ao ar livre, lixo e químicos são espalhados pelas águas ao longo das cidades.
Resultado? Bactérias, vírus! Tão maus ou piores que o Covid 19.
Hospitais sobrelotados, pessoas a morrer, escassez de alimentos e água potável para a população.

Não é um filme de ficção!

Imaginem o que teriam sentido se eu vos dissesse que o mundo ia parar à conta de um, um só, vírus desconhecido? Decerto achariam uma ficção?

E no entanto, os cientistas, avisaram várias vezes para que, um dia haveria de existir um vírus que causava uma pandemia e o mundo não estava preparado. Deram dicas e planos de trabalho.
O último encontro a nível mundial da OMS para discutir este aviso, foi em Novembro de 2019.
Juntaram-se grandes empresários e representantes de líderes mundiais para preparação para uma possível pandemia.

Preparámo-nos?
Estamos todos a sentir que não!

Cientistas estão a avisar há anos para os desastres decorrentes do aquecimento global.

Preparamo-nos?

O Covid 19, com toda a dor, e paragem do mundo e das pessoas, que dele decorreu, é uma brincadeira de crianças comparado com os que os cientistas avisam que aí vem.

Imaginem fogos, tsunamis, cheias e vírus perigosos e desconhecidos, a acontecer ao mesmo tempo em vários pontos do país e do globo.
Pessoas a morrer, hospitais sobrelotados, fome e doença sem precedentes.

Preparamo-nos?

Os líderes mundiais, nunca o quiseram fazer.
A economia! A economia não pode parar.

Mas parou…

Então este vírus e isto não é romantizar (!) está a dar-nos a hipótese de termos um vislumbre do que poderá ser a nossa vida e a vida dos nossos filhos se não agirmos.

Com o Covid 19, pela primeira vez, olhámos para os nossos vizinhos e preocupámo-nos com eles.
Pela primeira vez, organizámo-nos em pequenas comunidades para ajudarmos os mais vulneráveis.

Pela primeira vez, passámos tempo com os nossos filhos sem entregar a sua vida e educação a outros, 11 meses por ano.

Pela primeira vez, percebemos que podíamos trabalhar de uma outra forma, sem perder horas de vida no transito.

Pela primeira vez, compreendemos o que era realmente importante comprar e ter.
As coisas básicas.

Quando isto acalmar, vão dizer-nos que temos de trabalhar ainda mais para recuperar a economia perdida.
Vão dizer-nos que não poderão existir medidas ecológicas, para recuperar a economia perdida.

Queremos mesmo perder os vizinhos que agora conhecemos? Querermos mesmo voltar a perder os filhos que agora conhecemos? Queremos mesmo perder o nosso tempo de vida em filas de trânsito e trabalho a mais? Para quê? Para recuperar a economia e podermos compensar as nossas frustrações comprando coisas que já compreendemos que não nos fazem falta?

Este é o tempo de mudar! Nunca tivemos uma maior oportunidade.
É o tempo de, mesmo na incerteza dos nossos futuros individuais, delinearmos um futuro comum.

É tempo de cuidarmos da nossa saúde, recusando os alimentos nefastos cheios de açúcar e gordura e pesticidas, e exigir que parem os subsídios estatais a estes alimentos, tornando pelo contrário os alimentos saudáveis os mais acessíveis.

As grandes pandemias do último século foram causadas pela passagem de vírus de animais para pessoas. À custa de um desejo de carne, animais enjaulados, criados em condições críticas sanitárias e de espaço, um pouco por todo o mundo, causaram pandemias como a Sars (porcos), a Covid 19 (morcegos ou pangolins), a gripe suína na America, a gripe aviária (aves), doença das vacas loucas em Inglaterra, ou mesmo o HIV que teve origem em carne de chimpazé comida por humanos em África.

Pergunto, para além dos antibióticos injectados na carne, que ingerimos diariamente, e que debilitam o nosso sistema imunitário, há ainda este risco real de pandemias, valerá a pena?

O Covid 19, mata sobretudo (mas não só, não nos iludamos) as pessoas mais vulneráveis, com outras doenças como diabetes, insuficiência cardíaca, doenças respiratórias como asmas ou renites, hipertensão.
A maioria destas doenças tem origem na alimentação.

É tempo de exigirmos tratar a origem, não isolar o problema.

É tempo de cuidarmos da nossa educação, não deixando que as redes sociais e o voyeurismo da comunicação social nos mine com desinformação e manobras de diversão que nos afastam dos verdadeiros problemas.

É tempo de cuidar do planeta.
Simples assim. Porque se não cuidarmos, o cenário será muito pior do que agora.

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Eu não sinto o isolamento da mesma forma que muitos. Os meus filhos sempre estiveram em casa, não andavam na creche, pelo que nada é novo na nossa relação. Temos uma horta e muita Natureza à nossa volta. Resultado de uma longa procura e de muito, mesmo muito trabalho de recuperação ao longo dos anos. A minha pequena quintinha custou substancialmente menos do que um apartamento em Lisboa. Mas por estes dias é um enorme tesouro. Para mim, sempre o foi.

Mas se repararam, durante este texto, não disse uma única vez, quando esta crise acabar. Disse acalmar. É que não vai acabar.
Tal como nasceram novas medidas de vida após o 11 de Setembro, novas formas de controlo do ser humano irão nascer após esta pandemia.

Por ora são necessárias e acato-as, respeito-as e digo a todos pra as cumprir, sem segundos pensamentos.
Mas queremos mesmo que o distanciamento social, a falta de liberdade e escolhas façam parte do nosso futuro?

Temos dois caminhos quando esta crise acalmar.

Continuarmos a seguir o que nos dizem ser certo, com destino ao domínio, à separação e ao isolamento (sendo que há varias formas de isolamento).

Ou aproveitarmos esta possibilidade única de renascer, para assumirmos poder nas nossas vidas, com base na união, no renascimento de comunidades, no restauro de ligações perdidas, com a nossa família, com os nossos amigos, com a Terra.

Temos a possibilidade de voltar a viver como já há muito não fazíamos.

Qual será a nossa escolha?

Falemos de acordos.
O que aprendi é que nunca é demasiado cedo para começar a ensiná-los e a praticá-los.

Sabem aquelas birras gigantes para sair do parque infantil, para pararem uma barulheira quando precisamos de acabar um trabalho, para devolverem um brinquedo ao irmão, para virem para a mesa…?

Então é assim, vou directa ao assunto, não adianta nada chamar 500 vezes, tentar que tenham empatia pelo nosso desespero, ralhar, gritar…
Nada.
Muito provavelmente o resultado vai ser que nos ignorem ainda mais, ou que comecem eles próprios a sentir e a replicar o nosso stress. Com a consequente bola de neve que isso faz.
É verdade que eles são pequeninos (os meus têm 3 anos), mas acreditem que já sabem muito bem o que querem e muitas, muitas vezes, o que eles querem naquele momento, não é nada coincidente com aquilo que nós queremos. E… verdade seja dita, porque é que eles têm de parar de brincar no horário que eu imponho para comer?

Por outro lado, não me dá jeito nenhum, ter a vida ao sabor da maré das suas vontades.

Então por aqui, desenvolvemos as seguintes estratégias:

  • Respeitá-los (acima de tudo, esta é a palavra chave)
  • Avisá-los do que os espera, com alguma antecedência
  • Comunicar quando não estamos de acordo
  • Fazer um acordo

 

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Photo: Cátia Sousa

A primeira vez que a eficácia dos acordos me atingiu, foi na hora de dormir.
Tenho 2 filhos. Gémeos. A hora de dormir nunca foi a situação mais calma cá de casa. Um cantava, o outro chateava-se porque queria dormir, um batia com a mão na parede, o outro começava a levantar-se… e por aí fora.
As minhas estratégias foram muitas:
– a pacífica: “amor, está na hora de dormir, agora não podemos fazer essas coisas, tens de fechar os olhos para o soninho vir…”
– a empática: “o teu irmão quer dormir, eu também quero ir para a cama, vamos respeitar…”
– a nada empática…: “escuta, queremos dormir, se não páras e não tens sono, tens de sair do quarto” (sendo que o resto da casa estará escuro)
Conseguem compreender para onde isto se dirige, certo?…
Resultados? Uma vez ou outra, qualquer uma das três, ou outras, terá funcionado. Mas recorrentemente? Não. De todo.

O resultado era essencialmente uma mãe frustrada, a achar que não consigo que os meus filhos me respeitem (muito diferente de “que me obedeçam”, que não é uma aspiração minha).

A determinada altura, devo ter tentado a frase mágica:
– Quantas vezes mais precisas de fazer isso? Uma, duas?
Algum terá inocentemente dito duas e assim foi. Terá cantado, saltado na cama ou gritado alto, duas vezes contadas em voz alta, por mim.
“Pronto filho, obrigada por teres parado” (mesmo que ainda não o tenha feito).

Qual é o efeito disto?
O meu filho sentiu-se ouvido na sua necessidade (por absurda e stressante que seja para nós) e teve independência para ser ele a controlá-la.
Esta dádiva de lhes dar o comando da situação é muito importante para eles.

Se repararem bem, as suas curtas vidas são uma longuíssima enciclopédia de nãos.
E convenhamos que, mesmo para nós, uma vasta série de nãos é uma vasta fonte de stress.

O acordo vem equilibrar a balança.
Há coisas de que não abro mão e sou eu que decido (enquanto eles anda estão em aprendizagem): a segurança, a educação para com os outros, o respeito pela vida…
Há coisas em que lhes posso dar uma pequena vantagem, que os faz serem mais confiantes e sentirem-se mais em pé de igualdade comigo. E sim, para mim isto é importante.  É importante que eles se sintam com o mesmo valor e direitos que eu.
Acredito que se me virem a respeitá-los desde crianças, façam o mesmo comigo quando forem mais velhos.

Mas o acordo faz também com que aprendam que nem tudo gira à volta dos seus desejos e tempos, e às vezes é preciso fazermos concessões em prol do bem estar ou desejos das outras pessoas. E isto, para mim, também é uma aprendizagem muito importante.
Já conheci alguns adultos que ainda não aprenderam isto…

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Photo: Cátia Sousa

Assim sendo, deixa alguns exemplos de algumas situações específicas que acredito que todos passem:

Parque Infantil (ou casa de amigos, ou loja de brinquedos)

– 5 minutos antes de eu me querer efectivamente ir embora, vou avisá-los:
“Amores, daqui a pouco tempo temos de ir embora, porque ….(temos de ir comer, o pai está a chegar, blablabla). Podem andar mais um bocadinho e depois vamos”
– 2 ou 3 minutos antes (sendo que os meus ainda não têm grande noção de tempo), vou dizer-lhes:
“Pronto, está na hora, quantas voltinhas queres fazer mais antes de irmos embora?”
Por norma dizem 2 ou 3, eu conto alto, para eles saberem a quantas estão, e no final do combinado, os meus miúdos saem pacificamente de qualquer lado.

Ir para a mesa

–  10 minutos antes vou dizer-lhes:
“Amores, o jantar está quase pronto, mais um bocadinho para brincar e depois vão lavar as mãos”
– 5 minutos antes:
“estou mesmo a acabar o jantar, quantas voltinhas ainda vais dar com esse tractor?”
– 2 minutos antes:
“já acabaste as voltinhas? o jantar vai para a mesa”

Não é tão pacífico quanto o sair de uma zona pública. Estão em casa, no seu canto de segurança, por isso, por vezes lá há um que fica a brincar e não quer vir jantar.
Mas por aqui, como já disse antes, respeitá-los, não significa não impôr regras.
A hora da refeição é para estarmos todos. Eu estive a cozinhar para a nossa equipa família, por isso é preciso valorizar o meu trabalho e o momento em família. Quem não vem para a mesa, quando a comida vai para a mesa, já não come.
E é um facto, houve um dia em que ficaram ambos sem almoçar.
Se foi fácil para mim? Não.
Mas expliquei-lhes com toda a calma, que a hora da refeição já tinha acabado. Eu tinha chamado e eles tinham escolhido brincar e não comer, portanto agora tinham de lidar com a consequência.
Uma birra de 1 hora e um lanche super reforçado depois, a verdade é que resultou.
Agora, o acordo que vos disse em cima, não contabilizando um atraso ou outro, que aqui não somos a tropa, funciona muito bem.

Ir às compras

Ir ás compras com crianças pode ser muito stressante. Nós temos os nossos objectivos e eles não estão nem para aí virados.
No supermercado (e nós gastamos um bocado de tempo porque compramos muita coisa a granel) o truque é usar muito bem os carrinhos de compras. Podem andar sentados, podem andar em pé, lá dentro, podem conduzi-los (sim, com supervisão e longos corredores). Mas sobretudo envolvê-los nas compras em si. São eles que vão buscar produtos, que põem os legumes nos sacos (de pano!), que dizem o número para pôr na balança (e às vezes que o marcam).

Mas quando as compras são roupas ou outros produtos do género, a coisa é mais complicada. Nós normalmente só vamos às lojas de roupa nos saldos, mas como decidimos ter pouca roupa e de qualidade para durar mais (para bem do Planeta e dos trabalhadores escravizados pela indústria da moda), a busca é um bocadinho mais demorada.
Nessa altura, chegam os acordos.
Escolhemos um sitio que tenha as lojas que nós precisamos, mas que também tenha 2 ou 3 opções de brincadeiras para eles. E o acordo é:
– Agora vamos a 3 lojas de roupa comprar o que a familia precisa e a seguir vamos à zona dos escorregas. Depois vamos a mais duas lojas e vamos às bolas. E assim sucessivamente.
Às vezes há lojas que já têm entretenimento para os pequenitos, como a Kiabi. Ou há lojas que mesmo não indo lá comprar nada regularmente, fazem as delicias dos pequenitos, como a dos Legos ou uma livraria com uma boa secção de criança.
Por aqui temos a sorte de eles não pedirem para comprar nada. Nunca os habituámos a isso, por isso não entrou no registo deles. Sabem que o dinheiro é importante para pagar a comida, a casa e o carro para nos deslocarmos. E que se houver dinheiro a mais, às vezes compramos uns miminhos para a familia, incluindo brinquedos. Mas não é uma prioridade nem habitual, por isso não é referência para eles.
De qualquer forma, o importante é cumprir o que se diz. Ir contando as lojas e lembrando que a seguir é o tempo de fazer o que eles desejam. E nesse tempo, não vale entrar e sair. Direitos são direitos e é importante que eles sintam que o tempo para fazer o que eles gostam também é válido e importante.

Continua a ser um processo cansativo (sacos e putos e tempo a passar… vá… não é uma boa combinação). Mas é um processo de respeito e aprendizagem. Funciona muito, muito bem.

Dar o brinquedo ao irmão

Esta foi a que mais custou, mas a que deu mais resultados, porque ultrapassou a esfera da relação pais/filhos para abranger também a relação fraternal.

Portanto, façam-me o favor de ler mentalmente, acompanhado de muitos gritos e muito choro:
– “Oh mãe, o mano roubou o binquedo”
– “O mano já tava a bincar há muito tempo”

Explicadas todas as técnicas de “primeiro pedes, roubar não, perdes a razão, também não gostavas que o mano te roubasse a ti, etc, etc, etc…”, a melhor técnica, foi a do acordo:

–  “Oh mãe, o mano já tá a bincar há muito tempo com o carro”
–  “Pergunta ao mano quanto tempo é que ele precisa de brincar mais, para depois partilhar contigo”
– “Tantas vezes” – responde com despeito, o detentor do objecto desejado
–  “Mas eu não queo, eu queo bincar agora” – grita o que não tem o brinquedo
–  “Amor, o mano gostava de brincar também com esse brinquedo, achas que gostavas de trocar com o que o mano tem, e depois podiam combinar quantas vezes brincam e  se quiserem trocam outra vez”
– “Mano, qués trocar o binquedo comigo?” – pergunta o desesperado, em soluços reprimidos (roubar é muito mais fácil…)
– “Só vou bincar mais 2 vezes e depois já tá, sim?” – acaba por responder sem custo o que não queria trocar.
E fica resolvido. A partir dessa frase, o outro já está contente, porque a vida já não é uma incerteza, já sabe o que o espera.

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Photo: Cátia Sousa

Às vezes nem há troca. Muitas vezes, ao fim de um longo ano de mediação, eu já nem me intrometo.
“Fala com o mano, cheguem a um acordo”.
E eles já fazem um acordo entre si. Por norma, o seu tempo de duração é uma mão cheia.
“Eu so vou bincar isto (mão cheia) e depois dou a ti, sim?”

Já vi um deles tentar entrar em acordo com uma menina sobre quantas voltas no triciclo ela daria, antes de lhe emprestar a ele.
A menina não sabia destes acordos e ia-lhe passando por cima 🙂
Ainda assim, mesmo que o acordo ainda não seja uma moeda de troca muito fluente entre os pares deles, eu acho importante que eles saibam praticar esta atitude tão importante nas relações humanas.
Saber reivindicar os seus direitos enquanto se tenta respeitar os direitos dos outros. Aprender a fazer cedências. Entrar em acordo.

Quanta diplomacia deste género está em falta em muitos governos no nosso globo…?

A educação é sem dúvida uma experiência laboratorial… eu, definitivamente, não sei o que está certo ou errado. Só faço o meu melhor. E espero que estas dicas vos ajudem, em alguma altura mais conturbada.

Que plantemos amor!

Uma grande solução para não poluir o ambiente é usar fraldas reutilizáveis.
Segundo um estudo da Quercus cada bebé usa por mês uma média de 250 fraldas descartáveis durante 2 a 3 anos. Ou seja, cerca de 9000 fraldas em 3 anos.

Agora pensemos bem. Cada fralda, atenção, cada fralda, demora entre 500 a 600 anos a decompôr-se.
Ora, convenhamos, que é no mínimo muito estranho uma fralda com os nossos dejectos  de bebé ainda andar cá quando até os nossos trinetos já tiverem morrido… Mas pior ainda, é o mal que faz ao nosso planeta, ao nosso corpo com os seus inúmeros químicos e claro, por consequência, à nossa existência!

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Por isso, nós por aqui usámos fraldas reutilizáveis. Para proteger o ambiente, a pele dos bebés e a nossa bolsa!

Lá mais para baixo, dou umas dicas de fraldas para comprar, mas a aventura começou comigo a fazer fraldas durante a gravidez, a partir de pijamas velhos e velhas toalhas turcas 🙂

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A minha obra prima 🙂 :img_7747.jpgTambém optámos pelas Toalhitas reutilizáveis

As toalhitas e a forma inconsciente como as usamos a torto e a direito, são um dos maiores poluentes caseiros que fazemos.
Mais do que isso, a Organização Mundial de Saúde recomenda que os bebés sejam limpos com tecido ao invés de com toalhitas descartáveis impregnadas de químicos agressivos, muitas vezes alguns considerados como potencialmente cancerígenos.
Portanto, continuámos com o tecido para proteger os rabinhos das assaduras.
Isto são algumas das toalhitas, também reaproveitadas dos velhos pijamas e toalhas. A limpeza era com água com umas gotinhas de óleo de amêndoas doces.
O mais natural possível para a pele dos nossos gémeos. Passados 3 anos ainda as uso.

O mesmo serve para lenços para assoar o nariz. O nariz nunca fica assado e o nosso futuro e o ambiente agradecem.

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Agora vamos a preços:

O investimento inicial das fraldas reutilizáveis, parece ser mais elevado do que os das fraldas descartáveis.  Cerca de 500€, o que é o equivalente a meio ano de fraldas descartáveis. Mas, atenção, com uns ajustes ou outros, ocasionais, é um investimento até ao desfralde do bebé (+- 3 anos). Conquanto as fraldas descartáveis, com todos os males para o ambiente e para a pele, em 3 anos terão um custo aproximado de 3000 euros… Posto desta forma…
No entanto pode-se sempre contornar a questão de um investimento inicial elevado através das seguintes maneiras:
– pedir à família e amigos para darem uma ou duas fraldas cada um, no chá de bebé ou na visita à maternidade. Cada fralda nova custa no máximo cerca de 20€ cada uma, as mais caras.
– Pode-se comprar em 2ª mão. Esta é uma vantagem das fraldas reutilizáveis. Bem desinfectadas podem ser usadas num irmão mais novo que venha para aí, ou num sobrinho que esteja a chegar. E nesse caso, o investimento passa ainda a ter um valor mais reduzido pois serviu para duas ou mais crianças.
Há grupos no facebook, por exemplo, que vendem as fraldinhas em 2ª mão, em excelente estado, por metade do seu preço original.

É muito importante, juntarem-se a grupos virtuais e ver as criticas às várias marcas de fraldas. Há umas que são de facto muito más e dão muitas fugas. Vale a pena perder uns dias a pesquisar bem, para minimizar os riscos do investimento e a eficácia do uso. Afinal, também percorremos várias lojas em busca dos melhores sapatos e neste caso, é algo que vai durar e ser usado intensivamente durante 3 anos…

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A experiência cá por casa:

Practicidade –  Nós usámos a grande parte do tempo e tínhamos, claro, 2 crianças em fraldas ao mesmo tempo. Não acho que haja necessidade de irmos além das nossas capacidades para fazer nada, por isso houve alturas em que as fraldas reutilizáveis não eram a solução ideal. As descartáveis são indubitavelmente mais práticas e não requerem qualquer trabalho. Por isso, de vez em quando aproveitei os seus benefícios. Mas como em consciência sabia que isso não era o correcto, rapidamente ajustava melhor os absorventes, os tamanhos, para que não houvesse fugas, e lá iamos nós, de consciência tranquila e experiência tranquila com as reutilizáveis.

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Pele – A nível da pele, posso dizer que em 3 anos os nossos miúdos ficaram com a pele “assada” 3 ou 4 vezes e só nessas alturas específicas usaram aqueles cremes cheios de químicos. (O facto de dizerem aos pais para usar esses cremes todos os dias na pele ultra sensível e influenciável dos bebés, ultrapassa-me por completo). Compensa bastante usar pano, agua e um creme natural!

Visual – Em termos de visual não havia dúvida, os nossos putos ficavam mesmo giros com estas fraldinhas!

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Resiste-se?…

Então, vou dar-vos um apanhado das opções que andam por aí, para depois poderem pesquisar a vosso gosto.

a) Pré-dobradas que podem ser mais elaboradas com absorventes por dentro, como estas da foto, ou podem ser as velhinhas musselinas usadas pelas nossas mães.

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Usam-se sobretudo de noite por serem mais absorventes. Estas são feitas de bambu ou cânhamo – materiais excelentes para a pele dos bebés.

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Por cima aplicam-se as capas impermeáveis, que fazem com que não haja fugas.

c) Fraldas de bolso
já muito parecidas com as descartáveis (só é preciso tirar o absorvente de dentro para lavar).
E MUITO mais fofinhas do que as descartáveis 🙂

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d) as AIO
As AIO são tal e qual as descartáveis, só que no fim, em vez de ir para o lixo, lavam-se e reutilizam-se.

Ajudas extra:
Para colocar na fralda (serão a primeira camada junto à pele do bebé):
Fleeces –  os polares, podem comprar ou fazer como eu, que recortei de uma manta de 3 euros e que cumprem 2 funções:
– deitar mais facilmente os cocós para a sanita
– manter a pele do bebé mais seca
Liners – Toalhitas secas de papel biodegradável que se podem colocar directamente na sanita como o papel higiénico.
Servem para o mesmo que os fleeces, uma maior facilidade na remoção das necessidades sólidas.

Os ganchinhos chamam-se snappies e substituem os antigos alfinetes 🙂

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Como se lavam?
Como a roupa!! Na máquina!! Depois de deitar os cocós fora (o que os fleeces e liners tornam mais fácil), podem colocar-se num caixote à parte com um pouco de óleo de Tea Tree (desinfectante natural e inibidor de cheiros) até acumularem suficientes para a lavagem. Depois lavam-se com o detergente normal, sem amaciador, e alguns detergentes ecológicos especiais que ajudam bastante na limpeza, são baratos e duram imenso.

Para mais informações procurem por exemplo o grupo do facebook Fraldas Reutilizáveis onde vão encontrar muita ajuda.

Pelo bem do ambiente, do nosso futuro, dos bebés sem químicos e da nossa economia, experimentem!

Hoje é dia da raiva.
Que estranheza existirem estes dias de celebração de coisas que não interessam.
E no entanto, isso leva-me a pensar no seu oposto.
A calma.
Eu que já acalentei propositadamente mágoas que descambaram num cultivo impróprio de raivas no meu peito, hoje, busco acima de tudo… calma.
Hoje, como esposa, como profissional e sobretudo, como mãe, vejo a calma como um superpoder.
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Os meus filhos não vão à creche. Sou mãe a tempo inteiro, revezando-me o melhor possível com o pai e quase sem família por perto para ajudar.
Com uma quinta por cuidar e pelo menos duas profissões para realizar… não é fácil.
Tenho dois miúdos de 3 anitos acabados de fazer, que trepam tudo o que seja vertical (ou mesmo diagonal e periclitante), cujas brincadeiras predilectas são água (não importa de que fonte e para que fim) e espalhar brinquedos (os poucos que têm) pelas várias divisões da casa.
E enfim, são dois irmãos da mesma idade, e tão depressa estão a planear conjuntamente a próxima traquinice, e a rir desalmadamente um com o outro, como qualquer pequeno pretexto serve para implicância e consequente choro, (diria… berreiro), e até agressões.
Tenho dois miúdos que são ávidos de descoberta e que, face à ainda normal dificuldade em aceitar nãos, revelam os seus mais agudos e temíveis gritos, e os desoladores beicinhos de discordância.
Tenho dois miúdos que se zangam e que se enervam.
E o que sei é que a experiência me tem mostrado que a calma é um superpoder.
Eu tenho um semblante relativamente calmo, uma voz baixinha e muitas ferramentas para saber lidar com todas as dificuldades de ser mãe.
Mas… nao sou de ferro.
E não são tão raras as vezes quantas gostaria, em que um grita e eu elevo também a voz. Em que descambo para a chantagem em ralhete: “se não páras, acontece isto ou perdes aquilo…”
Mas sou consciente. Quando faço coisas de que me não orgulho, recrimino-me, se achar que é válido peço desculpa e sobretudo tento de imediato voltar ao caminho que tracei para a educação deles (e minha reeducação).
Mas ainda assim, estes momentos ocasionais, são um bom exemplo de como a raiva, os nervos, o stress e o fraco discernimento são uma espiral.
Se eu ralhar com a voz mais alterada, os meus filhos respondem-me aos gritos, a roçar a má-educação.
Se eu respirar antes de me alterar (inspirar e expirar ajuda a acalmar), se me ajoelhar perto deles, se falar baixo e docemente, se aplicar a entreajuda… bolas, como o resultado é magnífico.
“Estás zangado? Eu percebo. Precisas de te acalmar, para conseguires pensar como deve ser e resolver esse problema. Precisas da minha ajuda?”
E é ver as suas carinhas até aí mascaradas com o biquinho de mau e os olhos zangados, a desabarem por completo.
Quantas vezes, em momentos de fúria, também nós só precisamos de alguém que nos diga: “Eu compreendo-te. Precisas de ajuda?”
Quantas vezes um abraço de alguém é suficiente para conseguirmos restabelecer o juízo e agir com nexo?
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No caso deles, crianças ainda puras dos moldes da sociedade, é ainda mais notório. E não quer dizer que resulte em 100% das birras que fazem, mas resulta seguramente em 90% de forma mais ou menos rápida.
O facto de me manter calma, apesar de a situação me pôr a fervilhar por dentro, resolve o assunto tão mais eficientemente do que se eu me puser a gritar mais do que eles.
É certo que tenho de parar o que estou a fazer, é certo que me leva ali 5 ou 10 minutos de colinho e abraços e conversa, exactamente no momento em que tinha de enviar o e-mail urgente ou pôr o jantar ao lume… mas mal esse tempo acaba, os meus filhos são outros. Dispõem-se a fazer exactamente aquilo que não queriam e que originou a birra, sentem-se tranquilos e, mais importante do que tudo, sinto que a sua confiança em si próprios e em mim cresce notoriamente.
Um dos ensinamentos que mais me orgulho de lhes passar e aprender com eles, é que somos nós quem controla as nossas birras, os nossos nervos, as nossas frustrações…
“Estou muito zangada” – digo-lhes às vezes, depois do primeiro grito, à visão de uma qualquer colcha pintada a caneta de feltro – “preciso de respirar para me acalmar”.
Eu sou o exemplo. Eu assumo as minhas fraquezas e corrijo-me em frente a eles.
Não preciso que me achem perfeita. Preciso que saibam que faço o melhor para ser boa mãe e que isso as vezes significa perceber que estou errada ou que ainda não sei tudo.
Por norma, sentam-se comigo a respirar também. Por vezes abraçam-me ou fazem-me festinhas. “Já tás feliz, mãe?”
“Já acalmei, sim. Podemos falar?”
E a verdade é que falado, em vez de ralhado, se tem revelado muito mais eficiente para que não volte a acontecer.
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Imaginem o que seria as pessoas conseguirem escutar-se umas às outras em vez de entrar em espirais de discussões.
Imaginem o que seria crescermos todos assim e isto dar realmente resultado. Imaginem o que seria as nações respirarem e conversarem antes de decidirem entrar em mais uma absurda e dramática guerra…
Hoje, no dia da raiva, penso, constato e sei que a calma é um superpoder.

Hoje é dia do Ambiente e pela manhã deparei-me com esta notícia nos jornais:

“Uma dieta vegan, é provavelmente o melhor caminho para reduzir o nosso impacto no planeta”  Joseph Poore, University of Oxford, UK

” Dada a crise global da obesidade, mudar a dieta, tem o potencial de nos tornar a nós, e ao planeta, mais saudáveis ”. Prof Tim Benton, at the University of Leeds, UK

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O novo estudo, publicado na revista Science, é uma das análises mais abrangentes até à data e revela que retirar a carne e os lacticínios da dieta podia reduzir a pegada de carbono de um indivíduo até 73%. Reduziria também a área mundial cultivada em 75% e ainda assim alimentaria o mundo inteiro.

“Realmente são os produtos animais que são os maiores responsáveis (pela extinção das espécies e poluição do planeta). Evitar o consumo de produtos de origem animal traz benefícios ambientais muito melhores do que tentar comprar carnes e laticínios sustentáveis, e é muito maior do que evitar as viagens ou comprar um carro elétrico”

A pesquisa da equipa de Joseph Poore é o resultado de um projeto de cinco anos de duração, que inicialmente começou como uma investigação sobre a produção sustentável de carne e laticínios.

O cientista parou de comer produtos de origem animal após o primeiro ano de estudo…

Por aqui não comemos carne, nem peixe, nem lacticínios, nem ovos. Nada de origem animal. Eu sou vegetariana há 18 anos e vegan há 2, o marido há 6 anos e os meninos desde a gestação.

E estamos saudáveis e de consciência tranquila. Pelos animais e pela nossa casa – o planeta Terra.

Nas próximas publicações, irei compor algumas tabelas que vos ajudarão a compôr as vossas refeições vegetarianas de forma saudável.
Para bom apetite e boa consciência.

Espero que vos inspirem na vossa jornada pela defesa do ambiente!

Aconselho ainda que vejam o documentário Cowspiracy, para mais informações, e que se deliciem a encontrar receitas e muita, muita informação nutricional no blog Universo dos Alimentos.

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Que continuemos a Plantar Amor

Liana

(Quando aqui falar em televisão, quero dizer todos os ecrãs com entretenimento – televisão, computador, telemóveis e tablets.)

Então, em primeiro, calma. Nós temos telemóveis, computador e televisão. Raramente está ligada, mas temos.
Eu já fui viciada em cinema e continuo a adorar filmes e séries. E mais recentemente sou vidrada em documentários.
Mas os mais novos cá em casa… vivem muito bem sem televisão.

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Então vejamos como:
– até ao ano de idade, os meus filhos viram 0 televisão.
Sim, o número está correto. Zero.
Quantas vezes me fez falta? Muitas.
É seguramente mais difícil entreter uma criança, no caso duas, sem televisão.

Mas, e não é por ser obtusa, super protectora ou querer ser diferente, mas fi-lo porque li diversos estudos de pediatria que nos garantem que os bebés não estão preparados para ver televisão.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão faz (e telemóveis e tablets também):

1- os estudos referem que os estímulos visuais são demasiados e muito acelerados para a capacidade dos cérebros dos pequeninos.

2- o uso de ecrãs antes dos 18 meses, pode provocar atraso na linguagem, na leitura e na capacidade de curta-memória.

3- relacionam a tão falada hiperactividade com o demasiado tempo atrás de um ecrã, visto que nos desenhos animados os estímulos são constantes, coloridos e vibrantes e a criança fica “viciada” nessa forma de ser/estar.

4- causa crianças mais passivas a nível de criatividade, imaginação e entusiasmo próprio e com mais falta de cooperação, interesse e atenção nos estudos.

5- Em grandes estudos na América e Reino Unido relacionam inclusivamente a obesidade infantil, a agressividade e alguns problemas sociais e emocionais à exposição elevada e demasiado cedo aos ecrãs.

6- Vicia.

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Credits: Patrícia Resende

O que a televisão (telemóvel e tablet) não deixa fazer:

Mais ainda, do que o que a televisão pode fazer é o que a televisão não deixa fazer, ou seja:

1-  naturalmente os ecrãs impedem o contacto humano. Justamente aquilo que é mais necessário a uma criança, para aprender a relacionar-se consigo, com os outros e com o mundo.

2- a televisão impede o tédio, e por isso a consequente busca de entretenimento, através da criatividade e da resolução dos seus próprios problemas e frustrações.

3- minoriza a vontade de estimular fisicamente o corpo e a descoberta da Natureza e seus elementos

4- a televisão, na maioria dos conteúdos apresentados, impede a empatia e a sensibilidade ao outro, uma vez que as imagens de violência nos desenhos são uma constante a que fica habituada.

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Credits: Patrícia Resende

E as razoes continuam…
Mas estas, foram mais que suficientes para mim, para até ao 1º ano cumprir à risca, a regra de “no TV”.

A partir daí confesso que me vali algumas vezes.  Mas ainda hoje, têm quase 3 anos e a televisão está confinada a 1h ou 2h aos sábados ou domingos de manhã ou a uma ocasião esporádica de gigantes birras (e zero paciência maternal).

Verdade seja dita, por não terem sido expostos a esta realidade, os meus filhos, gostando muito de ver televisão, passado 1h já estão levantados a procurar outra coisa para brincar. Também o telemóvel é uma realidade muito restrita, em que jogam 1 jogo, adequado e didactico, ainda menos que uma vez por semana.
Tablets não sabem o que é.

Sim, têm quase 3 anos e não, não vão ser infoexcluidos.  Vários estudos demonstram que a exposição mais tardia não invalida a falta de capacidades para mexeram em ecrãs nem a sua eficiência e rapidez em relação aos mesmos.

Nesta fase de vida, as crianças precisam de tocar, cheirar, sentir. Tudo é uma novidade e tudo, absolutamente tudo é um estímulo.
Precisam dos pais. Sobretudo e acima de qualquer referência, precisam dos pais.

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Credits: Patrícia Resende

A minha introdução aos ecrãs foi portanto, gradual. Inicialmente ligava o computador à televisão e punha-lhes videos nossos. Deles próprios, do nosso casamento, das festas de anos…  O ritmo era obviamente lento e real, as situações e as personagens conhecidas e isso fazia com que eles adorassem e não se sentissem perdidos entre a realidade e a ficção.  Também colocava ballet para crianças, do género do Quebra Nozes, ou concertos de música classica infantis, por ser algo muito mais focado na música e na dança, cheio de cor mas sem um ritmo alucinante.

Por último, quando introduzi os bonecos, foi ou com escolhas minhas no YouTube, ou, se com muita pressa minha, o Baby TV.
Por ser lento, e as histórias, mesmo que às vezes muito parvas, não conterem violência nem maus exemplos.

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Credits: Patrícia Resende

A verdade é que, por estarem tão expostos e atentos às nossas conversas, leituras e brincadeiras, eles têm um vocabulário muito extenso e uma conversa já muito bem fundamentada, para além, de que mesmo prematuros e com os percalços de saúde que tiveram, nada os impede de subir muros 🙂

Houve alturas em que lá tivemos de ouvir os habituais comentários dos “coitadinhos”.
Mas já nos habituámos aos coitadinhos que não têm gomas, carne, fritos, antibióticos, televisão, creche, brinquedos demais…
Claro, que depois quando os vêm felizes e saudáveis e com um desenvolvimento acima da média, sem nada destas coisas… acabam-se os comentários.

Hoje em dia, já são eles a procurar por eles próprios a sua diversão, basta-me dar-lhes algumas “ferramentas” e eles ajeitam-se, mas deixo aqui algumas imagens de como entretia os meus miúdos antes mesmo de eles andarem.

É incrível a surpresa de umas simples panelas ou tampas entreterem tanto…
Agora, mais crescidos, privilegiamos sempre os passeios e a brincadeira ao ar livre na Natureza.

Estas fotos podem ser abertas uma a uma e têm a descrição dos materiais.
Mas também nos podem procurar no seguinte link do Pinterest:
Actividades para bebés – PlantarAmor.com

Nós gostamos muito de televisão.
Mas sem a tornar, e aos telemóveis e tablets, em perigosos babysitters.
Preparados? Toca a pôr os miúdos a puxar pela mente e corpo.

Que continuemos a plantar amor.

Liana

O plástico tem sido um grande amigo. É fiável, práctico, simples e está em todo o lado.
E… aí reside um grave problema. O plástico esta e estará em todo o lado…
Durante os próximos milhares de anos.

A nossa dependência do plástico e a sua extrema longevidade tornaram um grande amigo no nosso pior inimigo.

Disseram-nos que devíamos reciclar. E agora sabe-se que não há capacidade de reciclar o tanto plástico que geramos, e que apenas 7% do plástico (sim, 7%) é verdadeiramente reutilizado.

O resto do plástico é muito bem empacotado e enviado para os países a que nós chamamos de 3º mundo. E aqui, gera-se mais um problema de gravidade extrema. Um abuso de direitos humanos com povos a viver literalmente em cima do lixo que nós fazemos.

A restante parte vai parar aos oceanos, aniquilando o ecossistema de que dependemos.

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A partir do momento em que percebemos que o plástico é um composto químico, extremamente prejudicial para o organismo humano e que devido ao excesso de poluição nos oceanos, está a começar a entrar na nossa cadeia alimentar através do sal, do peixe e da água engarrafada… humm, há uma luz de perigo, que se acende em nós, não há?

Um certo medo agiganta-se e a pergunta é óbvia.

“Então é melhor viver sem plástico?”

Foi isso a que nos propusémos na nossa família.
Para logo nos apercebemos que era bem mais difícil do que pensáramos.
Carro, televisão, telemóvel, máquina de lavar…
É tudo plástico.

Mas resolvemos começar por algum lado.
Pelo menos segundo a premissa:
Viver com muito menos plástico.
E passar a mensagem. Para que a pressão cresça e se apoie na sociedade para salvar os mares e… a nós próprios.

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Por onde podemos então começar?

Aqui por casa foi assim:

– Abolir palhinhas!
Sejamos francos, servem para quê, se não precisarmos delas por saúde?

– Abolir cotonetes e mudar para escovas de dentes de bambu! 

– Abolir sacos plásticos!
(Usar sacos de pano e frascos)

1- Para isto é preciso programar a mente para ter sempre sacos de pano ou de plástico reciclados para ir às compras, no carro, na mal, onde der jeito.
2- Depois programar a mente para não nos importamos quando as pessoas olham para os nossos sacos de pano ou rede (e termos orgulho nisso).
3- Depois lembrar-mo-nos de escolher as embalagens de vidro ou papel em deterimento das de plástico.
Começa por ser difícil mas depois entranha-se e perguntamo-nos porque, sendo tão simples, não é esse o hábito geral.

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– Abolir garrafas de água de plástico!
(Usar garrafa reutilizável para andar na mala)

Um milhão de garrafas são vendidas por minuto. Em um ano apenas, são 500 bilhões  de garrafas. Apenas 7% são reutilizadas, o resto vai poluir terra e mar. Mais precisamente 8 milhões de toneladas métricas de plástico vão parar ao oceano todos os anos.
Por esta razao, estima-se que em 2050 o oceano tenha mais plástico que peixes.

Quão assustador é isto? Por uma coisa da qual usufruimos durante 5 minutos?
Não contabilizando sequer os malefícios para a saude publica, ao estar a ingerir em microquantidades, mas durante toda a vida, microplasticos de componentes cancerígenas e outros químicos associados.

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Courtesy of Akasha. Credits to: @mohammedali6561

– Comprar a Granel
(com os sacos de pano e os frascos)

Encontrar lojas de venda a granel (cereais, leguminosas, frutos secos, detergentes, etc…), levar os saquinhos de pano e os frascos de vidro e levar para casa.
Este foi o hábito mais difícil de implementar, mas é só encontrar a loja certa e fazer disso uma agradável rotina.
E a loja certa para cada um, podem encontrá-la neste site informador: Agranel.pt

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– Usar fraldas reutilizáveis!

Cada bebé gasta em média 5000 fraldas até ao desfralde, e cada fralda demora 500 anos a desintegrar-se na Natureza. Sendo que nascem aproximadamente 360 mil bebés por dia, imaginem de quantas fraldas e anos falamos.

30 fraldas reutilizáveis fazem o serviço de cerca de 4000 fraldas descartáveis… e garanto que as novas fraldas de pano, são giras, funcionais, muito mais económicas no médio prazo e muito mais ecológicas.
Nós temos gémeos e conseguimos usar a maior parte do tempo!

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– Recusar loiça descartável

Como, em família, procuramos comer saudavelmente, não somos os melhores clientes dos restaurantes fast food. Mas às vezes não há tempo para mais, ou às vezes simplesmente apetece uma coisa não saudável!

É a altura de comer o que nos apetecer mas recusar palhinhas, copos, tampas de copos e outros recipientes de plástico sempre, sempre que puderem.

Se andarmos sempre com os nossos talheres reutilizáveis (de bambu por ex), melhor ainda.
Ao princípio parece estranho, mas é só ter em mente a nossa missão maior e tudo se torna normal e redentor.

– Compostagem: 

Nós temos a sorte de morar no campo, ter uma hortinha, e a compostagem fazer imenso jeito diariamente. Mas há quem, mesmo morando na cidade, consiga guardar as suas cascas, e restos de vegetais num recipiente fechado e ao fim de semana ir dar a uma quinta. Esta medida depende da vontade e tempo de cada um, mas que faz sentir bem, devolver o que consumimos à terra e com isso construir terra nova, sabe.

Na nossa família ainda nos falta saber lidar com algumas coisas:

– Acabar com as embalagens de shampoos e detergentes que já tínhamos e comprar nozes de saponaria para higiene ou vinagre e bicarbonato de sódio para limpezas. Mas esse ainda é um mundo novo para mim e nessa altura conto mais.

Mas ainda relacionado com o plástico, pensando directamente no planeta, cá em casa também não se come carne (a indústria mais poluidora do ambiente) e usamos veículos mais sustentáveis e aprendemos a respeitar e amar a Natureza como a nossa casa.

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Parece difícil?
E é! Os primeiros 2 meses. E depois tudo se torna natural.

Mas é garantido, que sentirmos que fazemos parte de uma missão maior é de tal forma gratificante, que supera tudo.

E vocês, que outras formas de ajudar o planeta, usam na vossa vida?
Por aqui gostamos de aprender e crescer.

Que plantemos amor!

Carta aos meus filhos sobre a nossa vida como activistas ambientais

Meus amores

Hoje falo-vos da nossa casa. Não a de paredes de pedra que habitamos, mas da outra, a grande casa que nos acolhe a todos, a Terra.

Já houve um tempo em que a mãe não sabia muito sobre a poluição e suas consequências. Fui sempre seguindo as grandes modas que apareciam na televisão, como mudar as lâmpadas ou evitar os sprays… Mas, como pouco mais se falava, pouco mais a mãe fazia.
Mas a informação, nesta era da pesquisa virtual, que para nós ainda é nova, foi aparecendo, espaçada. Um video aqui, uma foto ali, uma notícia no jornal… A consciência  ambiental a crescer… E por esta altura, quando surgiu o 2º aviso dos Cientistas à Humanidade, eu já era vossa Mãe.

E como vossa Mãe, com a responsabilidade que o papel me exige, eu não podia mais ignorar esta realidade.
Dizia a carta dos 15.000 cientistas que estamos a caminho do fim da Terra.
Ainda depende de nós. Mas por muito pouco tempo.
Aqui podem ler a carta em Inglês (com possível download da versão em Português)

Ora, como posso eu amar-vos se não fizer tudo o que está ao meu alcance para vos deixar uma casa? A única que temos, o nosso planeta!

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Foto: Liana

Dizem os cientistas, e os inúmeros documentários que a mãe viu depois disso, que coisas muito más podem acontecer já no vosso futuro:

– Não existir água potável para beber
– Morrerem oceanos e florestas (e com eles a vida)
– Mudanças climáticas drásticas, com consequências de cheias, tempestades, maremotos, fogos, vagas de frio ou calor insuportável…

Lembrei as desgraças que vemos na televisão durante as catástrofes naturais, e de repente, a mãe estava tristemente a aprender que isso pode passar a ser o normal do dia a dia…
Não quero esse futuro para vós! Quando, em muita consciência, quis que viessem ao mundo, foi para vos mostrar o que de maravilhoso ele tem.
Mas os cientistas, os artigos, os documentários, dizem à mãe que isto se pode passar tudo até 2050…

Sei que sou pequenina, numa tarefa muito hercúlea. Sei que os meus recursos são bem minúsculos naquilo que represento na terra. Mas sabem que mais? Isso não me demove!
Se eu puder fazer alguma coisa para evitar que fiquemos sem flores, sem neve, sem comida, sem planeta, então é apenas isso que eu tenho de fazer!

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Conto-vos um pouco do aviso dos cientistas, que alarmou e inspirou a mãe:

” (…) desencadeamos um evento de extinção em massa, (…) no âmbito do qual muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas (…).
Dado que a maioria dos líderes políticos é sensível à pressão, os cientistas, os formadores de opinião nas mídias e os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas (…). Com uma vaga de esforços organizados, é possível obrigar os líderes políticos a fazer o que é certo.
Também é hora de reexaminar e mudar nossos comportamentos individuais, incluindo a limitação de nossa própria reprodução e diminuir drasticamente nosso consumo per capita de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.”

Percebi que há coisas que já fazíamos bem sem saber. Mas que havia tantas que estávamos (e ainda estamos) a fazer mal…

Há várias coisas que podem começar por nós, enquanto indivíduos e que, se formos muitos, pode fazer uma diferença abismal.

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Foto: Liana

Ainda da carta à Humanidade, retirei estes avisos para nos lembrar de por onde podemos começar.

“- os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas.
– diminuir drasticamente nosso consumo de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.
– reduzir o desperdício de alimentos
– mudar para uma alimentação à base de plantas;
– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade;
– aumentar a educação natural e ao ar livre para crianças;
– reorientar investimentos e compras no sentido de incentivar mudanças ambientais positivas;
– adoção massiva de fontes de energia renováveis”

Ora, como vêm, na nossa família, já éramos ambientalistas, em muitas coisas, sem saber :):

– Temos um carro a gás (e no futuro procuraremos alternativas ainda mais viáveis)
– Não comemos carne
– Vocês passam a vida a brincar no meio do campo e algumas das nossas maiores aventuras são a observar e interagir com a Natureza.
– Estamos a tentar comprar cada vez menos coisas novas e supérfluas
– Fazemos compostagem do nosso lixo orgânico.

Por último a mãe descobriu um Movimento ao qual faz todo o sentido juntarmo-nos:
O Zero Waste, ou Desperdício Zero, que nos ajuda a viver com menos plástico.

O plástico está a ser uma fonte assustadora de problemas. Está a matar oceanos e a vida marinha. E sabem, amores? Sem oceanos, Não Há Vida no planeta.
Por último o plástico está a entrar nos corpos das pessoas através dos peixes que as pessoas comem. O plástico está cheio de químicos muito perigosos.
Este não é o nosso caso, porque não comemos peixe, mas é o de muitas pessoas nossas amigas. Conseguem imaginar a nossa preocupação com elas?

Ainda estamos muito no começo, mas já fazemos algumas coisas:
– Levamos sacos de pano para comprar as frutas e legumes no supermercado
– Lavamos e reutilizamos os que já temos de plástico.
– Temos sempre um recipiente para a água que enchemos quando é preciso. Nada de mini garrafas.
– Recusamos tudo o que é descartável quando comemos fora.
– Não usamos palhinhas nem cotonetes
– Mudamos para escovas de dentes de bambu
– Compramos os produtos a granel  sempre que conseguimos

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Foto: Liana

As vezes a mãe sente-se parvinha, quando recusa os sacos plásticos que as pessoas insistentemente querem oferecer. Parvinha quando aparece nas caixas com sacos de pano.
Parvinha quando recusa as palhinhas e as tampas nas raras vezes de fast-food.  Quando pede água num copo de vidro numa pastelaria…
As pessoas olham para a mãe como se fosse um alien.
Não é fácil estar no começo das mudanças.
Há 17 anos atrás quando comecei a ser vegetariana ainda era pior, porque respeitar os animais ainda era mais estranho. E hoje já há muito mais interesse e menos gozo.
Por isso, tenho esperança. E quando me sinto parvinha, por estar a ser diferente, no segundo seguinte, lembro-me das minhas razões e sinto-me orgulhosa!

“Devemos reconhecer, nas nossa vida quotidiana e nas nossas instituições de governo, que a Terra, com toda a sua vida, é o nosso único lar.”

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Foto: Patrícia Resende

Eu sou vossa Mãe. Que melhor prenda poderia eu dar-vos, que um maravilhoso planeta para viverem?

Que continuemos juntos a plantar amor.

Vossa
Mãe